Tentando viver com a dor – procurando respostas

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Nessa proposta de me conhecer e aprender a lidar com tudo o que eu sou e sinto, me pego voltando ao passado e revisitando a dor. Quando eu saí do banco pensei que, além de estar me despedindo dos amigos e do trabalho, eu também estava me despedindo das dores crônicas, mas infelizmente isso não aconteceu.

Tem momentos que penso que posso enlouquecer, e em outros momentos eu chego a ter certeza que já enlouqueci.

Eu pensava que as dores vinham apenas da situação de estresse e dos movimentos repetitivos que o banco me impunha, e eu imaginava que ao eliminar a causa, eu também eliminaria os sintomas. Mas não tem sido bem assim.

As dores podem vir enquanto eu faço coisas que me dão prazer, como cozinhar, escrever, pintar e até dormir.

Eu tenho apenas 40 anos, não era para me sentir como se estivesse presa no corpo de uma anciã com problemas de coluna e quadril.

Minha mãe diz que quando eu nasci o médico avisou que eu tinha um probleminha no quadril e que era para ela fazer alguns exercícios fisioterápicos em mim, e assim ela fez para que eu não tivesse uma perna menor que a outra.

Na verdade, eu só fui saber disso quanto eu tinha por volta de 18 anos, porque, uma vez, enquanto eu atravessava uma avenida, senti uma dor lancinante na região do quadril e não consegui controlar muito bem minha perna direita, a sensação que eu tive é que ela havia saído do lugar. Eu terminei de atravessar a rua mandando meu cérebro comandar a minha perna para que ela se movesse, e fui meio que arrastando e me sentindo como uma boneca mole de pano. Ao comentar com a minha mãe, ela se lembrou desse probleminha no quadril e imaginou que tivesse uma relação. Um médico com quem me consultei disse que isso era comum em descendentes de italianos (meu caso), mas não me deu maiores explicações e, como isso acontecia muito esporadicamente, eu não me interessei em ir atrás de respostas. De vez em quando o fêmur deslocava da bacia e um tempo depois ele voltava ao lugar sozinho, a dor ia embora e eu ficava bem.

A frequência e a intensidade começaram a aumentar somente há poucos anos.

Uma vez, ao tentar sair do carro (eu estava sentada no banco do passageiro), movi a perna direita pra fora e foi nesse segundo que uma dor absurda, como se algo houvesse se partido, me atingiu perto da virilha. Cheguei a ouvir o barulho de algo saindo do lugar. Fiquei assim sem poder abrir a perna direito por um tempo até o meu acupunturista me ajudar.

Já há um tempo o lado esquerdo começou a me incomodar. Todas as manhãs, enquanto ainda estou deitada na cama, apoiada do lado esquerdo do corpo, eu sinto uma dor muito forte na região do quadril. A sensibilidade é tanta que não suporto nenhuma pressão das mãos nessa região e na região dos glúteos.

Então, há pouco mais de um mês, sem ter feito nenhum movimento brusco, eu fui tentar sentar com as pernas cruzadas e não consegui. Ao tentar abaixar a perna esquerda eu senti a mesma dor de antes na região da virilha. Depois de um tempo assim, fui ao quiropraxista. Apesar da dor no local, ele conseguiu fazer alguns movimentos e senti um pouco de alívio, mas como eu estava muito sensível, não insistimos muito.

Uns dias depois a dor voltou e a impossibilidade de fazer certos movimentos também, e estou assim até hoje.

A coluna foi algo que começou a me incomodar de verdade na época do banco, já nos últimos anos antes de pedir demissão, eu gastava uma boa parte do meu salário com isso. RPG, Pilates, acupuntura, quiropraxia, massagens, fisioterapia … os sintomas aliviavam mas eu nunca melhorava realmente porque a causa do problema continuava existindo.

Só que agora a causa já não existe mais, mas os sintomas ainda se manifestam. Não posso escrever por muito tempo, nem pintar por uma hora, nem passar alguns momentos de pé na cozinha sem sentir uma dor queimando meu pescoço, ombros e, às vezes, meus braços.

Em muitas manhãs eu sinto uma pressão forte nas costas, como se meus músculos estivessem duros e grudados e fica difícil de me mover sem dor.

Eu imagino que, para quem está lendo, deve parecer que sou hipocondríaca, e tudo bem, porque se eu estivesse lendo esse relato é muito provável que eu chegasse a essa conclusão também. Mas eu não sou. Sempre foi raro ficar doente, há bastante tempo eu não fico gripada, eu nunca suportei remédios e não os tomo nem para aliviar a cólica menstrual. Mas eu sinto que, há anos, meu corpo está me dando vários sinais e eu não estou conseguindo perceber o que ele quer dizer.

Já fui em alguns médicos, fiz alguns poucos exames, mas nada muito específico. Acho que, por eu ser jovem, não me dão muita atenção ou talvez só me achem louca mesmo. E é assim que tenho me sentido, louca. Em muitos momentos eu não sei o que fazer comigo e tenho medo que isso nunca termine. Só é suportável porque não sinto essa dor 24 horas por dia se as áreas sensíveis do meu corpo não forem tocadas e se eu não tentar fazer nenhum movimento repetitivo por um tempo minimamente prolongado.

Eu resolvi escrever isso porque eu precisava desabafar e o ato de escrever sempre foi terapêutico e, também, porque imagino que eu não seja a única a estar vivendo algo assim.

De qualquer forma, pedi algumas indicações de ortopedistas especializados em coluna e/ou quadril e consegui marcar uma consulta para fevereiro. Estou aqui, com os dedos cruzados, torcendo para que, dessa vez, eu consiga alguma mísera resposta que me leve a algum lugar para longe da dor.

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