perspectiva

Tentando mudar o foco

Uau, quanto tempo sem aparecer por aqui. Mas, pelo menos dessa vez, eu não fiquei sem escrever, só deixei de postar. É que tantas coisas aconteceram nesses últimos meses que eu precisei de um tempo pra processar, tanto os acontecimentos quanto os sentimentos decorrentes.

Às vezes a gente só precisa de um tempo pra si, né.

Bom, com tudo o que aconteceu, acho que o maior aprendizado, aquilo que eu não posso esquecer, é a colocar as coisas em PERSPECTIVA. De vez em quando eu preciso voltar ao passado recente e recordar dos momentos vividos para que eu possa olhar meu momento presente de outra forma.

Não é segredo que sou imatura emocionalmente, que me deixo levar facilmente pelos sentimentos e que isso gera muito estresse desnecessário na minha vida. Eu estou bem consciente disso, mesmo nos momentos que minha criança birrenta interna surge, eu estou plenamente consciente de mim, mas nem por isso estou no controle. Ainda me deixo guiar pela sombra.

Então, como preciso viver e reviver certas coisas para aprender, como preciso de lembretes diários para recordar e fazer melhores escolhas, fiz uma lista do que acho mais importante.

  • Deixar de encarar os desafios como problemas
  • Não colocar peso no que poderia ser mais leve
  • Olhar meus medos de frente e questioná-los
  • Lembrar que sempre há algo pelo o que ser grato, mesmo quando nos sentimos na merda
  • Entender que cada um tem a sua jornada e que eu não posso viver a dor de ninguém, mas posso ajudar
  • Lembrar que o “peso” que me é dado eu posso carregar, mas não preciso aumentar o fardo com pensamentos e atitudes negativas
  • Não ter pressa, respeitar meu ritmo de aprendizado e viver um dia de cada vez
  • Na completa escuridão, acender algum ponto de luz, nem que essa luz esteja do lado de dentro
  • Olhar para o outro ajuda a mudar o foco
  • Uma fralda cheia de merda pode ser um grande presente.

Com certeza tem muitas outras coisas que deveriam entrar nessa lista e eu me esqueci, mas como estou tentando diminuir o ritmo da minha mente e me cobrar menos, por enquanto está tudo certo.

Primeiro desafio de 2017

E então que, no finzinho de 2016, o Fuel ficou bem doente de uma hora pra outra. Fomos buscá-lo na minha sogra e o trouxemos para Campinas numa clínica veterinária que tem até UTI.

Fizeram alguns exames, também ultrassom, precisou de soro subcutâneo, vários medicamentos e, como perdeu sangue vivo e a contagem de plaquetas estava baixa, acharam melhor interná-lo. Foram duas noites no hospital, pudemos visitá-lo no sábado e o buscamos no domingo.

Na primeira madrugada de internação, acordei às 3 horas e não conseguia mais dormir, tinha receio que fossem ligar com uma má notícia. E eu sei que ficar acordada não impediria nada, não resolveria o problema, não o curaria de todos os males. Mas, eu não conseguia dormir. Sei que minha cabeça não ajuda, que me preocupo demais e antecipo um sofrimento que pode nem vir a chegar. Enquanto eu fico com o estômago apertado, mil pensamentos habitam a minha mente, descontroladamente.

Quando eu saio do momento presente e viajo para um futuro que só existe na minha imaginação fértil e dramática, eu sofro.

META PARA 2017 E PARA A VIDA: NÃO SOFRER PELO QUE NÃO EXISTE.

Mas agora, felizmente, ele já parece estar fora de perigo, será medicado em casa por mais trinta dias e fará exames de sangue semanais. Logo mais o levaremos de volta para minha sogra, lá ele tem espaço e uma companheirinha canina que está sentindo a falta dele.

O que me fez escrever sobre esses acontecimentos foi porque isso tudo me fez enxergar meus medos por uma outra perspectiva. Sempre pensei que meus medos me paralisassem e, até certo ponto, é isso mesmo. Dependendo da situação, não consigo agir. Mas, nem tudo o que me assusta me imobiliza.

Não vou dizer que quando vi aquele sangue todo não senti nada, pra ser honesta, eu senti enjoo. E não foi de nojo, foi o medo de perdê-lo. Mas, dessa vez, consegui fazer o que precisava ser feito, com o estômago embrulhado, com medo de sofrer por uma futura (talvez, possível) perda, mas não recuei nem paralisei.

