mudança

Procura-se: compaixão, empatia e amor

Photo by Evan Kirby on Unsplash

Relendo o livro AMAR E SER LIVRE, do Sri Prem Baba, me deparo com um trecho que me fez pensar na nossa CARÊNCIA de compaixão, empatia e amor.

“A cura planetária acontece de dentro para fora. Ao nos dedicarmos ao processo de autotransformação, em algum momento, poderemos contribuir também para a transformação planetária. Porque só podemos dar aquilo que temos. Só é possível dar amor se amamos, a nós mesmos e ao outro. Só podemos ajudar o outro a ser feliz se somos felizes.

Muitos querem contribuir para a paz da Terra, mas não sabem como encontrar a paz dentro da própria família. Então, enquanto não há o que oferecer, não caia na armadilha de querer salvar o mundo, trate de salvar a si mesmo. Trate de olhar para a injustiça que te habita. Olhe para a violência, para o desrespeito e para a dor que te habitam. Esse é o primeiro e mais importante passo para iluminar este mundo”.

Temos tanta dificuldade em nos colocarmos no lugar do outro e talvez por isso, agimos como agimos.

Escravizamos animais e outros humanos, simplesmente porque somos mais fortes e temos mais poder. Humilhamos aqueles que têm menos, seja a nível financeiro ou intelectual. Sentimos prazer na desgraça alheia e a compartilhamos nas redes sociais. Adoramos julgar, apontar o dedo e jogar a primeira pedra, afinal, nós é que somos perfeitos. Roubamos, agredimos, estupramos, matamos. Achamos que somos donos das vidas dos nossos parceiros, dos nossos filhos e dos animais de estimação que habitam nossos lares, e assim os prendemos em gaiolas, em correntes ou a nós mesmos. Dizemos amar os animais, mas comemos seus cadáveres, nos vestimos com suas peles, torturamos e violentamos suas fêmeas a procura do leite que não foi feito para nossa espécie e compactuamos com toda a violência envolvida nesse processo de dor.

Estamos doentes, mas infelizmente não é só no campo físico, porque se assim fosse, seria mais fácil de tratar. A pior doença é na nossa espiritualidade e moralidade. Somos miseráveis no autoconhecimento, no amor próprio e no amor ao próximo.

Quando eu me odeio e estou infeliz, se torna insuportável ver a felicidade do outro, então eu quero destruí-la. Quando me sinto preso às normas e regras que eu mesmo criei pra mim, a liberdade com que o outro vive me ofende. Quando eu penso que o outro tem mais posses do que eu, eu o invejo. Quando me sinto feio, a beleza do outro precisa ser diminuída. Quando não consigo lidar com os meus sentimentos, eu os jogo em cima do outro. Quando não sei dialogar, eu grito. Quando não consigo perdoar, me ressinto e guardo mágoa. Quando não sou capaz de ver algo, eu nego a sua existência. Quando quero continuar errando, arranjo desculpas. Quando não quero enxergar a realidade, me cubro com a fantasia. Quando o outro não vive de acordo com a minha verdade, ele está errado e precisa mudar. Quando eu digo que amo, espero que seja recíproco, mas quando digo que odeio, não aceito a reciprocidade.

Aí você pode me perguntar, e como a gente muda isso? Sinceramente, não sei.

Talvez o primeiro passo seja conhecermos a nós mesmos. Reconhecer, em nós, aquilo que não gostamos e queremos mudar; olhar no espelho, bem dentro do olho daquele reflexo que, muitas vezes, tanto odiamos e criticamos, e redescobrir as nossas qualidades perdidas e trazê-las à tona; identificar as nossas contradições, que são tantas, e tentar diminuí-las na nossa rotina.

Quando aprendo a me amar e quando respeito quem eu sou, fica menos difícil amar o outro e respeitar quem ele é. E, quando eu aprendo a amar e respeitar o outro, eu entendo que ele tem tanto direito a vida quanto eu e que a liberdade que eu quero pra mim é a mesma que é de direito dele (humano ou animal).

Ok, não vou ser hipócrita e dizer que escrevi isso somente para o OUTRO, porque esse OUTRO também sou eu. Tenho a minha longa jornada de aprendizado pela frente e, apesar de já ter despertado para alguns aspectos, ainda estou adormecida para outros.

