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Voltando a antigos padrões

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Ativei o botão de autodestruição, de novo!

De tempos em tempos eu faço isso. Essa parte em mim que de vez em quando adormece, desperta e quer me ferir. Volto para os antigos padrões de pensamento, descuido da minha alimentação e me entupo de alimentos que eu sei que me fazem mal, não me exercito, me sinto miserável e o ciclo se repete.

Eu já sei que tudo isso faz parte da autopunição a que me impus e eu conheço todos esses sintomas a nível consciente, mas tem algo acontecendo bem dentro de mim que ainda não consegui acessar. O que ativa esse comportamento? De onde vem a necessidade de me destruir?

Sou o tipo de pessoa que precisa “exercitar” sempre o otimismo e a alegria de viver, caso contrário, tenho tendência a mergulhar fundo na minha sombra da autopiedade e faço coisas para me machucar.

De quem eu quero me vingar? Eu faço isso para atingir alguém, além de mim? Eu sinto prazer na dor? Por que, mesmo sabendo que faço isso de tempos em tempos, continuo repetindo esse padrão negativo?

Estou cansada de entrar repetidamente nesse ciclo. Tem alguma lição que ainda não aprendi? Ainda me assombro com a minha capacidade de autopunição. Ingenuamente, achei que saber que faço isso já seria meio caminho andado, achei que não repetiria mais esses antigos comportamentos, achei que estava livre de me causar dor. Mas, pelo visto, tem algo em mim que ainda não curei.

Mergulhei no desânimo e no negativismo e tive dificuldades de sair. Acessei alguns sentimentos que, aparentemente, eu estava mantendo escondidos. Senti raiva! Raiva dos médicos que não descobrem o que eu tenho, raiva de mim por entregar a minha saúde na mão de terceiros e esperar por milagres, raiva por descuidar de mim, raiva por sentir raiva … raiva.

Alguns parágrafos acima eu disse que, pra mim, o otimismo é um exercício; e é. Às vezes, esqueço que o pessimismo é meu vício. Tenho que estar sempre vigilante e prestar atenção nos meus pensamentos e nas coisas que leio/ouço/assisto; não consigo me manter afastada das energias que me puxam pra baixo só desejando. Preciso adquirir uma consciência maior sobre mim. Mas, me sinto tão sozinha!

Apesar de saber que não acontece só comigo, sinto que me isolo na minha bolha de autocomiseração. E eu sei que sou eu que faço isso; eu que me fecho, eu que me guardo, eu que me tranco e não deixo ninguém entrar. Porque, quando volto para esse círculo de dor, o que eu quero mesmo é continuar no meu processo sadomasoquista.

Nesses momentos de escuridão, necessito me afastar um pouco do que me puxa ainda mais pra baixo. Mesmo sabendo que esse é um processo interno e que o que acontece a minha volta não é o responsável pela forma como me sinto, preciso deixar o que está fora, distante de mim.

As notícias ruins, as conversas desesperançosas, o negativismo do outro e a raiva que não é a minha, ganham proporções maiores quando estou assim. Tudo me atinge, tudo me toca, tudo me empurra pro meu vício. Então, chega o momento de me retirar pra me curar.

Me fazendo de vítima

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“Fingimos ser frágeis e coitados para que o outro faça tudo do jeito que queremos, ou para nos eximirmos da responsabilidade de buscar a própria felicidade. Estando no papel de masoquista, nos colocamos como vítimas indefesas da maldade do outro, sem assumir responsabilidade pela nossa própria miséria.” AMAR E SER LIVRE, Sri Prem Baba

Ah, a vítima! Esse papel é tão familiar. Não é uma posição da qual eu me orgulhe, mas é algo que fez parte de mim por muito tempo e, de vez em quando, ainda faz. Esse foi o meu modo de agir, sempre esperando que os outros resolvessem as minhas questões e entregando a responsabilidade da minha vida nas mãos de terceiros.

A vítima surgia, principalmente, dentro do meu núcleo familiar. Percebo que entrei nesse papel de ser incapaz e frágil, acho que querendo ser protegida. Não sei dizer quando isso começou, mas sei que é um processo antigo. A minha rebeldia adolescente foi isso, uma maneira desesperada de buscar atenção; e eu conseguia, mesmo que fosse de forma negativa.

