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A saúde e a autorresponsabilidade

Photo by Glen Jackson on Unsplash

Desde que resolvi mudar meu estilo de vida, percebi a necessidade de pesquisar, estudar e me informar para que pudesse fazer escolhas mais conscientes.

O que antes ficava na mão de terceiros, agora eu precisava me apropriar.

É muito comum entregarmos nossa saúde nas mãos dos profissionais da área e nos isentarmos da responsabilidade, mas isso não estava mais funcionando pra mim.

Já me consultei com uma infinidade de profissionais e, como acontece em toda profissão, sempre existe o mau e o bom profissional. Sempre existe aquele que vai um pouquinho além e te enxerga em toda a sua complexidade, e existe o outro que parece apenas seguir uma cartilha, como se todo ser humano fosse igual e funcionasse da mesma maneira.

Por anos e anos eu tive uma alteração no meu Hemograma e o médico do trabalho me dizia que era comum e que eu não precisava me preocupar. Eu confiava no que ele me dizia e não fui atrás para saber o porquê daquela alteração.

Ano passado resolvi assumir definitivamente a responsabilidade pela minha saúde física, mental e espiritual. E foi aí que muitas respostas chegaram.

Aquela alteração que o médico do trabalho dizia ser comum, era de fato comum, mas isso não a tornava não prejudicial, ela estava relacionada com a minha insuficiência de vitamina B12. Talvez, por eu ainda comer carne na época, ele não conseguiu relacionar os meus sintomas ao resultado do exame, talvez ele não soubesse interpretar um hemograma (coisa assustadoramente comum na classe médica), talvez ele não soubesse que a deficiência de B12 não afeta somente vegetarianos estritos, mas também pessoas que consomem carne, ovos e laticínios, ou talvez ele só quisesse atender logo o próximo paciente para ir embora dali.

Eu estava com uma insuficiência de B12 alarmante, e estive assim por muito tempo, e como eu não sabia interpretar um hemograma e confiei no que aquele médico me disse, muitos dos sintomas que eu tinha não eram relacionados à sua real causa.

É claro que depois de muita pesquisa por minha própria conta e de perceber que havia algo errado, procurei outro profissional, fiz vários exames que constataram o que eu já sabia. Faço a reposição vitamínica desde então e reavalio a situação com novos exames a cada três meses.

Tudo isso me fez perceber a importância de nos conhecermos bem, em todos os aspectos. É muito importante sabermos ouvir o que nosso corpo nos diz. Ele sempre se comunica com a gente, seja por um desconforto após ingerir determinado alimento, pelo cansaço que pode advir da falta de ingestão de água na quantidade necessária ou por uma dor de cabeça se comi muito açúcar. Cada organismo reage de determinada maneira e cabe a nós interpretarmos esses sinais.

Talvez, o que dificulte isso seja a sua desconexão consigo mesmo. Se quando chega uma dor de cabeça você já engole um comprimido, se quando está com azia ingere outra cápsula, e não se dá a chance de perceber o que pode ter causado aquele sintoma, você pode perder a oportunidade de conhecer melhor os sinais que o seu corpo está te dando de presente. Todo sintoma tem uma causa, seja ela física ou emocional.

É claro que não tem como saber tudo sobre tudo e que, em muitos momentos, precisaremos confiar em outras pessoas para nos darem as respostas que não encontramos sozinhos. Mas é importante que a gente saiba que assumir a responsabilidade pela nossa saúde não é só ir ao médico e fazer exames regulares para verificar se está tudo bem.

Nenhum profissional conseguirá conhecer o seu corpo tão bem quanto você mesmo.

Atualização do diário alimentar

Em setembro do ano passado eu anotei tudo o que eu comi. Fiz um diário bem atento e não deixei nada de fora. A ideia era reduzir, ao máximo, a ingestão de glúten, de açúcar e de alimentos industrializados e super processados.