Quero viver com menos contradições e seguir aquilo que prego. Quero me amar ao ponto de só existir amor pra dar, pra mim e para o outro. Quero acreditar que, mais cedo ou mais tarde, estaremos todos despertos e não mais compactuaremos com a violência, direta ou indiretamente.

Se eu consegui mudar tantas coisas em mim, acredito que você possa fazer o mesmo. Eu sei que sair da zona de conforto pode ser bem dolorido, mas é uma dor passageira e a recompensa vale a pena. Eu sigo nesse intuito, aos tropeços e ainda falhando, encontrando outros como eu pelo caminho.

Espero que nossos caminhos se cruzem nessa busca e para isso eu te desejo uma jornada profunda, intensa e reveladora.

O Outro é o meu espelho

Photo by Bekah Russom on Unsplash

Estava pensando na minha maneira de lidar com as divergências nas relações familiares e em como ainda sinto necessidade de me explicar. Me pergunto se tem a ver com querer ou precisar da aprovação e aceitação dos outros, ou se é porque ainda preciso esclarecer as coisas pra mim.

Foram tantas mudanças internas que aconteceram num relativo curto período de tempo, que me perdi um pouco tentando me encontrar. Ainda estou no processo de assimilar e compreender quem eu sou agora, ainda estou me familiarizando com essa nova mulher que me habita. Talvez esse excesso de justificativas venha daí. Me justifico pro outro na tentativa de entender a mim mesma.

E em meio a esse vendaval de mudanças, o que fazer e como agir quando o seu novo jeito de viver a vida te separa das escolhas dos seus familiares?

Eu precisei de um período de adaptação pra lidar com esse novo eu e não pensei que, talvez, eles também precisassem. Ainda estou aprendendo a me colocar no lugar do outro, mas nem sempre é fácil.

Porque, ao mesmo tempo em que TENTO entender que cada um vive da forma que acha que deve, sinto que preciso explicar a minha forma de viver e as minhas escolhas. E eu TENTO mesmo entender, mas falho na maior parte das vezes porque somos muito diferentes na maneira de pensar.

Dizem que todo relacionamento afetivo é uma escola e eu realmente acredito que seja uma grande fonte de aprendizado, ainda mais numa família grande como a minha com tantos diferentes temperamentos, comportamentos e personalidades.

Acho que vou me conhecendo um pouco mais em cada interação e relacionamento, em cada conversa e discussão, porque a maneira que eu reajo perante o comportamento do outro só diz algo sobre mim, afinal, o Outro é o meu espelho!

É que, às vezes, é difícil encarar esse espelho porque nem sempre o que vemos refletido nos agrada, fica mais fácil jogar a responsabilidade pelos nossos sentimentos em cima do outro. Eu ainda faço isso, mas eu sei que sou a única responsável pela maneira como me sinto. Percebo que quando ajo assim é a vítima em mim querendo atuar, querendo espaço, querendo ser vista.

Meu longo aprendizado tem sido a forma como me relaciono comigo, com os outros e com a minha sombra e, principalmente, com essa vítima que busca a minha atenção.

Tentando sair do conformismo

Photo by Julien Lux on Unsplash

Estava aqui pensando no conformismo, no meu conformismo pra ser bem específica.

Você sabe qual é o significado dessa palavra?

Conformismo é o comportamento ou tendência de se conformar, é aceitar uma situação indesejada sem se opor, é passividade.

E, por mais que eu goste de acreditar que sou “briguenta” para me defender, para defender os outros ou as causas que acredito, eu não sou essa pessoa o tempo todo. Já me calei inúmeras vezes em situações que deveria ter falado, já deixei de agir quando deveria ter agido e permiti que injustiças fossem cometidas com a minha omissão.

Quando questiono o porquê de ser assim, não posso deixar de me perguntar: do que eu tenho medo? O que me impede de ser a pessoa que quero ser?

Ficar quieta no meu canto me dá uma falsa sensação de proteção, porque se eu me torno invisível, não há mal que me alcance. Mas, mesmo sabendo que isso não é verdade, mesmo sabendo que o NÃO agir não me protege, eu persisto nesse comportamento. Não é algo que me traga orgulho, muito pelo contrário. Admitir isso aqui é tão difícil quanto admitir pra mim mesma que eu não sou quem eu pensava ser. Atualmente, tenho descoberto muitas coisas a meu respeito, algumas boas e outras não tão boas, e fica evidente o quanto eu ainda me desconheço.