Entenda que, pra mim, nada disso aconteceu de forma consciente. Eu não ficava maquinando como agir e o que fazer, eu simplesmente fazia.

Depois desses anos olhando pra mim e me conhecendo um pouco mais, depois de ter iluminado algumas das minhas sombras e de ter desenterrado alguns traumas e bloqueios passados, consigo ver que a criança que eu fui tinha um sentimento muito forte de não pertencimento.

Todos nós, em algum momento da vida – e não importa se recebemos amor e se tivemos uma infância mágica – passamos por situações desafiadoras e interpretamos esses fatos de uma maneira bem individual, baseados nas nossas experiências passadas, no nosso grau de sensibilidade, nas nossas crenças, na forma como enxergamos o mundo e a nós mesmos.

Tenho quatro irmãos, fomos criados pelos mesmos pais, com as mesmas regras e hábitos (principalmente os três filhos mais velhos, grupo do qual faço parte) e somos completamente diferentes. Entendemos as coisas e acontecimentos de maneiras diversas, temos lembranças e sentimentos diferentes com relação a um mesmo acontecimento, nossos temperamentos não são iguais, nossa forma de encarar a vida também é individual. Isso, possivelmente, reflete que cada um sente as coisas de um jeito; algo que foi tranquilo pra um, pode ter sido um evento traumático pra outro.

Hoje revisito esse lugar para entender meus comportamentos atuais e me sinto um pouco mais próxima de acolher e ressignificar minhas atitudes antigas. Porque é apenas isso que posso fazer com o meu passado; olhá-lo e ressignificá-lo.

Isso não quer dizer que nunca mais viverei esse papel de vítima, não quer dizer que nunca mais cometerei erros e que tudo será diferente daqui pra frente. Eu ainda estou aprendendo e o aprendizado continua pela vida afora com ensinamentos diferentes à medida que “passamos de ano”, e é uma jornada que nunca acaba. Eu só estou um pouco mais atenta a alguns aspectos do meu comportamento, reconhecendo a minha responsabilidade em todas as minhas escolhas e suas consequências.

Às vezes, é dolorido. Nem sempre estou disposta a reconhecer certas partes como minhas.

Porque quando a vítima surge, eu quero me entregar a ela porque parece ser mais fácil seguir por esse caminho; a autorresponsabilidade me faz entrar em contato com as sombras que mantive intocadas dentro de mim e nem sempre estou pronta para abraçar os meus monstros. Às vezes, só quero voltar a ser protegida, e tenho vontade de entregar toda essa responsabilidade nas mãos de alguém e esperar que esse outro me faça feliz e supra todas as minhas necessidades. Mesmo sabendo que é impossível ser feliz assim, tem dias que só gostaria de voltar a adormecer. Porque dói, tem dias que dói muito.

Mas, com dor ou sem dor, viver na realidade ainda é muito mais interessante do que viver na ilusão criada por nossas máscaras.

Por isso, quando percebo e reconheço esse papel que interpretei por tanto tempo, aceito que fiz o que sabia fazer e que dei o melhor que tinha pra dar na época. E não é o que todos fazemos? Nós damos o que temos pra dar. E está tudo bem!

E então, ao adquirirmos mais consciência sobre nós mesmos, ao percebermos as nossas ações frente às variadas situações, ao entrarmos em contato com nossos sentimentos, com as nossas sombras e com o que mantivemos escondido, chega o momento de assumirmos a responsabilidade por nossos sentimentos, escolhas e atitudes. E, mesmo que isso pareça um pouco assustador a princípio, se entender como o único responsável por sua vida e por sua felicidade, pode ser libertador.

Sobre iluminar as minhas sombras

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Estava em busca da minha raiva, esse sentimento poderoso que mora dentro de mim e que estava escondido.

Eu sempre senti raiva, de tudo! E a minha forma de lidar com ela era meio primitiva, o sentimento vinha e eu o colocava pra fora, sem filtros. Com o tempo, comecei a me sentir mal com isso porque eu magoava pessoas que eu amava, e a solução encontrada foi sufocar a raiva. Escondê-la, reprimi-la, ignorá-la.

