saudade

A saudade do invisível

Photo by Stephen Leonardi on Unsplash

Hoje acordei com um sentimento que soa como saudade, mas é uma saudade de algo que não sei o que é. Talvez seja de algum lugar ou de algum acontecimento (às vezes tenho a sensação que sinto falta de algo que nunca vi, ou de algum lugar que nunca fui), eu realmente não sei.

Começou de forma sutil enquanto eu estava no supermercado percorrendo os corredores de objetos de decoração, mas não cheguei a me lembrar de nada específico, foi mais como uma sensação. Depois, voltando a pé pra casa, andando sob a sombra das árvores e sentindo uma brisa fresca, essa sensação aumentou e eu quase pude visualizar algo.

Dessa vez, não cheguei a ficar triste, foi mais como sentir que eu pertencia a outro lugar.

Você já sentiu algo semelhante?

Vez ou outra acontece isso comigo e fico algumas horas, às vezes alguns dias, sentindo essa saudade e, por mais que me esforce, não consigo saber do que. É como se múltiplos véus turvassem minha visão interna me impedindo de recordar. Eu deveria recordar?

É só ilusão? Pode ser saudade de algo que vivi ou vi em outras vidas? Pode ser saudade do plano espiritual de onde vim? Pode ser um monte de coisas e também pode não ser nada. Pode ser apenas eu, repleta de sentimentos como sempre, toda confusa com o meu turbilhão interno.

Os cheiros, as lembranças e a saudade da vó

Eu tenho um tanto de focinho de cachorro quando se trata do meu nariz e, fora esse faro tão característico, somado a isso vem a minha memória olfativa.

Certos cheiros me levam de volta a vários lugares do meu passado, me fazendo lembrar de situações, pessoas e eventos, trazendo sentimentos, imagens e recordações esquecidas.

Com um aroma posso lembrar de alguém, da roupa que essa pessoa estava usando quando eu senti esse cheiro, do que eu senti ao abraçá-la, da conversa que tivemos e por aí vai.

Hoje, em meio a diversão de testar receitas veganas que peguei na internet, um dos processos trouxe um cheiro forte de saudade. Foi a primeira vez que lidei com fermento biológico seco e, ao fazer a “esponja” para incorporar à farinha, senti o cheirinho que sentia na minha infância quando via minha avó fazendo pães, massas e todas as coisas maravilhosas que só ela sabia fazer.

Um simples aroma me fez viajar no tempo, me levando de volta à cozinha da casa onde morei no bairro Alto do Mandaqui, em São Paulo, quando criança.

Minha avó tinha vários dons, mas dois deles foram os mais marcantes pra mim: seu dedo verde (tudo o que ela tocava florescia) e sua mão para cozinhar. De todas as coisas mais gostosas que já experimentei, a grande maioria foi feita por ela.

Nas pequenas coisas do dia a dia as melhores lembranças são construídas e muitas vezes não nos damos conta, e então, décadas se passam e um pequeno acontecimento traz tudo à memória outra vez.

Os cheiros são muito importantes pra mim, eles contam uma história.