Pois bem, fiz isso e minha saúde agradeceu.

Mas parei de anotar e, ao fazer isso, acho que deixei de prestar tanta atenção ao que eu consumia. Comi mais glúten e mais açúcar e, como resultado, as alergias na pele voltaram. Honestamente, não tem como eu provar essa associação de uma forma segura, mas acho que as respostas que o meu corpo me dá precisam ser levadas em consideração.

Por que será que quando anoto, eu me alimento melhor? É por não querer admitir, nem pro meu bloco de notas, que vou comer coisas que sei que me fazem mal e por isso não as como? É por que fico mais consciente? É claro que não tem como ficar anotando tudo o que eu como para o resto da vida e eu nem quero fazer isso. Mas percebi que o ato de escutar os meus desejos é o que faz a diferença, porque quando presto atenção neles posso me questionar de onde vem a vontade de fazer algo que sei que me causará mal.

O meu corpo responde tão rapidamente que, em poucos minutos, já estou com vários sintomas decorrentes das minhas escolhas. Eu começo a passar mal enquanto eu ainda estou comendo (sério, é quase tão rápido assim) e sempre achei que isso fosse um incômodo, mas hoje eu entendo como uma coisa boa, porque meu corpo está se comunicando comigo o tempo todo e eu comecei a escutar. Nem sempre eu dou o que ele precisa e pede, confesso, mas estou aprendendo.

Não vou dizer que nunca mais comerei os alimentos que meu corpo recusa, sinceramente não posso me prometer algo que não me vejo cumprindo. Mas acho que dá pra reduzir, e muito, a ingestão deles.

Com toda essa mudança alimentar aqui em casa, ficou mais fácil percebermos os sinais que nossa saúde nos dá. Acredito que exista uma inteligência no nosso corpo que independe da nossa consciência. Vou tentar me explicar.

O Ciro disse que eu o estraguei desde que começamos a morar juntos há uns quatro anos atrás. Antes ele podia comer e beber o que fosse que não sentia nada, agora, quando ingere alimentos muito gordurosos ele passa mal quase instantaneamente. Acho que o nosso corpo se acostuma com o que é mais saudável e ele pede por isso, quando o forçamos a digerir algumas “bombas” ele reclama.

Se você passar uma semana se alimentando bem, sem frituras, açúcar, alimentos processados, glúten, carnes, leite e derivados, apenas comendo de forma mais natural possível e ingerindo água em boa quantidade, notará que se sentirá mais leve, mais limpo. Não é um período prolongado, então acho que não será tão desesperador fazer esse teste. De vez em quando eu gosto de fazer isso eliminando o glúten, o açúcar e os industrializados, eu desincho que é uma beleza e as alergias somem.

Mas, sendo muito honesta aqui, não sei se um dia serei aquele tipo de pessoa que só se alimenta de forma 100% saudável, batatas fritas são irrecusáveis pra mim. Mas eu busco aquele ponto do meio, o meu equilíbrio, que é só meu e tão pessoal, assim como o seu é só seu.

O desejado é muito relativo, assim como a proporção peso x saúde, não existe uma receita única e exclusivamente correta que funcionará pra todos. Você pode experimentar e testar até descobrir o que é melhor pra você, porque o seu corpo já sabe as quantidades e os alimentos que precisa, basta aprender a ouvi-lo.

É fácil? Não necessariamente. Mas é uma escolha diária que tem me trazido vários benefícios.

A alimentação, o dinheiro e as escolhas

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Já faz alguns meses que embarquei nessa mudança de hábitos, principalmente com relação à alimentação, e tem algumas coisas que percebi.

Nem sempre é possível fazer as coisas da forma exata que planejamos em nossos sonhos. Eu adoraria poder me alimentar somente de orgânicos, mas infelizmente não consigo por vários motivos.