Por um tempo, pareceu dar super certo. E eu realmente acreditei nisso. Via-me como alguém que não nutria mais esse sentimento tão perturbador, acho até que me sentia superior por não deixar que um sentimento de vibração tão baixa me dominasse. Eu racionalizava as situações que poderiam despertar o monstro e, depois, as ignorava.

Então, acontecimentos que normalmente despertariam a minha raiva começaram a me deixar triste e deprimida. Sem ação, sem reação, sem movimento algum. E isso começou a me incomodar muito mais do que as antigas explosões. Porque deixar de sentir por um tempo pode até ter um efeito calmante, mas, se isso persiste, fica muito claro que é só um processo de fuga. E eu não queria mais viver fugindo de mim.

Porque o problema nunca foi a raiva ou qualquer outro sentimento considerado negativo. A questão não é só o que eu sinto, mas sim, o que eu faço com isso. A raiva pode ser um ótimo combustível para coisas boas e bonitas.

Dizem que a raiva é a tristeza colocada em movimento, que onde existe raiva, provavelmente, existe uma tristeza profunda que não foi olhada. A tristeza, por sua vez, pode vir de um sentimento de raiva que não foi expresso. Pra mim, pra minha história, isso faz total sentido. Esses dois sentimentos sempre estiveram conectados.

Não existe nada de errado em sentir raiva e tristeza. O que eu quero aprender é a acolher todo sentimento que brota em mim, olhar pra ele, não negar ou esconder sua existência. Quero entender de onde eles vêm e os seus porquês.

Percebo que toda vez que fico triste ou sinto raiva é porque estou “brigando internamente” com a realidade. Isso não quer dizer que devo simplesmente me conformar e aceitar as coisas como são; não agir quando sinto que preciso agir, não dizer quando sinto que preciso dizer. Mas, certas coisas são como são, não estão no meu controle e não há muito o que eu possa fazer. A única situação que tenho algum poder pra mudar é a minha. E isso já é difícil pra caramba.

Convivo comigo há quase 39 anos e ainda não me decifrei. Ainda estou aprendendo os porquês de fazer as coisas que faço, do jeito que faço, muitas vezes de forma destrutiva. Os porquês de repetir antigos comportamentos, seguindo velhões padrões comprovadamente catastróficos. Porque, tantas vezes, escolho a dor e não o amor, mesmo que faça isso inconscientemente naquele momento.

Meu momento agora é de união. Juntar esses muitos pedaços perdidos e renegados, todos os sentimentos que fazem e já fizeram parte de mim, acolhê-los, aceitá-los e assumir a minha responsabilidade em cada ação e em cada falta de ação, e fazer isso com amor. Abraçar a raiva que permiti, finalmente, que saísse de seu esconderijo; acolher a tristeza, a culpa e a vergonha que me fizeram companhia por tanto tempo; aceitar o medo constante que só tentava me proteger e, então, usar a luz que me habita para iluminar minhas sombras, todas elas e, um dia, conseguir amar cada pedacinho de mim.

Essa é minha missão. Ser quem eu vim pra ser. Inteira!

A reconciliação e as estrelas cadentes

a reconciliação e as estrelas cadentes - doce cotidiano

Em novembro de 2015 eu escrevi sobre o passado nesse post aqui. Esse assunto é algo ainda recorrente na minha vida, e não é porque me apego a ele querendo que o tempo volte, nem porque não consigo esquecer os traumas antigos.

Ele é um tema importante porque, nessa viagem de autoconhecimento, eu percebi que repito certos comportamentos que são meio autodestrutivos. Descobri um padrão nas minhas ações, escolhas e pensamentos e, não querendo continuar nesse círculo vicioso, resolvi encarar o problema de frente.

Todos os dias gosto de ler a “Flor do dia” do Sri Prem Baba, no Facebook. Sempre tem algo que faz sentido pra mim e vejo uma luz se acender. Quantos insights ocorreram ao ler um simples parágrafo!

Na semana retrasada eu assisti uma palestra sobre relacionamento e, no meio de uma dinâmica, o passado bateu forte na minha porta.

Dois dias depois eu leio a flor do dia e sinto outra batida.

