EFT

A zona de conforto desconfortável

A zona de conforto desconfortável - doce cotidiano

Estou com mania de adiar. “Isso pode esperar pra quando eu voltar de viagem”, “é besteira resolver isso agora, o ano está quase acabando”, “ano que vem eu faço isso”. Vivo como se essa marcação de tempo realmente fosse importante, como se isso significasse algo. As datas são mera convenção, não é verdade?

Percebo que estou evitando sair da minha zona de conforto. Mesmo que esse “conforto” não esteja me fazendo tão bem, mesmo que eu saiba que está na hora de mudanças, eu adio. Por medo? Não sei, tenho tendência a me acomodar.

Já faz um bom tempo que eu e o Ciro falamos sobre mudar, sair do micro apartamento onde moramos e ir para uma casa. Mais espaço, quintal, um pouco de verde. Vira e mexe, entro em sites para procurar imóveis para locação, em Campinas e em Indaiatuba, pesquiso valores, separo vários links, visitamos várias casas e só.

No começo do ano, enquanto eu viajava, o Ciro encontrou a casa perfeita pra nós, do jeitinho que queríamos e num valor que poderíamos pagar. E eu surtei. Dei pra trás, desisti, amarelei … existem várias palavras para descrever o meu medo de sair do conhecido. E eu faço isso numa frequência maior do que gostaria de admitir.

Óbvio que não foi de todo ruim ficarmos no nosso antigo apê esse ano, facilitou a vida do Ciro já que ele trabalha perto de casa. Mas, percebo que estamos há tempo demais nesse conforto desconfortável.

Não temos espaço, pra nada. Só temos um banheiro e ele é minúsculo, nossa cozinha é tão pequena que preciso fazer malabarismos pra cozinhar e vivo me batendo nos móveis, a máquina de lavar fica quase encostada no fogão e isso me irrita, mal tenho espaço para chegar ao tanque, nossa sala e nosso quarto ficam atravancados de coisas, e por ser um espaço pequeno cheio de móveis, é difícil de limpar.

Foram muitos anos nesse apartamento, quase 5 anos sozinha e 4 anos e meio com o Ciro. Acho que já deu! Sinto que está na hora de mudar. Assim como acontece com as pessoas, cada lugar só dá o que tem pra dar, e esse apê cumpriu bem a sua função.

O que me pega de verdade não é o ato da mudança em si, com as caixas, o transporte e a organização; o que me dá um friozinho na barriga é a antecipação da preocupação com algo que não tenho como prever ou controlar. Fuel e Spock! Um cachorro que mora na minha sogra e o outro que mora nos meus pais. Tenho medo que eles não se deem bem, tenho medo de não saber como agir, tenho medo do desconhecido dessa futura relação.

Eu sei que estou perdendo tempo e energia pensando nisso, porque só saberei o que fazer quando algo acontecer e se acontecer. Essa masturbação mental ainda faz parte de mim e, mesmo com EFT ou com toda a racionalização possível, permito que esses pensamentos me assombrem.

Mas, ainda que eu crie situações para me manter onde estou, sinto que é hora de ir, mesmo com medo.

Sobre ser/estar inteira

Sobre ser/estar inteira - doce cotidiano

Mesmo quando estou despedaçada, partida, quebrada, ainda posso ser inteira. Pra mim, ser inteira é reconhecer e aceitar todas as partes como minhas, as boas e as não tão boas.

Sabe, tem dias que eu não tenho nada pra dar. Absolutamente nada. Nem um sorriso. Esses dias já não são tão frequentes, mas eles existem. Pode até ser que eu me sinta diferente no decorrer das horas, pode ser que as emoções que me prendem e a quem eu me prendo, se dispersem. Acontece. Mas tento não contar com isso!

Estou aprendendo a não brigar mais com meus sentimentos. Estou aprendendo a acolher. É claro que nem sempre é fácil, ninguém disse que é. Mas, consegui fazer isso há algumas semanas e a sensação foi tão boa, mas tão boa, que eu quis escrever.

Acordei me sentindo triste e angustiada e passei o dia com um nó na garganta. De início, tentei recordar se havia algo novo acontecendo em minha vida que pudesse contribuir com essa sensação; não, não havia. Massageei um pouco meu peito, pousei as duas mãos sobre ele e lá as deixei. Fiquei assim, quieta comigo, me dando um pouco de carinho e atenção.

A tristeza não foi embora, entendi que ela ainda precisava ficar ali.

Fiz EFT, chorei. Chorei muito. Mesmo sem saber o porquê das lágrimas, mesmo sem entender o que estava acontecendo comigo, deixei o sentimento livre.

Acho que foi a primeira vez que não fiquei brigando com o que eu sentia. Não tentei ignorar, não tentei expulsar e, depois de um tempo, não tentei entender. Só fiquei ali, com todas aquelas sensações que pediam pelo meu acolhimento.
Deitei um pouco na rede e me abracei. Embalei lentamente nós duas, eu e minha tristeza. E lá ficamos por um tempo olhando o céu e observando o voo dos urubus – que é uma das coisas mais lindas de se ver, em minha opinião -, curtindo o fim da tarde que se aproximava.

