glúten

Atualização do diário alimentar

Em setembro do ano passado eu anotei tudo o que eu comi. Fiz um diário bem atento e não deixei nada de fora. A ideia era reduzir, ao máximo, a ingestão de glúten, de açúcar e de alimentos industrializados e super processados.

Pois bem, fiz isso e minha saúde agradeceu.

Mas parei de anotar e, ao fazer isso, acho que deixei de prestar tanta atenção ao que eu consumia. Comi mais glúten e mais açúcar e, como resultado, as alergias na pele voltaram. Honestamente, não tem como eu provar essa associação de uma forma segura, mas acho que as respostas que o meu corpo me dá precisam ser levadas em consideração.

Por que será que quando anoto, eu me alimento melhor? É por não querer admitir, nem pro meu bloco de notas, que vou comer coisas que sei que me fazem mal e por isso não as como? É por que fico mais consciente? É claro que não tem como ficar anotando tudo o que eu como para o resto da vida e eu nem quero fazer isso. Mas percebi que o ato de escutar os meus desejos é o que faz a diferença, porque quando presto atenção neles posso me questionar de onde vem a vontade de fazer algo que sei que me causará mal.

O meu corpo responde tão rapidamente que, em poucos minutos, já estou com vários sintomas decorrentes das minhas escolhas. Eu começo a passar mal enquanto eu ainda estou comendo (sério, é quase tão rápido assim) e sempre achei que isso fosse um incômodo, mas hoje eu entendo como uma coisa boa, porque meu corpo está se comunicando comigo o tempo todo e eu comecei a escutar. Nem sempre eu dou o que ele precisa e pede, confesso, mas estou aprendendo.

Não vou dizer que nunca mais comerei os alimentos que meu corpo recusa, sinceramente não posso me prometer algo que não me vejo cumprindo. Mas acho que dá pra reduzir, e muito, a ingestão deles.

Com toda essa mudança alimentar aqui em casa, ficou mais fácil percebermos os sinais que nossa saúde nos dá. Acredito que exista uma inteligência no nosso corpo que independe da nossa consciência. Vou tentar me explicar.

O Ciro disse que eu o estraguei desde que começamos a morar juntos há uns quatro anos atrás. Antes ele podia comer e beber o que fosse que não sentia nada, agora, quando ingere alimentos muito gordurosos ele passa mal quase instantaneamente. Acho que o nosso corpo se acostuma com o que é mais saudável e ele pede por isso, quando o forçamos a digerir algumas “bombas” ele reclama.

Se você passar uma semana se alimentando bem, sem frituras, açúcar, alimentos processados, glúten, carnes, leite e derivados, apenas comendo de forma mais natural possível e ingerindo água em boa quantidade, notará que se sentirá mais leve, mais limpo. Não é um período prolongado, então acho que não será tão desesperador fazer esse teste. De vez em quando eu gosto de fazer isso eliminando o glúten, o açúcar e os industrializados, eu desincho que é uma beleza e as alergias somem.

Mas, sendo muito honesta aqui, não sei se um dia serei aquele tipo de pessoa que só se alimenta de forma 100% saudável, batatas fritas são irrecusáveis pra mim. Mas eu busco aquele ponto do meio, o meu equilíbrio, que é só meu e tão pessoal, assim como o seu é só seu.

O desejado é muito relativo, assim como a proporção peso x saúde, não existe uma receita única e exclusivamente correta que funcionará pra todos. Você pode experimentar e testar até descobrir o que é melhor pra você, porque o seu corpo já sabe as quantidades e os alimentos que precisa, basta aprender a ouvi-lo.

É fácil? Não necessariamente. Mas é uma escolha diária que tem me trazido vários benefícios.

Sendo a minha própria cobaia

cozinha

No início de setembro, eu comecei um diário alimentar com a ideia de anotar tudo o que eu como no dia, tudo mesmo! Inicialmente, eu queria reduzir a quantidade de lactose, de glúten e de açúcar, só pra ver como meu corpo reagiria.

Desde que parei o uso da pílula anticoncepcional, há dois anos, minha pele encheu de espinhas – é como se as espinhas que tinham sumido quando iniciei o hormônio, há umas duas décadas, decidissem voltar todas de uma vez. Fiquei um tempo com espinhas até nas costas e na bunda; nada legal!