Mas tudo bem, perceber minhas qualidades e defeitos faz parte do processo de autoconhecimento. E, já que me propus embarcar nessa jornada, tenho que encarar qualquer cenário e situação que cruzar meu caminho, por mais desafiante que possa parecer num primeiro momento.

Entendo que isso vale para qualquer comportamento que eu quero mudar em mim e percebo que a única forma de ser quem eu quero ser, é sendo. Parece meio óbvio afirmar isso, e é, mas nem por isso é simples.

Então, como mudar? Como me tornar a pessoa que eu quero ser? Como sair da passividade para a ação?

Não acho que exista uma receita padrão a ser seguida, pois cada um sabe o que funciona consigo mesmo, ou se não sabe, irá descobrir no tentar.

Pra mim, eu descobri que preciso dar um primeiro pequeno passo, fazendo as coisas que eu estava adiando fazer, seja por medo, por preguiça ou por qualquer outro motivo que me impedisse de agir, e então o resto da caminhada se torna um pouco menos difícil.

Eu preciso escrever e verbalizar as minhas dificuldades para que eu as reconheça e aprenda a lidar com elas. Eu preciso não me culpar pelos tropeços e pelas minhas deficiências. Eu preciso me aceitar como um ser humano falho e que ainda está muito longe da perfeição. Eu preciso me cobrar menos e me perdoar mais. Tudo isso me ajuda um pouco a sair do lugar da não ação.

Acho que sempre existirá algo a ser mudado e aperfeiçoado e entendo que isso faz parte da vida e da nossa necessidade de evolução. O meu desafio é lidar com isso de uma forma leve e num processo contínuo, sem meus longos períodos de estagnação e sem o conformismo presente.

Mudar: morrer e renascer dentro de mim!

Mudar: morrer e renascer dentro de mim! - doce cotidiano

Estava aqui pensando no tanto de mudanças que podem acontecer num curto espaço de tempo e no quanto nossas vidas podem mudar a partir de pequenas escolhas e atitudes diferentes das de antes.

Há seis meses atrás eu estava morando em Campinas, no centro cinza da cidade, num apartamento já pequeno para nós dois, sofrendo horrores no calor, tanto dentro quanto fora de casa. Eu não tinha muita vontade de sair caminhando por aí e minhas saídas se restringiam a alguma atividade específica, como fazer compras ou ir à consultas médicas.

Eu desejava ser voluntária num asilo, mas o fato de ser distante de casa e precisar pegar duas conduções me desanimava muito, então eu não fazia nada. Meus planos só ficavam no campo mental. Nada de ação!

As pessoas que eu conhecia na cidade eram ex colegas de trabalho e funcionários dos comércios que eu frequentava.

Eu passava a maior parte do tempo sozinha entocada no apartamento e achava que estava tudo bem em ser assim.

E então, enquanto eu visitava meus irmãos na Estônia no começo do ano, soube que mudaria pra Curitiba e tudo aconteceu enquanto eu ainda estava lá. Quando voltei pro Brasil, percebi que a realidade que eu havia vivido nos últimos anos não mais existiria. Meu apartamento já não era mais meu e meus objetos estavam morando em caixas na casa do meus pais, aguardando a minha chegada.

Essa mudança foi muito mais do que uma mudança de estado/cidade porque algo aconteceu dentro de mim. Uma parte minha que estava adormecida, despertou.

Meu novo apartamento, extremamente gelado, me fez sair de casa e, ao sair caminhando sem rumo pelo bairro, fui encontrando um novo caminho.

Descobri um asilo na rua de baixo de casa e vou lá duas vezes por semana.

Outros dois dias da semana eu vou num Centro Espírita que também não é muito distante do meu apartamento. Aproveito minha disposição pra caminhar e vou a pé. Além das pessoas incríveis que encontrei e que me receberam tão bem, o reencontro com a doutrina está me fazendo olhar pra mim e para as minhas atitudes com um pouco mais de atenção.

É engraçado pensar que fui encontrar meu lar tão longe de casa!

Não sei o dia de amanhã, ninguém sabe não é mesmo, por isso não posso afirmar quanto tempo ainda ficaremos por aqui. Mas enquanto aqui estou, vou formando meu lar com antigos e novos afetos, para poder carregar comigo bem dentro de mim para onde eu for, no lugar onde tudo mora, onde tudo vive, onde tudo cresce, morre e renasce, quantas vezes preciso for.

