tempo

Para onde estou indo?

“Quando você anda de carro à noite, o farol do carro não ilumina o caminho inteiro – por que você faz questão de saber de absolutamente tudo o que vai acontecer? Simplesmente faça o seu melhor hoje e sempre e nunca se esqueça de consultar seu coração em cada bifurcação do caminho.”

Lendo um dos textos da Flávia Melissa no Instagram, senti esse parágrafo “conversar” comigo. Eu já tinha lido algo semelhante que a Paula Abreu escreveu sobre não precisarmos saber, com certeza, aonde nossos passos irão nos levar, mas que o importante é começar a caminhar, e isso fez ainda mais sentido para o meu momento presente.

Tenho uma tendência muito forte a viver, por longos períodos, de maneira letárgica. Não faço nada, não produzo nada, enrolo o máximo possível. Então, quando acordo desse marasmo, fico elétrica e quero tudo pra ontem. Fico angustiada por estar andando no escuro e porque minha visão só alcança uns poucos metros adiante. Pra onde estou indo?

Às vezes, e só às vezes, eu gostaria de saber de antemão os resultados esperados para cada ação, mais ou menos assim: “se eu fizer um conjunto de coisas, por tantas horas e por determinado período de tempo, poderei esperar um resultado X.” Dessa forma eu não perderia tempo e não teria que enfrentar surpresas negativas.

Ok, eu sei que se as coisas funcionassem assim não teria graça, afinal, quando viveríamos os desafios que nos trazem oportunidades de crescimento pessoal? Quando aprenderíamos a lidar com as frustrações e decepções? E aprender a lidar com esses sentimentos considerados negativos é o que nos deixa fortes e resilientes.

É que tenho a sensação de estar perdendo tempo. Não é sempre que me sinto assim, mas acontece numa frequência maior do que gosto de experenciar. Parece que estou no caminho errado, fazendo a coisa errada. Mas então, me recordo da Byron Katie e seu livro Ame a Realidade e desencano um pouco.

Talvez essa dúvida toda faça sentido lá na frente, talvez eu não saiba as respostas porque ainda não é o momento de saber. Talvez, um dia, eu consiga ser ainda mais grata por todo esse turbilhão de sentimentos, todas essas dúvidas e receios, porque eu entenderei que foram eles que me levaram até lá e me transformaram na pessoa que serei.

O vício da explicação e o tempo

o vicio da explicação e o tempo

Estava pensando sobre a minha necessidade de me explicar o tempo todo. Explicar meus sonhos, meus pensamentos, minhas ações, minha falta de ação …. Explicar pra qualquer um. Meio que tentando me justificar por algo. Algo que não sei o que é.

Você se sente ou já se sentiu assim?

Pra mim, isso também se relaciona com a minha permissividade. Eu demorei pra perceber que era permissiva, principalmente porque fui uma adolescente rebelde. Mas, eu tinha essa rebeldia só dentro de casa, na segurança do amor dos meus pais e meus irmãos. Quando tinha que me posicionar fora de casa, eu me calava. Hoje consigo enxergar isso.

Meio que dá uma vergonha (olha aqui a preocupação com os outros de novo) de admitir isso. Nunca me defendi, nunca defendi causas que eu acreditava, pelo menos não abertamente. E acho que era por medo. Medo de sair de cima do muro, escolher um lado e, de repente, me descobrir sozinha.

Mas, por que esse medo de ficar sozinha?

Pra mim tem a ver com a minha baixa autoestima naquela época, o fato de não gostar de mim mesma e aquele sentimento eterno de inadequação. Eu não queria me sentir sozinha porque não gostava da minha companhia. Talvez, por isso, sempre engatei um namoro atrás do outro, nunca me permiti ficar só comigo, me curtir um pouco, me descobrir. Cara, faço isso desde que comecei a namorar, bota uns 20 anos nisso. Parece muito tempo, né?

Mas, não gosto muito de falar de TEMPO, pelo menos não ultimamente, porque junto vem aquela velha cobrança, autoimposta e imposta pela sociedade; como se existisse um período máximo para alcançarmos nossos sonhos, para sermos felizes, para encontrarmos nosso propósito.

Aquele relógio da cobrança nunca para, está sempre correndo e te lembrando que você ainda não fez nada realmente importante, que você não encontrou suas respostas, que você ainda não sabe se quer ser mãe, que você já tinha que saber de tudo isso há muito tempo.

Será? Será que eu já deveria saber disso? Quem define esse momento? Quem sabe o momento certo pra mim? Pra você?

A gente vai vivendo no piloto automático, fazendo o que esperam de nós, decidindo nosso futuro profissional quando somos jovens demais, esquecendo que sempre podemos mudar de escolhas, de ideias, de amores, de vida.

Estou acordando aquela adolescente rebelde, quero apresentá-la para a criança doce e meiga que eu fui e trazê-las de volta pra mim. Porque eu quero a doçura, quero a indignação que gera ação, quero a gentileza, a força, a coragem, o amor próprio, quero tudo o que fez e faz parte de mim.

Quero continuar buscando e não desistir, mesmo quando me disserem que é inútil e que não existe nada a buscar. Porque eu sei que dentro de mim isso existe, eu só não consegui acessar.

Ainda!