Depois, o Ciro me levou ao parque, nos sentamos num banco embaixo das árvores e em frente ao lago. Ficamos um tempo observando os passarinhos, as capivaras e os patos. E ali, em meio à natureza, que é onde sempre me sinto conectada comigo, chegou a paz.

E aquela paz cresceu até ocupar tantos espaços dentro de mim que a tristeza foi embora. Eu não pedi para ela ir, ela simplesmente foi. Talvez, por ter se sentido acolhida e escutada, ela não precisava mais estar ali implorando por atenção.

Não sei se conseguirei fazer isso sempre, mas estou aprendendo a não brigar com o que eu sinto. Quando a raiva, a tristeza, a angústia e o medo chegam, eu imagino que é a minha criança interior que está inundada por todos esses sentimentos, assim fica mais fácil escutá-los e dar amor.

Quando acolho essa criança que faz parte de quem eu fui e de quem eu sou, reconheço todos os sentimentos que me invadem como uma parte de mim, os bons e os não tão bons. E isso me faz sentir inteira.

O dinheiro, o controle e o não saber receber

O dinheiro, o controle e o não saber receber - doce cotidiano

Estou tentando adquirir um pouco de perspectiva relacionada a alguns dos meus bloqueios: o dinheiro, o controle e o não saber receber.

Por que é tão difícil, pra mim, falar sobre dinheiro? Por que eu me sinto envergonhada por não estar trabalhando e ganhando um salário? Por que me sinto inferior por estar dependendo financeiramente do meu parceiro neste momento da minha vida?

Sinto tudo isso e tento entender de onde esses questionamentos vêm.

Tenho muita dificuldade de falar sobre esse assunto e de admitir esses sentimentos, me sinto desconfortável até em admiti-los pra mim. E é justamente por me sentir assim que decidi escrever.

Quero desenterrar esse desconforto e trazê-lo para a luz; dessa forma fica mais fácil enxergar e compreender o que me aflige.

O “estar no controle” sempre foi muito importante pra mim, mesmo que fosse um controle ilusório, ele fazia com que me sentisse segura me dando a ideia de que eu tinha algum poder. E eu sei que é só uma necessidade do ego, eu sei que são sensações que não se sustentam na realidade, mas é assim que é.

Controle e poder. O querer controlar e querer ter poder; de onde vem essa necessidade? Pra mim, vem do medo que sinto em simplesmente SER e ESTAR. Se eu não estiver no controle, quem está? Se eu não estiver no controle, significa que alguém pode me controlar?

E, no momento presente, o dinheiro me traria a sensação de estar no controle e de ter algum poder. Quando eu ganho meu dinheiro eu sou dona de mim? Quando é o outro quem paga as contas, eu pertenço a esse alguém?

Veja as coisas que viajam pela minha mente! Só consegui acessar todos esses pensamentos e sentimentos recentemente. Antes, eu só estava no piloto automático, me sentindo desconfortável sem saber com o quê.

E é óbvio pensar que basta eu arranjar um emprego e voltar a ganhar meu dinheiro e todas essas sensações irão embora. E eu até concordo com isso. Em parte. Porque tem algo mais profundo aqui. Tem algo que está pedindo meu olhar e a minha atenção. Não é só sobre dinheiro.

A necessidade que tenho de controlar (de pensar que controlo algo) e a dificuldade de receber, se estendem a, praticamente, todas as áreas da minha vida. Pra mim, é muito desconfortável receber elogios, receber carinho e afeto genuíno, receber presentes inesperados, receber dinheiro; simplesmente receber. É como se eu não fosse merecedora disso, me sinto uma impostora.

Abrir meu coração e admitir tudo isso em voz alta, em público e pra qualquer um ver, requer que eu entregue o controle que penso que tenho, requer que eu me coloque na posição de receber críticas e julgamentos ou receber apoio e escuta.

Esse é um dos motivos pelo qual estou escrevendo isso aqui, porque eu sempre soube que escrever é uma forma de cura, aliás, esse foi o tema do meu trabalho de conclusão de curso na faculdade, então resolvi usar o que eu sei. Escrevo, agora, para me entender, escrevo para buscar as peças faltantes, escrevo para levar luz à escuridão, escrevo para me curar.

Ao escrever e reler o que foi escrito, ao dar voz aos meus sentimentos e ao fazer EFT (Emotional Freedom Techniques) para liberá-los e acolhê-los, eu me conecto um pouco mais comigo, me distancio um pouco mais da necessidade do controle e me abro mais à possibilidade de receber.

O assunto DINHEIRO é amplo demais para que eu consiga limitá-lo a essas linhas; a minha dificuldade em lidar com ele, ao não conseguir me colocar no papel de merecedora, ainda requer muita atenção e trabalho interno. Por isso, esse tema ainda vai render.