O motivo principal que me impede de realizar esse desejo é a questão financeira, pelo menos no momento presente. Pagamos nossas compras com um cartão alimentação que o Ciro recebe no trabalho; os supermercados aceitam esses cartões, mas nem todo mercado tem uma seção de orgânicos. E, a outra parte da questão é que aqui onde moramos não está fácil achar produtos com valor acessível, a diferença de preços entre orgânicos e não orgânicos pode ser gritante.

Perto de mim tem alguns pontos de venda de alimentos orgânicos, mas na maior parte deles só consigo encontrar legumes e verduras e a variedade não é extensa. São basicamente os mesmos vegetais toda semana. O Cestão Biodinâmico facilita bastante, as feirinhas também (lá encontramos frutas), mas eles não aceitam cartão alimentação, somente dinheiro.

Eu sei que a variação de preços e do que encontrar depende muito do lugar que você mora. Sigo algumas pessoas no Instagram que sempre postam as fotos dos seus orgânicos e dos valores pagos e a diferença é absurda. Às vezes, chego a pagar três vezes mais do que eles pelo mesmo alimento.

São várias coisas que me fizeram pensar que, no momento, tenho que me adaptar da melhor forma possível. Comer alimentos saudáveis com agrotóxico ainda é melhor do que não comer nenhum. Infelizmente, a realidade é essa.

Enquanto não tivermos a nossa horta em casa, enquanto o Brasil ainda for um dos maiores consumidores de agrotóxicos do mundo, enquanto ainda não houver produção suficiente de alimentos orgânicos, enquanto a nossa condição financeira não nos permitir gastos maiores; temos que nos virar do jeito que der.

Existem várias receitinhas na internet de como retirar o agrotóxico, essa é uma delas, mas pra quem tem reação ao iodo, acho que não é recomendável; aqui nesse site tem outras dicas. Outras fontes dizem que mesmo lavando bem e descascando e/ou retirando sementes, ainda podemos ter resquícios de veneno porque, em alguns casos, ele penetra no alimento não ficando só na casca.

É algo que eu penso, é algo que tenho receio. Tenho medo de estar me envenenando demais, mas não comer frutas, verduras e legumes, não é uma opção pra mim.

No meu cenário de mundo ideal não haveria mais agrotóxico, todo alimento que vem da terra seria de fonte segura e confiável, nenhum animal seria explorado e morto para o nosso prazer, todos teríamos nossas hortinhas em casa e trocaríamos alimentos com os vizinhos, não existiria a fome e nem as doenças causadas pela má alimentação, a quantidade de lixo que produzimos seria reduzida consideravelmente, nossas águas não seriam contaminadas e seríamos uma comunidade praticamente autossustentável. Mas, por enquanto e a nível global, esse é só um sonho.

Na minha rotina estou tentando descobrir novas possibilidades de causar um impacto menor, tanto na minha saúde quanto no planeta. Ainda não estou no patamar que eu gostaria, mas estou tentando aceitar e não me culpar por não ter chegado lá ainda.

Por enquanto, como orgânicos quando for possível e tento, na maior parte do tempo, me alimentar de forma saudável. Veja bem, eu disse na maior parte do tempo, porque também tenho meus momentos de junk food. É que, hoje em dia, o meu junk não é tão junk quanto antigamente, mas só porque fiz algumas trocas.

Como é uma mudança de estilo de vida que pretendo que seja duradoura, estou tentando tirar a culpa e a autocobrança para deixar esse processo mais leve. E, sei que quanto mais eu me desintoxicar, mais serei capaz de escutar o meu corpo e dar a ele somente o que ele precisa. Uma hora eu chego lá!

Sendo a minha própria cobaia

cozinha

No início de setembro, eu comecei um diário alimentar com a ideia de anotar tudo o que eu como no dia, tudo mesmo! Inicialmente, eu queria reduzir a quantidade de lactose, de glúten e de açúcar, só pra ver como meu corpo reagiria.