Atualização do diário alimentar

Em setembro do ano passado eu anotei tudo o que eu comi. Fiz um diário bem atento e não deixei nada de fora. A ideia era reduzir, ao máximo, a ingestão de glúten, de açúcar e de alimentos industrializados e super processados.

Pois bem, fiz isso e minha saúde agradeceu.

Mas parei de anotar e, ao fazer isso, acho que deixei de prestar tanta atenção ao que eu consumia. Comi mais glúten e mais açúcar e, como resultado, as alergias na pele voltaram. Honestamente, não tem como eu provar essa associação de uma forma segura, mas acho que as respostas que o meu corpo me dá precisam ser levadas em consideração.

Por que será que quando anoto, eu me alimento melhor? É por não querer admitir, nem pro meu bloco de notas, que vou comer coisas que sei que me fazem mal e por isso não as como? É por que fico mais consciente? É claro que não tem como ficar anotando tudo o que eu como para o resto da vida e eu nem quero fazer isso. Mas percebi que o ato de escutar os meus desejos é o que faz a diferença, porque quando presto atenção neles posso me questionar de onde vem a vontade de fazer algo que sei que me causará mal.

O meu corpo responde tão rapidamente que, em poucos minutos, já estou com vários sintomas decorrentes das minhas escolhas. Eu começo a passar mal enquanto eu ainda estou comendo (sério, é quase tão rápido assim) e sempre achei que isso fosse um incômodo, mas hoje eu entendo como uma coisa boa, porque meu corpo está se comunicando comigo o tempo todo e eu comecei a escutar. Nem sempre eu dou o que ele precisa e pede, confesso, mas estou aprendendo.

Não vou dizer que nunca mais comerei os alimentos que meu corpo recusa, sinceramente não posso me prometer algo que não me vejo cumprindo. Mas acho que dá pra reduzir, e muito, a ingestão deles.

Com toda essa mudança alimentar aqui em casa, ficou mais fácil percebermos os sinais que nossa saúde nos dá. Acredito que exista uma inteligência no nosso corpo que independe da nossa consciência. Vou tentar me explicar.

O Ciro disse que eu o estraguei desde que começamos a morar juntos há uns quatro anos atrás. Antes ele podia comer e beber o que fosse que não sentia nada, agora, quando ingere alimentos muito gordurosos ele passa mal quase instantaneamente. Acho que o nosso corpo se acostuma com o que é mais saudável e ele pede por isso, quando o forçamos a digerir algumas “bombas” ele reclama.

Se você passar uma semana se alimentando bem, sem frituras, açúcar, alimentos processados, glúten, carnes, leite e derivados, apenas comendo de forma mais natural possível e ingerindo água em boa quantidade, notará que se sentirá mais leve, mais limpo. Não é um período prolongado, então acho que não será tão desesperador fazer esse teste. De vez em quando eu gosto de fazer isso eliminando o glúten, o açúcar e os industrializados, eu desincho que é uma beleza e as alergias somem.

Mas, sendo muito honesta aqui, não sei se um dia serei aquele tipo de pessoa que só se alimenta de forma 100% saudável, batatas fritas são irrecusáveis pra mim. Mas eu busco aquele ponto do meio, o meu equilíbrio, que é só meu e tão pessoal, assim como o seu é só seu.

O desejado é muito relativo, assim como a proporção peso x saúde, não existe uma receita única e exclusivamente correta que funcionará pra todos. Você pode experimentar e testar até descobrir o que é melhor pra você, porque o seu corpo já sabe as quantidades e os alimentos que precisa, basta aprender a ouvi-lo.

É fácil? Não necessariamente. Mas é uma escolha diária que tem me trazido vários benefícios.

Quando quero mudar o mundo

Quando quero mudar o mundo - doce cotidiano

Por muito tempo, talvez por arrogância ou inocência, achei que poderia mudar o mundo. E, por não ser bem sucedida nessa empreitada, me senti fracassada, desanimada, desesperançosa.

Uma mudança de foco já teria sido suficiente pra amenizar esse peso da busca pelo impossível. Porque, na verdade, eu posso sim ajudar a mudar o mundo, e eu faço isso quando eu mudo a mim.

Mudar a si mesmo já é algo bem difícil; requer vontade, paciência e autocompaixão. Tentar mudar o outro, não só é impossível como gerará frustração, além de ser algo bem egoísta. Nessa tentativa fica subentendido que eu sei o que é melhor, que eu sei o que é certo, que a minha visão de mundo é a correta e que o outro deve viver de acordo com as minhas regras e verdades.