“Quando desenvolve a habilidade da auto-observação e da atenção plena, a sua memória desperta e você começa a lembrar de situações e imagens; você abre os porões do inconsciente e inicia uma limpeza. Limpar os porões significa liberar sentimentos guardados, fechar contas abertas (mágoas e ressentimentos) e se harmonizar com o passado, para finalmente poder sustentar a presença. Pois o que te tira da presença é o passado.”

Então, no dia seguinte, outra vez.

“Para ancorar a presença é preciso fechar as contas com o passado, o que significa poder olhar para trás e agradecer à cada pessoa que passou na sua vida. Onde existe ingratidão existe acusação; onde existe acusação, existe um coração fechado. Em outras palavras, existe uma ferida a ser tratada. Pois é essa ferida que te mantém preso ao passado. Com isso, eu lhe convido a fazer uma reflexão: se, nesse momento, a vida lhe convidasse a deixar o corpo, você estaria pronto? Se a resposta é não, procure identificar porquê. O que você estaria deixando para trás inacabado? Quais são as contas abertas que você estaria deixando? Somente quando puder fechar essas contas do passado, você poderá viver plenamente o presente.”

Algumas respostas para minhas perguntas estão lá atrás. Faço essa revisitação desarmada, não é uma caça às bruxas, não procuro culpados. A intenção é aprender, entender, soltar amarras, reconciliar.

Perdoar e libertar.

Por que faço o que faço hoje, da forma que faço?

De onde vem certos medos?

Algumas pessoas preferem deixar o passado intocado e esquecido e o que importa é só o agora.

Nesse ponto eu concordo, o agora é o que importa. Mas, tem sempre um mas pra mim, para que eu possa estar 100% presente no presente, de coração e alma, preciso fazer as pazes com o que já foi.

Pra mim é importante ter essa consciência, não tenho medo de mexer nesse vespeiro e encarar antigas dores, porque eu sei que é necessário e faz parte do meu processo de cura.

Desde que reiniciei minha jornada de autoconhecimento, há quase dois anos atrás, o Universo foi colocando pessoas especiais no meu caminho. Algumas delas surgiram tão inesperadamente que eu as comparo às estrelas cadentes que vi no céu de Piracanga. A gente tem que estar atento pra enxergar e, quando as vemos, nunca mais esquecemos da experiência. A elas, sou eternamente grata.

Essas pessoas iluminaram o meu caminho me ajudando a enxergar o que eu mantinha no escuro: meus medos, minhas mágoas, minhas dores …. me fazendo entrar num processo profundo e intenso de limpeza e me mostrando que essa é a hora de me reconciliar com a minha sombra.

Pro bem ou pro mal, o contato com o ser humano sempre nos ajuda a evoluir.

Enquanto vou fazendo as pazes com o que já foi, abro um espaço em mim para viver o que é.

Medo da luz

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Sim, eu sei. Eu sumi!

A ideia inicial era escrever durante a viagem, era não abandonar o blog. Mas, não consegui.

Apesar de estar em um lugar inspirador, que povoa a minha mente de ideias e possibilidades, eu travei. E, mesmo querendo ser consistente, mesmo querendo mudar e não ser aquela pessoa que desiste frente às dificuldades, eu fui a mesma Silvia de sempre e me acomodei.

Não gosto de admitir que eu tenho permitido que antigos medos voltem a me perturbar deixando tudo um tanto mais difícil. Não é medo de me expor e já não sei se é o medo de não ser boa. Também não é o medo de falhar, o pior medo sempre foi o de ser bem sucedida. Acho que está tudo meio confuso por aqui.

Então, eu abraço a minha criança interna que, por tanto tempo, teve medo do escuro, e a abraço um pouco mais forte porque percebo que hoje ela tem medo da luz.

Sim, a luz me assusta. A minha luz me assusta. Estou tão acostumada a lidar com a minha sombra que acabei esquecendo que existe o outro lado em mim.

A doçura que tentei sufocar com a minha rebeldia. A sensibilidade que sempre enxerguei como fraqueza. A positividade que permiti ser minada pela negatividade que sempre nos cerca. O amor que eu carrego e que me neguei a dar.

Hoje eu quero sair desse canto escuro que já não combina mais comigo. Quero voltar às cores que tirei do meu armário. Quero reencontrar aquela menina cheia de sonhos, de vontades e desejos, e quero dar a mão a ela para que, juntas, possamos caminhar em direção à luz.