Desde que parei o uso da pílula anticoncepcional, há dois anos, minha pele encheu de espinhas – é como se as espinhas que tinham sumido quando iniciei o hormônio, há umas duas décadas, decidissem voltar todas de uma vez. Fiquei um tempo com espinhas até nas costas e na bunda; nada legal!

Eu queria saber o que estava me fazendo mal e o que meu corpo não estava curtindo e, como forma de me avisar, me causava espinhas e alergias. Fora outros sintomas, como inchaço e cansaço.

Mesmo antes dessa pesquisa eu já não tomava mais leite de manhã (me dava azia), já tinha parado de comer ovo (o cheiro me dava nojo) e a carne, todo tipo de carne, eu já tinha parado há um tempinho. O leite e o ovo eram consumidos disfarçadamente em bolos e pães.

Eu sabia que não era celíaca, mas, mais de uma vez, profissionais de saúde já tinham me dito para reduzir ou eliminar o consumo de glúten da minha dieta e, pesquisando sobre os possíveis sintomas decorrentes de sua ingestão, resolvi fazer esse teste em mim.

Ao iniciar esse experimento, eu não sabia que o veganismo seria o meu caminho porque, até então, eu também acreditava que precisava do leite de vaca e seus derivados como fonte de cálcio.

Eu já tinha começado a ler o livro do Dr. Eric Slywitch – Alimentação sem Carne – e estava aprendendo um pouco mais sobre os alimentos, sobre a melhor forma de prepará-los para aproveitar mais seus nutrientes e sobre as combinações mais efetivas. Mas, ainda assim, eu não sabia muito bem aonde isso tudo iria me levar.

Comecei a seguir vários perfis no Instagram; de veganos, de pessoas com alimentação exclusiva plant based (dieta baseada em vegetais e alimentos integrais na sua forma mais natural, completa, não refinada, e minimamente processada), de veganos que não consomem glúten e, meio sem perceber, fui lindamente “contaminada” pela vontade de mudar.

Nesse espaço de tempo, desde que iniciei essa autopesquisa mais seriamente, notei duas mudanças principais:

  • Minha pele melhorou muito. Eu tirei fotos do rosto no início, no meio do processo e no “fim”, para comparar. Algumas espinhas super inchadas e vermelhas com as quais eu convivi por meses e não saíam mesmo com todo tipo de tratamento externo, diminuíram visivelmente.

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  • Meu corpo desinchou absurdamente, principalmente a região abdominal (também tirei fotografias antes de ir pra Piracanga, quando voltei de lá, no início desse experimento e recentemente). O importante não era a perda de peso, mas sim, como eu me sentiria.

Agora, vamos a algumas observações. Como eu anotava tudo o que comia, ficou um pouco mais fácil perceber a correlação entre o alimento ingerido e determinados sintomas.

Não consegui excluir o glúten completamente e notei que, quando o consumia por alguns dias seguidos, mesmo que em pequenas porções, as coceiras voltavam e eu ficava mais inchada.

Quando comi batatas fritas, o que aconteceu mais de uma vez (é meu fraco, comeria todos os dias), ou quando comi frituras em geral, me senti mal depois, como se tivesse ingerido um galão de óleo. E isso aconteceu em todas as vezes depois que comi!

O açúcar, mesmo ingerindo somente o demerara ou o mascavo e muito raramente, não se mostrou o melhor dos meus amigos. Também não me senti bem após a ingestão dele quando combinado com algum tipo de gordura, como em sorvetes – mesmo em opções veganas.

Entendi que o veganismo – na alimentação – é mais do que não comer nada de origem animal. É mais do que respeitar os animais e o planeta; é se respeitar em primeiro lugar.

Por isso, após esse período de quase dois meses de experimentação, entendi que, pra mim, quanto mais naturalmente eu me alimentar, melhor! Vou continuar observando a mim e as minhas escolhas, mudar mais algumas coisas na minha forma de me alimentar e, então, eu volto pra contar como foi.

