recomeços

Um novo ciclo

Um novo ciclo - doce cotidiano

Agora irei postar duas vezes na semana, toda segunda e quinta. Às segundas-feiras os posts serão como diários e, às quintas-feiras, temas diversos voltados para o autoconhecimento. Na verdade, pode ser que os dois se misturem um pouco, então vamos ver como fica daqui pra frente.

Já que é um recomeço, resolvi que o primeiro diário deveria iniciar com esse novo ciclo e, como foi meu aniversário no sábado, é sobre isso que eu quero falar.

Apesar de não ser muito fã de comemorações – quando é sobre mim -, gosto da ideia da passagem do tempo marcada em anos.

Completei 39 anos de vida e não tenho problema algum com esse número, na verdade, não me vejo tendo problema com idade alguma. Sei que os 40 serão incríveis, assim como os 50, 60, 70 e, se for muito abençoada, com os 80 e 90.

Apesar de algumas mudanças físicas que ocorreram no decorrer dos anos e que me dizem que estou envelhecendo, apesar de me considerar vaidosa e de me perguntar se lidarei bem com o efeito da gravidade nas próximas décadas, gosto de adicionar um número a mais na minha idade.

Se tem algo que você não vai me ouvir dizendo é que gostaria de voltar aos 20 com a cabeça que tenho hoje. Não tenho saudade nenhuma dos 20 anos, sério mesmo. Gosto tanto de quem eu me tornei!

Parece bobo dizer, mas tenho orgulho da minha idade. Acho lindo olhar pra trás e ver quantas coisas já vivi; quantos amores, quantas dores, quantas alegrias e aprendizado. 39 anos pode parecer pouco, mas também pode ser muito dependendo de como você viveu sua vida.

Então, nesse sábado, encerrei um ciclo de vida e iniciei outro e fui presenteada várias vezes com lindas demonstrações de afeto.

Minha família veio me visitar e, apesar de nenhum deles ser vegano e nem vegetariano, foram comigo num restaurante vegano da cidade onde moro. Não é a coisa mais linda?!

A presença do meu sobrinho já é um presente em si. Ser humaninho tão carinhoso e sensível, tão cheio de amor que me inunda e transborda toda vez que me chama de tia Xuxu. Basta eu me lembrar da voz dele me chamando que fico feliz por horas.

Recebi muitas mensagens e ligações carinhosas de pessoas que eu amo e uma linda surpresa vinda de um novo amigo. Um desenho meu, cheio de carinho e cuidado até nos detalhes das minhas tatuagens. Tocou tão fundo meu coração que me deu vontade de pegar um avião pra Curitiba só pra encher esse guri de abraços e beijos.

Foram tantos gestos de amor que fiquei pensando. Às vezes, a gente só valoriza aquilo que é palpável, aquilo que podemos usar, guardar, mostrar; e é legal ganhar presentes pensados em você, não vou negar. Mas, o que mais me toca, aquilo de que nunca me esqueço, aquilo que levo comigo e que não tem como perder, quebrar e nem estragar, é o amor. Esse permanece como uma luz bem dentro de mim, que ilumina minhas sombras e medos e cura as dores e tristezas.

Esse aniversário me fez sentir gratidão. Gratidão pelo ano de muito aprendizado que eu tive, gratidão por mais um ano de vida com saúde (saúde é um dos nossos bens mais preciosos), gratidão pelas pessoas que o Universo colocou em meu caminho para iluminarem a minha jornada, gratidão pelo amor que sempre recebo e que nunca me falta e gratidão por você, que está aí do outro lado, conversando comigo!

Onde mora a limitação?

ultrapasse

Existe limite de idade pra começar uma nova carreira?

Existe limite de idade pra encontrar um amor?

Existe limite de idade pro prazer?

Existe limite de idade pra novas descobertas e sentimentos?

Existe limite de idade para sermos quem somos?

38 pra 39 e mudando de rumo, de ideia e de perspectiva.

Eu acredito que, enquanto houver vida em nossos corpos, sempre existe a possibilidade para novos começos, e penso que isso vale para todas as áreas.

Poucas coisas são limitadas pela idade e, ainda assim, varia de pessoa pra pessoa. Não acho que exista uma regra universal e imutável com relação a isso, nem mesmo pra engravidar, porque independente de ser aconselhável ou não gerar um ser numa idade avançada, já vimos avós engravidando. O risco é relativo, o risco é risco em qualquer fase da vida.

E por que temos tanto medo de arriscar? O que que queremos evitar? Uma decepção, uma rejeição, uma frustração? A gente continua vivo depois disso, a gente escolhe ficar vivo e recomeça.

Me lembro da primeira vez que meu coração foi partido numa decepção amorosa. Eu sentia até dor física e, na época, achei que não existia dor pior. Depois disso meu coração foi partido mais algumas vezes, provavelmente devo ter partido outros corações pelo caminho e descobri que, independente do tempo que a dor permaneceu, ela já não foi tão insuportável, eu já sabia o que esperar dela. A gente vive sabendo que não tem como fugir da dor, mas a gente aprende que tem como lidar com ela.

A gente vai seguindo, cada um no seu caminho, cada um ouvindo seu coração e intuição, tentando dar o melhor que temos pra dar no momento, entendendo que nunca paramos de aprender, que é sempre tempo de mudar, recomeçar, experimentar. E é isso que eu quero fazer até meu último momento aqui, quero aprender, quero compartilhar, quero ter minha vida tocada pelo outro e quero poder tocar a vida de alguém também.

A gente sempre pode mudar de ideia e fazer de novo ou fazer o novo. A ideia é cortar, romper, rasgar cada fio que nos prende e limita, nem que seja um pouquinho por vez. Acho que quando a gente percebe que a limitação mora somente dentro da nossa cabeça fica mais fácil lidar com ela. Esse tem sido o meu aprendizado diário.