terapia

Sobre a escrita e a cura

Sobre a escrita e a cura - doce cotidiano

Sabe aqueles dias em que você precisa desabafar para organizar seus pensamentos e sentimentos?

Quando você sente que seu peito está oprimido e você não sabe se vai conseguir lidar com essa sensação?

Quando você está confuso e perdido e nada parece fazer sentido e você só queria sumir pra não ter que encarar o que está trancado dentro de você?

Quando você pensa que não vai mais suportar ser você e viver nessa angústia?

Para todas essas situações, terapia é sempre uma boa alternativa. Às vezes, tudo o que precisamos é da escuta de um profissional qualificado e em quem possamos confiar. Aliás, se você está se sentindo assim na maior parte do tempo, recomendo fortemente que procure ajuda.

Aliado a isso, uma das coisas que mais me ajudou no decorrer da minha vida, foi a escrita. Sei que já falei inúmeras vezes sobre o poder “curativo” do escrever, mas é porque comprovei por experiência própria o bem que esse simples ato proporciona.

Você não precisa se considerar um bom escritor, os erros de português não contam nessa atividade, você não será julgado ou avaliado; você só precisa de um papel e caneta (sim, papel e caneta; sou dessa geração e acho que os efeitos são melhores assim). E, mais importante de tudo, se permitir e ser honesto com você.

No início é meio difícil, você pode se sentir envergonhado por registrar sentimentos e pensamentos que você não gostaria de admitir que sente e pensa, você pode se sentir meio travado e não saber bem como fazer, mas o importante é começar.

Quanto mais você escrever, mais fácil fica. Dar “voz” aos sentimentos é como qualquer outro exercício, a gente precisa de prática. E, praticando, você conseguirá acessar, mais e mais, os cantos mais escondidos dentro de si.

Às vezes, o simples ato de reconhecer um sentimento e marcá-lo no papel já tem um efeito libertador e você pode sentir que um peso enorme foi tirado de cima do peito. Outras vezes, você precisará ler e reler o que foi escrito, se colocando como alguém de fora que está lendo a carta de um amigo querido que precisa de ajuda.

Você já percebeu como é muito mais fácil ser empático, ter compaixão e entender o problema quando é o dos outros? Quando é com a gente, podemos ser duros demais. Por isso, ao ler o que você escreveu, tente sair um pouco do seu papel e se transporte para o lugar desse Outro; já tive muitos insights assim. Algumas respostas e soluções ficam mais fáceis de serem vistas a certa distância.

Colocar seus sentimentos para fora, falando ou escrevendo, tem efeito de cura. Mas, pra mim, a escrita tem um benefício a mais, porque ela possibilita a leitura e releitura e você não precisa contar somente com a sua memória para relembrar o que foi “dito”.

Dê uma chance a essa atividade e depois me conta o que achou.

Um pouco da minha jornada – Autoconhecimento

um pouco da minha jornada - doce cotidiano

Recentemente, percebi que minha busca pelo autoconhecimento é antiga. Antiga, porque ela se iniciou há mais de duas décadas, mais da metade da minha vida.

Essa jornada não começou de forma voluntária, não mesmo! O negócio é que minha mãe já não sabia mais o que fazer comigo; eu a imagino desesperada, jovem e com cinco filhos em casa (dentre eles, uma rebelde sem causa), a solução foi me levar a vários lugares, todos voltados à terapia alternativa (sou imensamente grata por essa sabedoria quase inata da minha mãe, o alternativo funciona em mim muito mais do que o velho método tradicional ocidental).

Acho que a primeira tentativa da minha mãe foi com uma acupunturista Hare Krishna. Dos três meses de tratamento, renderam alguns frutos. Me apaixonei pela acupuntura, fui apresentada ao incenso Spiritual Guide (meu favorito, infelizmente está impossível de encontrar), surgiu a ideia da primeira tatuagem (uma flor de Lótus, que era como a terapeuta me chamava) e, óbvio, um pouco de equilíbrio emocional. Como foi algo que minha mãe compartilhou comigo – ela era tratada na maca ao lado -, acho que foi importante para uma aproximação entre nós.

Depois, veio o Tai Chi Chuan. Minha irmã mais velha, minha mãe e eu fazíamos juntas. Lembro-me de ser sempre tão agitada interiormente que toda vez que tínhamos que nos sentar, colocar as mãos no segundo chakra e prestar atenção na nossa respiração, eu sentia enjoo. Acho que precisei de muitos anos até conseguir fazer isso sem querer vomitar. Ganhei um livro sobre os chakras nessa época e eu o tenho até hoje.

Então, nesse mesmo espaço onde eram dadas as aulas de Tai Chi, tinha um guru (me lembro que o chamavam assim) e minha mãe resolveu que eu precisava me consultar com ele. Só entrando na fase adulta eu descobri que nossas sessões foram baseadas na PNL – Programação Neurolinguística. Um bom tempo depois, eu e minha mãe fizemos um workshop de PNL em SP e foi incrível.

Na época da faculdade, quando começaram os estágios de atendimento aos pacientes, nossa orientadora nos disse como era importante fazermos terapia – todo terapeuta deve ter seu terapeuta. E lá fui eu, para as minhas primeiras sessões com uma psicóloga. Desde então, já tive três terapeutas e um arte terapeuta e passei por inúmeras sessões no decorrer dos anos e, com certeza, todo esse processo enriqueceu o meu autoconhecimento; não tenho dúvidas disso.

Tive o meu período de negação, de esquecimento, de viver no piloto automático, de total desconexão comigo, e isso aconteceu enquanto eu trabalhava no banco. Foi a fase da minha vida em que mais adoeci. Ainda assim, foi um momento muito importante, pois grande parte dos profissionais com os quais me consultei para aliviar as dores físicas, me ajudou a voltar a olhar pra mim.

Depois que saí do banco fiz um programa de autoconhecimento que me ajudou a criar mais algumas rachaduras na minha couraça. Foi meio como um renascimento, principalmente pelo fato de ter me apresentado tantas coisas novas e pessoas incríveis que seriam meus guias nessa nova etapa da minha jornada.

Além das pessoas e dos lugares que frequentei, tive acesso a muitos, muitos livros mesmo, e eu, como devoradora ávida de letras, amei!

Talvez, olhando de fora, você possa pensar que muito tempo foi perdido e que desperdicei energia com tantas abordagens diferentes. Mas, esse foi o meu caminho e hoje consigo perceber que tudo o que aconteceu comigo teve um motivo, nada é fruto do acaso. Todas essas pessoas que me ajudaram, todos os livros que li, todas as discussões com a minha mãe, toda essa busca sem, na época, saber pelo o quê, me trouxeram até esse momento e fizeram de mim o que sou hoje: uma amante do autoconhecimento que aprendeu a se amar enquanto se redescobria. Então, definitivamente, tudo valeu a pena.

Nenhum conhecimento é jogado fora, fica tudo guardadinho dentro da gente. E acredito que, em algum momento, todos esses “pontinhos” se conectam e nos levam a um lugar novo, inesperado e que faz muito sentido.