Uma última coisa! Eu não quis postar as fotos do meu corpo por um simples motivo; cada um tem a sua forma física e seu peso ideal, magreza não é sinônimo de saúde e eu não quero fazer apologia a isso. O ser/estar magra é uma característica física minha, eu nasci assim e isso não é o que importa aqui. O importante é estar saudável, independente do seu peso na balança. É fazermos escolhas que nos façam sentir bem, alegres e dispostos.

Viver é um direito de todos

Viver é um direito de todos - Toda vida merece respeito - Toda vida é uma vidaTODA VIDA MERECE RESPEITO.

Quero falar um pouco sobre as mudanças que estou vivendo e o que me levou a essa escolha.

Eu cresci em uma família com churrascos aos fim de semana. Quase todos os finais de semana que estávamos no Camping do Jordão, em São Roque, entre familiares e amigos, rolava um churrasco no terraço do chalé 5. E, por mais frequente que isso fosse, por mais abundância de picanha que houvesse, eu confesso que nunca gostei do sabor, rolava até um nojinho da picanha, então eu não comia.

Quando íamos em rodízios de carne, eu me entupia de banana à milanesa – já cheguei a comer 8 em um só dia. As vezes que eu comia carne sem me importar com o gosto era: no lanche, no bife cheio de molho por cima ou cheio de cebola, quando a carne moída estava cheia de cenoura ou outro legume. Só recentemente me dei conta de que precisava disfarçar o gosto da carne com temperos variados. O que leva a uma conclusão muito simples e óbvia, eu nunca gostei do gosto da carne.

O frango eu comia bem temperado, a linguiça não me desagradava e já comi costelinhas várias vezes no Outback. Mas, acho que as coisas começaram mesmo a mudar no ano passado.

Há um tempo atrás eu tentei aderir ao vegetarianismo. Muitas vezes, na hora do almoço, eu ia num vegetariano perto do trabalho e sempre saía me sentindo leve e satisfeita. Parei de preparar carne em casa – já era algo raro, mesmo antigamente eu nunca gostei de preparar porque não suportava o cheiro de sangue -, quase não comia carne fora, exceto em lanches. Apesar de saber da crueldade envolvida na Agropecuária e na Indústria Leiteira, eu preferia não olhar, não ler, não assistir vídeos … eu fingia que não era comigo e continuava comendo carnes esporadicamente.

Outubro de 2015, estávamos em Santiago e fomos num restaurante que o Ciro ama, o Liguria; eu pedi uma massa com espinafre e ele pediu uma costelinha. Não sei dizer o que aconteceu comigo naquele dia mas, quando provei uma garfada da carne, senti nojo, o gosto me desagradou e eu não entendi. Foi a última vez que comi carne de porco.

Então, depois disso, cada vez que passávamos de carro por alguma fazenda e eu via as vacas e os bezerros eu me emocionava e sentia vontade de abraçá-los do mesmo jeito que abraço cachorros. O cheiro da carne de frango começou a me incomodar e nunca mais comi, o leite começou a me dar azia e não tomava mais no café da manhã e, aos poucos, as coisas que eu sentia foram fazendo sentido pra mim.

Viver é um direito de todos - Toda vida merece respeito - Toda vida é uma vidaTODA VIDA É UMA VIDA.

Piracanga também teve seu papel nessa história, aliás, um papel importantíssimo ao me apresentar a filosofia vegana. A sementinha da mudança que já morava em mim começou a germinar e me vi repensando todo o meu viver e as escolhas que eu havia feito até então. Que tipo que vida eu queria pra mim? Como cuidar melhor da minha saúde? Como causar menos impacto no meio ambiente? Descobri que uma das respostas era meio óbvia: eu precisava me alimentar de vida, não de morte.