E por que eu estou escrevendo sobre isso? Porque eu sou essa pessoa que se acha dona da razão e da verdade, porque eu sou a pessoa que quer convencer os outros do que é certo, porque eu sou a “cagadora de regras”. Hipocrisia total, certo? Porque eu mesma vivo mudando de ideias, meus conceitos de certo e errado já mudaram muito com o tempo e acho que mudarão ainda mais enquanto eu viver. Se, na maior parte do tempo, eu não sei o que é realmente bom pra mim, se ainda estou aprendendo a me conhecer, se não sei quais são os meus limites e quais devo ultrapassar, como posso querer saber o que é melhor para o outro e como posso ditar o jeito que ele deveria agir?

Eu, que sempre me achei tão flexível e aberta, reconheci uma rigidez em mim que eu não sabia que existia. Mas, beleza, vivendo e aprendendo. Dizem que o primeiro passo para a mudança é reconhecer que você é/tem aquilo que você quer mudar. Reconheço minha rigidez, minha arrogância e prepotência, aceito que essas características fizeram parte de mim por um bom tempo e tiveram sua serventia, entendo que ainda tenho um caminho pela frente e que essa jornada nunca acaba e agradeço por, finalmente, ter aberto meus olhos para enxergar isso em mim.

Aprendi que a minha contribuição para um mundo melhor vem por meio da minha mudança interna, afinal, a gente só consegue dar aquilo que a gente tem. Como disse Sri Prem Baba:

”Muitos querem contribuir para a paz da Terra, mas não sabem como encontrar a paz dentro da própria família. Então, enquanto não há o que oferecer, não caia na armadilha de querer salvar o mundo, trate de salvar a si mesmo. Trate de olhar para a injustiça que te habita. Olhe para a violência, para o desrespeito e para a dor que te habitam. Esse é o primeiro e mais importante passo para iluminar este mundo.”

A zona de conforto desconfortável

A zona de conforto desconfortável - doce cotidiano

Estou com mania de adiar. “Isso pode esperar pra quando eu voltar de viagem”, “é besteira resolver isso agora, o ano está quase acabando”, “ano que vem eu faço isso”. Vivo como se essa marcação de tempo realmente fosse importante, como se isso significasse algo. As datas são mera convenção, não é verdade?

Percebo que estou evitando sair da minha zona de conforto. Mesmo que esse “conforto” não esteja me fazendo tão bem, mesmo que eu saiba que está na hora de mudanças, eu adio. Por medo? Não sei, tenho tendência a me acomodar.

Já faz um bom tempo que eu e o Ciro falamos sobre mudar, sair do micro apartamento onde moramos e ir para uma casa. Mais espaço, quintal, um pouco de verde. Vira e mexe, entro em sites para procurar imóveis para locação, em Campinas e em Indaiatuba, pesquiso valores, separo vários links, visitamos várias casas e só.

No começo do ano, enquanto eu viajava, o Ciro encontrou a casa perfeita pra nós, do jeitinho que queríamos e num valor que poderíamos pagar. E eu surtei. Dei pra trás, desisti, amarelei … existem várias palavras para descrever o meu medo de sair do conhecido. E eu faço isso numa frequência maior do que gostaria de admitir.

Óbvio que não foi de todo ruim ficarmos no nosso antigo apê esse ano, facilitou a vida do Ciro já que ele trabalha perto de casa. Mas, percebo que estamos há tempo demais nesse conforto desconfortável.

Não temos espaço, pra nada. Só temos um banheiro e ele é minúsculo, nossa cozinha é tão pequena que preciso fazer malabarismos pra cozinhar e vivo me batendo nos móveis, a máquina de lavar fica quase encostada no fogão e isso me irrita, mal tenho espaço para chegar ao tanque, nossa sala e nosso quarto ficam atravancados de coisas, e por ser um espaço pequeno cheio de móveis, é difícil de limpar.

Foram muitos anos nesse apartamento, quase 5 anos sozinha e 4 anos e meio com o Ciro. Acho que já deu! Sinto que está na hora de mudar. Assim como acontece com as pessoas, cada lugar só dá o que tem pra dar, e esse apê cumpriu bem a sua função.