Eu queria saber o que estava me fazendo mal e o que meu corpo não estava curtindo e, como forma de me avisar, me causava espinhas e alergias. Fora outros sintomas, como inchaço e cansaço.

Mesmo antes dessa pesquisa eu já não tomava mais leite de manhã (me dava azia), já tinha parado de comer ovo (o cheiro me dava nojo) e a carne, todo tipo de carne, eu já tinha parado há um tempinho. O leite e o ovo eram consumidos disfarçadamente em bolos e pães.

Eu sabia que não era celíaca, mas, mais de uma vez, profissionais de saúde já tinham me dito para reduzir ou eliminar o consumo de glúten da minha dieta e, pesquisando sobre os possíveis sintomas decorrentes de sua ingestão, resolvi fazer esse teste em mim.

Ao iniciar esse experimento, eu não sabia que o veganismo seria o meu caminho porque, até então, eu também acreditava que precisava do leite de vaca e seus derivados como fonte de cálcio.

Eu já tinha começado a ler o livro do Dr. Eric Slywitch – Alimentação sem Carne – e estava aprendendo um pouco mais sobre os alimentos, sobre a melhor forma de prepará-los para aproveitar mais seus nutrientes e sobre as combinações mais efetivas. Mas, ainda assim, eu não sabia muito bem aonde isso tudo iria me levar.

Comecei a seguir vários perfis no Instagram; de veganos, de pessoas com alimentação exclusiva plant based (dieta baseada em vegetais e alimentos integrais na sua forma mais natural, completa, não refinada, e minimamente processada), de veganos que não consomem glúten e, meio sem perceber, fui lindamente “contaminada” pela vontade de mudar.

Nesse espaço de tempo, desde que iniciei essa autopesquisa mais seriamente, notei duas mudanças principais:

  • Minha pele melhorou muito. Eu tirei fotos do rosto no início, no meio do processo e no “fim”, para comparar. Algumas espinhas super inchadas e vermelhas com as quais eu convivi por meses e não saíam mesmo com todo tipo de tratamento externo, diminuíram visivelmente.

pele

  • Meu corpo desinchou absurdamente, principalmente a região abdominal (também tirei fotografias antes de ir pra Piracanga, quando voltei de lá, no início desse experimento e recentemente). O importante não era a perda de peso, mas sim, como eu me sentiria.

Agora, vamos a algumas observações. Como eu anotava tudo o que comia, ficou um pouco mais fácil perceber a correlação entre o alimento ingerido e determinados sintomas.

Não consegui excluir o glúten completamente e notei que, quando o consumia por alguns dias seguidos, mesmo que em pequenas porções, as coceiras voltavam e eu ficava mais inchada.

Quando comi batatas fritas, o que aconteceu mais de uma vez (é meu fraco, comeria todos os dias), ou quando comi frituras em geral, me senti mal depois, como se tivesse ingerido um galão de óleo. E isso aconteceu em todas as vezes depois que comi!

O açúcar, mesmo ingerindo somente o demerara ou o mascavo e muito raramente, não se mostrou o melhor dos meus amigos. Também não me senti bem após a ingestão dele quando combinado com algum tipo de gordura, como em sorvetes – mesmo em opções veganas.

Entendi que o veganismo – na alimentação – é mais do que não comer nada de origem animal. É mais do que respeitar os animais e o planeta; é se respeitar em primeiro lugar.

Por isso, após esse período de quase dois meses de experimentação, entendi que, pra mim, quanto mais naturalmente eu me alimentar, melhor! Vou continuar observando a mim e as minhas escolhas, mudar mais algumas coisas na minha forma de me alimentar e, então, eu volto pra contar como foi.

Uma última coisa! Eu não quis postar as fotos do meu corpo por um simples motivo; cada um tem a sua forma física e seu peso ideal, magreza não é sinônimo de saúde e eu não quero fazer apologia a isso. O ser/estar magra é uma característica física minha, eu nasci assim e isso não é o que importa aqui. O importante é estar saudável, independente do seu peso na balança. É fazermos escolhas que nos façam sentir bem, alegres e dispostos.