Então, tirei o consumo de leite e derivados do meu cardápio e me deparei com a imensidão de substituições possíveis, e ainda estou aprendendo e sei que ainda há muito a descobrir.

Meu olfato me ajudou e me vi odiando o cheiro de ovo. Ficou fácil deixar de consumir!

Resolvi investigar minhas roupas e calçados a procura de itens de origem animal e fiz o mesmo com meus cosméticos e com os produtos de limpeza. Ainda estou pesquisando quais são as empresas que utilizam produtos de origem animal em suas fórmulas e quais testam em animais.

Sei que é algo que, inicialmente, requer tempo de pesquisa, disposição pra sair da zona de conforto e mudança de velhos hábitos. Ainda estou engatinhando nesse novo mundo, mas tenho certeza de que vale a pena. Tenho um longo caminho pela frente e muitas coisas para aprender, mas estou me divertindo no processo.

O bolo, o traçado, o calçado e um corpo saudável

O bolo, o traçado, o calçado e um corpo saudável - doce cotidiano

Outro dia fui fazer um bolo, adoro fazer bolos caseiros e adoro mais ainda comê-los. Na descrição da receita mandava aquecer o forno a 180º C e isso não seria um problema se meu fogão não fosse bem velhinho e se a temperatura do forno se mantivesse nos 180º. Toda vez que tento abaixar o fogo, o forno apaga. Já testei inúmeras vezes mas o forno não se mantém aceso. Resultado, tenho que assar o bolo a 200º, no mínimo. Para algumas receitas isso não influencia tanto no resultado final, já para outras, a qualidade do bolo deixa a desejar.

Na época do ensino médio tinha uma disciplina chamada Desenho de Arquitetura – fiz colégio técnico em Edificações no Liceu de Artes e Ofícios de São Paulo -, e tínhamos que fazer projetos no papel vegetal com caneta nanquim. Foi uma fase um pouco traumática pra mim porque eu nunca tinha tirado uma nota baixa na vida e comecei a tirar várias nessa matéria. Meu traçado nunca ficava bom. Me senti realmente incompetente até o meu professor me chamar na mesa dele pra conversar; acho que ele também estava cansado de me dar tantas notas vermelhas. Ele me perguntou quais eram as minhas canetas nanquim, então mostrei a ele e disse que tinham sido da minha irmã, elas estavam com a ponta um pouco estragadas e no mesmo momento ele me disse que eu precisava de um novo estojo. Naquela semana minha mãe comprou pra mim e eu nunca mais tirei notas abaixo da média naquela disciplina.

Há uns anos atrás eu peguei um busão para ir até a cidade dos meus pais e resolvi ir a pé da rodoviária até a casa deles – na época era um inferno conseguir um ônibus que fosse até lá e os táxis eram muito caros; o trajeto leva quase uma hora de caminhada mas eu adoro porque a vista do parque ecológico é linda demais. Eu estava usando o tão controverso Crocs (alguns odeiam, outros adoram, outros usam envergonhadamente porque são feios demais … eu acho feio mas confortável e, naquele momento, estava pouco me importando com a opinião alheia) e não pensei que seria um problema caminhar por tanto tempo com eles na pista de caminhada do parque que, naquela época, era coberta com areia. Pouquíssimos quilômetros depois meu pé estava esfolado, machucado, ardendo e quase sangrando. Se eu tivesse usado um tênis, isso não teria acontecido.

O que essas três histórias têm em comum?

Não importa se eu sou a melhor chefe de cozinha do mundo e meus bolos são divinos, não importa se tenho uma mão firme e meus traçados são sempre uniformes e perfeitos, não importa se tenho uma disposição do caralho e consigo andar quilômetros e quilômetros sem me cansar, se o material que eu usar não estiver funcionando direito ou não for apropriado – meu forno, minhas canetas, meu calçado, ou o que for -, o resultado final não ficará bom.

