luz

Abrindo as caixinhas do medo da rejeição

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De acordo com o dicionário online Michaelis, a palavra REJEIÇÃO é um substantivo feminino e seu significado é:

1.   Ato ou efeito de rejeitar; recusa, recusação.
2. Med – Reação do organismo que recebe o enxerto de órgão ou de tecidos, decorrente da incompatibilidade entre o organismo e o enxerto.

De acordo comigo, REJEIÇÃO é mais do que um simples substantivo feminino; é aquilo que me impede de me expor, é o que me impede de me entregar completamente nos meus relacionamentos amorosos, é o que me faz me esconder e não deixar meu verdadeiro eu se mostrar. É o medo que permeia vários aspectos da minha vida.

Talvez, minha ação frente ao medo da rejeição se aproxime do significado número 2 do dicionário. Meu corpo, mente e espírito entram em crise, porque a incompatibilidade entre minha necessidade de me abrir e me entregar e o medo da decorrência disso, a vontade de ser eu mesma e o medo de ser eu mesma, me fazem travar, estagnar e me esconder.

Eu sempre prendo a luz dentro de mim. Guardo meu poder pessoal numa caixinha bem pequena, e então coloco essa caixinha dentro de outra caixa, essa caixa dentro de outra, e outra e outra. Tranco e coloco cadeados, escondo nos cantos mais remotos bem dentro de mim e tento esquecer a sua existência.

A parte engraçada disso tudo é que isso não me impede de sofrer ou de ser rejeitada. Não existe esconderijo no mundo pra me proteger de sentir. E eu quero sentir!

Esse processo de sufocar e esconder meu EU é tão mais cansativo e dispendioso do que simplesmente enfrentar meus medos e SER. Então, por que faço isso?

Imagino que minha ação não seja racional porque isso sempre funcionou inconscientemente apenas como uma forma de me proteger. Desconhecendo os prejuízos que me causava, eu não questionava os porquês.

Agora, consciente desse mecanismo de defesa e proteção, entendendo que não há necessidade disso e percebendo que o medo de ser rejeitada não pode ser maior do que o corpo e a mente que o contém, crio possibilidades e me permito abrir as caixas que estavam trancadas e escondidas dentro de mim.

Esse é o meu processo de libertação, em que vou abrindo uma caixinha por vez e me reencontrando comigo. Nesse reencontro percebo o quanto eu sentia falta da minha luz e da minha alegria, percebo o quanto necessito de expansão e de espaço e entendo que o medo só quer o meu bem. Ao descobrir que não preciso mais dele, posso libertá-lo. E eu quero tanto fazer isso!

Foi um longo caminho até esse reconhecimento e eu sei que essa jornada não para. O autoconhecimento é um caminho sem fim, cheio de desafios e descobertas, mas que vale a pena ser trilhado sem atalhos.

Medo da luz

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Sim, eu sei. Eu sumi!

A ideia inicial era escrever durante a viagem, era não abandonar o blog. Mas, não consegui.

Apesar de estar em um lugar inspirador, que povoa a minha mente de ideias e possibilidades, eu travei. E, mesmo querendo ser consistente, mesmo querendo mudar e não ser aquela pessoa que desiste frente às dificuldades, eu fui a mesma Silvia de sempre e me acomodei.

Não gosto de admitir que eu tenho permitido que antigos medos voltem a me perturbar deixando tudo um tanto mais difícil. Não é medo de me expor e já não sei se é o medo de não ser boa. Também não é o medo de falhar, o pior medo sempre foi o de ser bem sucedida. Acho que está tudo meio confuso por aqui.

Então, eu abraço a minha criança interna que, por tanto tempo, teve medo do escuro, e a abraço um pouco mais forte porque percebo que hoje ela tem medo da luz.

Sim, a luz me assusta. A minha luz me assusta. Estou tão acostumada a lidar com a minha sombra que acabei esquecendo que existe o outro lado em mim.

A doçura que tentei sufocar com a minha rebeldia. A sensibilidade que sempre enxerguei como fraqueza. A positividade que permiti ser minada pela negatividade que sempre nos cerca. O amor que eu carrego e que me neguei a dar.

Hoje eu quero sair desse canto escuro que já não combina mais comigo. Quero voltar às cores que tirei do meu armário. Quero reencontrar aquela menina cheia de sonhos, de vontades e desejos, e quero dar a mão a ela para que, juntas, possamos caminhar em direção à luz.