O que me pega de verdade não é o ato da mudança em si, com as caixas, o transporte e a organização; o que me dá um friozinho na barriga é a antecipação da preocupação com algo que não tenho como prever ou controlar. Fuel e Spock! Um cachorro que mora na minha sogra e o outro que mora nos meus pais. Tenho medo que eles não se deem bem, tenho medo de não saber como agir, tenho medo do desconhecido dessa futura relação.

Eu sei que estou perdendo tempo e energia pensando nisso, porque só saberei o que fazer quando algo acontecer e se acontecer. Essa masturbação mental ainda faz parte de mim e, mesmo com EFT ou com toda a racionalização possível, permito que esses pensamentos me assombrem.

Mas, ainda que eu crie situações para me manter onde estou, sinto que é hora de ir, mesmo com medo.

Vivendo o que eu acredito

vivendo o que eu acredito - doce cotidiano

Nesse período de autoconhecimento incorporei novos hábitos à minha vida. Fiz algumas trocas, experimentei o diferente, testei receitas, desafiei o paladar. Depois de Piracanga, principalmente, senti que precisava viver o que fazia sentido pra mim.

Começamos com pequenas coisas, principalmente o que fosse um pouco mais acessível, sem mudanças bruscas demais (tudo o que é feito radicalmente acaba não se sustentando pra mim). A separação dos recicláveis já fazíamos há um tempo em casa, mas ainda me incomoda ver a quantidade de lixo que produzimos.

Mudamos a pasta de dente, o sabonete e o enxaguante bucal. Agora usamos produtos que não agridem nem nosso corpo, nem os animais e nem o planeta. Claro que esses produtos são um pouco mais caros do que as marcas comuns encontradas no supermercado (pelo menos por enquanto), mas aí coloco os prós e contras na balança. Lembrando também que, se tiver disposição e interesse verdadeiro, posso aprender a fazer meus próprios produtos. Essa ideia realmente me agrada.

Já consegui fazer isso com o desodorante. Peguei uma receitinha no Instagram da linda Alana do The Veggie Voice, com óleo de coco e bicarbonato de sódio. Coloquei umas gotinhas de óleo essencial de lavanda e ficou incrível. Achei muito bom, gostei do resultado. Então, minha professora de Pilates falou sobre o leite de Magnésia e resolvi testar (e só depois que já estava usando há um mês vi essa receita dada pela Bela Gil). Numa embalagem roll-on de um antigo desodorante coloquei o leite de Magnésia e as gotinhas de óleo essencial de lavanda (pode ser outro óleo essencial de sua preferência, é que eu e a lavanda temos um caso de amor antigo). Eu e o Ciro acabamos com o primeiro potinho e já refiz.

Inicialmente, senti que a axila passou por um período de adaptação, parece que estava se desintoxicando dos antigos desodorantes antitranspirantes que eu usava. Sabe aqueles desodorantes que te deixam com a sensação de que tem uma camada de cola na pele? Eu odiava aquilo. É claro que agora eu transpiro (afinal, esse é um processo normal do nosso corpo), mas não acho que é nada excessivo e nem fico fedendo. O importante é que me sinto bem, com a pele respirando, sem um monte de químicos prejudicando minha saúde.

Ainda tenho alguns hidratantes antigos em casa, mas dou preferência para os óleos naturais e cremes de marcas veganas. Os óleos da linha da Sacerdotisa são incríveis (aliás, ela também faz um desodorante muito bom). Também tenho um óleo corporal da PachaMama que adoro. Existem vários opções pra quem quer seguir essa linha. São super cheirosos, não agridem a pele, nem os animais e nem o meio ambiente e me fazem sentir uma conexão maior com a natureza. E isso é muito importante pra mim.

Para aqueles produtos que ainda não consegui encontrar uma versão mais ecológica, tento selecionar aquelas marcas que não testam em animais (aliás, acho que já está mais do que na hora de pararem com esses testes. Sério!). Sinto que esse será um caminho natural no futuro, pra todos nós. Já está ficando claro que não tem mais como vivermos dessa forma, desconectados da natureza, maltratando os animais, envenenando nossos corpos com tanta química. Estamos ficando doentes, estamos matando nosso planeta. A mudança é um caminho inevitável, é uma questão de sobrevivência.

Aqui eu estou falando do que é importante e faz sentido pra mim. Meu coração está me levando por esse caminho e achei que já estava mais do que na hora de viver o que eu acredito.