Eu, que gosto de analisar tudo, comparar e dissecar acontecimentos, fiquei pensando na relação dessas histórias com a saúde física e mental, com os relacionamentos, com a saúde financeira … e por aí vai.

E, percebi que o que importa não é só a minha intenção e boa vontade, preciso também de ferramentas que me permitam alcançar meus objetivos satisfatoriamente, e acho que onde mais senti esse impacto foi na minha alimentação. Como eu esperava estar saudável se ingeria tanto “veneno”?

Da mesma forma que preciso de um forno funcionando para assar meus bolos, de boas canetas para um traçado preciso, de um calçado adequado para cada tipo de caminhada; preciso de alimentos saudáveis diariamente, porque meu corpo não foi feito para suportar, por tanto tempo e sem adoecer, a ingestão de tanto lixo.

1 ano desempregada

1 ano desempregada! 1 ano fora do emprego que me fazia infeliz e que não tinha nada a ver com o meu propósito de vida! 1 ano para cuidar de mim!

1 ano desempregada

Resolvi compartilhar um pouco, resumidamente, como foram esses 12 meses pós demissão. Os quilos a mais, os quilos a menos, o tédio, a euforia, a frustração, a esperança, a vontade de trazer significado para a minha vida.

Os primeiros 6 meses fora do banco foram de alívio extremo ao saber que eu tinha tomado a decisão certa em pedir demissão. Não teve um segundo sequer em que eu tenha me arrependido, nem nos piores momentos de preocupação com o meu futuro profissional e financeiro eu pensei que poderia ter me precipitado. Pra mim, depois de tanto tempo criando doenças e dores, sair do banco já tinha se tornado um caso de vida ou morte.

Apesar de sempre ter flertado com o drama, nesse caso específico estou sendo bem realista. Já comentei antes sobre a minha saúde precária nos últimos anos de emprego e na grana que eu gastava mensalmente para tentar minimizar os efeitos dessa “violência” autoimposta. Então, eu sabia que continuar vivendo daquela maneira poderia me levar por um caminho irreversível.

Depois de mais de uma década vivendo a mesma rotina, quando eu saí dela me senti meio perdida. Assisti inúmeros filmes e seriados, li uma porrada de livros, comia o que tinha em casa e se não tinha, eu comprava e me empanturrava. Não me exercitei, não fiz planos, não tinha objetivos.

As festas de fim de ano passaram, a falta de perspectiva continuou mas eu já me sentia incomodada com o tédio e a letargia. Como eu não queria ficar mexendo no dinheiro que eu tinha aplicado, comecei a me exercitar em casa.

Naquela época eu não tinha motivação alguma que não fosse o meu corpo. Eu tinha engordado uns 8 quilos, consequência da minha nova rotina, e perdi grande parte das minhas roupas, mas nem isso serviu para me manter focada. Logo eu desisti.

No meio do segundo trimestre de 2015 eu comecei a sentir necessidade de mais. Eu queria estudar de novo, queria me conhecer melhor, eu precisava me dar mais atenção e cuidar de mim com mais consistência. Bem nesse período recebi o e-mail da Paula Abreu informando sobre as inscrições para o PESV – Programa Escolha Sua Vida. Me inscrevi no último dia depois de muito lutar contra a minha intuição. A voz do autoboicote estava alta, mas resolvi não escutá-la dessa vez! Foi o meu momento decisivo desse ano, com certeza.

Confesso que me inscrevi pensando somente na parte profissional, eu queria um rumo e respostas, e achei que o PESV me ajudaria nisso. Mas, foi muito mais do que eu havia imaginado. Foi a primeira vez, depois de muitos anos, que me senti realmente responsável pela minha vida. Renasceu em mim a vontade de ser eu mesma, numa melhor versão.

Então, voltei a cuidar da saúde bebendo mais água, escolhendo alimentos mais saudáveis, sem restrições nem neuras, me exercitando quase que diariamente e, consequentemente, gerando mais energia.