E aí fiquei pensando, qual a diferença entre o medo que me faz recuar e o medo que me impele adiante? É a motivação por trás que os distingue? Quando envolve uma outra pessoa a minha tendência é agir? Não sei. Não sei mesmo.

Só sei que, nesse momento enquanto escrevo, ele está deitado no chão ao meu lado, dormindo. Então, me deito ao lado dele e ficamos assim, nesse aconchego que poderia durar horas sem que qualquer um de nós dois se cansasse; ele que adora um carinho, e eu que não me canso de acarinhá-lo.

O dinheiro, o controle e o não saber receber

O dinheiro, o controle e o não saber receber - doce cotidiano

Estou tentando adquirir um pouco de perspectiva relacionada a alguns dos meus bloqueios: o dinheiro, o controle e o não saber receber.

Por que é tão difícil, pra mim, falar sobre dinheiro? Por que eu me sinto envergonhada por não estar trabalhando e ganhando um salário? Por que me sinto inferior por estar dependendo financeiramente do meu parceiro neste momento da minha vida?

Sinto tudo isso e tento entender de onde esses questionamentos vêm.

Tenho muita dificuldade de falar sobre esse assunto e de admitir esses sentimentos, me sinto desconfortável até em admiti-los pra mim. E é justamente por me sentir assim que decidi escrever.

Quero desenterrar esse desconforto e trazê-lo para a luz; dessa forma fica mais fácil enxergar e compreender o que me aflige.

O “estar no controle” sempre foi muito importante pra mim, mesmo que fosse um controle ilusório, ele fazia com que me sentisse segura me dando a ideia de que eu tinha algum poder. E eu sei que é só uma necessidade do ego, eu sei que são sensações que não se sustentam na realidade, mas é assim que é.

Controle e poder. O querer controlar e querer ter poder; de onde vem essa necessidade? Pra mim, vem do medo que sinto em simplesmente SER e ESTAR. Se eu não estiver no controle, quem está? Se eu não estiver no controle, significa que alguém pode me controlar?

E, no momento presente, o dinheiro me traria a sensação de estar no controle e de ter algum poder. Quando eu ganho meu dinheiro eu sou dona de mim? Quando é o outro quem paga as contas, eu pertenço a esse alguém?

Veja as coisas que viajam pela minha mente! Só consegui acessar todos esses pensamentos e sentimentos recentemente. Antes, eu só estava no piloto automático, me sentindo desconfortável sem saber com o quê.

E é óbvio pensar que basta eu arranjar um emprego e voltar a ganhar meu dinheiro e todas essas sensações irão embora. E eu até concordo com isso. Em parte. Porque tem algo mais profundo aqui. Tem algo que está pedindo meu olhar e a minha atenção. Não é só sobre dinheiro.

A necessidade que tenho de controlar (de pensar que controlo algo) e a dificuldade de receber, se estendem a, praticamente, todas as áreas da minha vida. Pra mim, é muito desconfortável receber elogios, receber carinho e afeto genuíno, receber presentes inesperados, receber dinheiro; simplesmente receber. É como se eu não fosse merecedora disso, me sinto uma impostora.

Abrir meu coração e admitir tudo isso em voz alta, em público e pra qualquer um ver, requer que eu entregue o controle que penso que tenho, requer que eu me coloque na posição de receber críticas e julgamentos ou receber apoio e escuta.

Esse é um dos motivos pelo qual estou escrevendo isso aqui, porque eu sempre soube que escrever é uma forma de cura, aliás, esse foi o tema do meu trabalho de conclusão de curso na faculdade, então resolvi usar o que eu sei. Escrevo, agora, para me entender, escrevo para buscar as peças faltantes, escrevo para levar luz à escuridão, escrevo para me curar.

Ao escrever e reler o que foi escrito, ao dar voz aos meus sentimentos e ao fazer EFT (Emotional Freedom Techniques) para liberá-los e acolhê-los, eu me conecto um pouco mais comigo, me distancio um pouco mais da necessidade do controle e me abro mais à possibilidade de receber.

O assunto DINHEIRO é amplo demais para que eu consiga limitá-lo a essas linhas; a minha dificuldade em lidar com ele, ao não conseguir me colocar no papel de merecedora, ainda requer muita atenção e trabalho interno. Por isso, esse tema ainda vai render.