Comecei a prestar atenção nos meus pensamentos e nas coisas que assisto e leio. Da mesma forma que estou aprendendo a escolher atentamente o que vou comer, aprendo a escolher que tipo que energia eu quero perto de mim. Por ser uma pessoa extremamente sensível eu absorvo tudo o que está a minha volta, então preciso selecionar muito bem o que me cerca.

Com as meditações ensinadas no Programa estou aprendendo a me concentrar e silenciar o turbilhão de pensamentos que povoam a minha mente. Esse, pra mim, é o passo mais complicado, por isso eu sei que é o que requer mais a minha dedicação. Ainda falta consistência para incorporar esse hábito à minha vida.

Outro ponto que requer atenção é a minha forma de me relacionar, principalmente com as pessoas mais próximas. Quero aprender a ouvir, já que eu falo demais, e ser menos controladora, permitindo que as pessoas sejam quem são.

É uma longa jornada, eu sei! É um caminho em construção e eu sei que ele será trilhado a medida que eu der um passo, depois outro e assim seguir em frente. Ainda não sei onde ele irá me levar, mas estou aprendendo a curtir a paisagem que me cerca enquanto eu caminho.

A parte profissional, que foi o que me levou ao PESV, ainda está um pouco nebulosa. Mas, sei que é uma questão de tempo até que essas nuvens se dissipem e minha visão fique mais clara! O que realmente importa nesse momento, é o agora. São as mudanças que estou fazendo no meu dia a dia e que impactarão positivamente a minha saúde física e mental!

Se você me pedisse para resumir tudo o que eu aprendi nesse ano em um só ensinamento, seria: VIVA O PRESENTE! Esse é o meu objetivo, esse é o meu desafio.

Consistência x Desistência – Como sair do labirinto?

labirinto

Alguns meses antes de viajar para o Chile, eu tinha iniciado uma mudança de hábitos. Estava tentando me alimentar melhor, me exercitando quase diariamente e bebendo mais água do que bebia antes (uns 2 litros a mais). A ideia, como sempre, era levar essa mudança para a vida e fazer dela a minha nova rotina.

Mas, tem algo que ainda não é uma característica minha: CONSISTÊNCIA.

Infelizmente, eu sou daquele tipo de pessoa que tende a desistir perante às dificuldades e obstáculos diários.

Então, como estava viajando e passava a maior parte do tempo na rua, eu diminuí drasticamente a quantidade de água ingerida, não me alimentei tão bem quanto poderia e, logo depois de machucar meu dedão do pé na primeira semana, eu parei de me exercitar como antes. Fora as caminhadas pela cidade, eu não fiz mais nada.

Como resultado desses 26 dias eu ganhei uma pele super seca e envelhecida (eu parecia uns 10 anos mais velha), um cansaço irreconhecível (talvez tenha sido a soma da desidratação e da má alimentação), uma pancinha bem inchada e um humor oscilante.

É claro que, logo que eu cheguei, a primeira coisa que fiz foi voltar à antiga rotina. Mas, às vezes, me sinto como aquelas pessoas que fazem mil promessas para o novo ano, que dizem que começam tal coisa na segunda-feira e, logo que a empolgação inicial diminui, voltam para a vida de antes e se esquecem dos seus objetivos e sonhos.

Há anos eu começo e paro, recomeço e paro de novo. Entro num ciclo de autoboicote sem fim e fico me perguntando onde está a saída desse LABIRINTO. Talvez, seja mais difícil persistir e seguir em frente porque não tenho fortes motivações, talvez eu seja preguiçosa e acomodada, talvez eu tenha medo do resultado dessa mudança. E, mais uma vez, o medo volta a fazer parte da equação.

Por hora, procuro não ficar encanando com os porquês e tento incorporar essa vida saudável à minha rotina esperando que, um dia, tudo isso se torne algo natural e impensado, como o respirar.