Sobre respirar e estar

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Respirar é algo vital, natural e automático, tão automático, que se torna algo imperceptível quando nossa atenção não está voltada para esse ato.

Desde que comecei a prestar atenção em minha respiração, durante as técnicas de relaxamento e de meditação, notei como sou travada. Percebi que minha respiração é curta e que só consigo expandi-la se for de forma consciente, notei também que, frequentemente, eu prendo a respiração, fico um bom tempo segurando o ar e não o deixo fluir.

Percebi que o ar circula apenas na parte superior do tronco – mais na região do diafragma, não desce para o abdômen de jeito nenhum. Sabe aquilo de sentir a barriga crescendo no momento da inspiração? Pois é, não acontece comigo. Mesmo quando sou guiada a isso, não consigo fazer de forma natural.

Mas, por que é tão difícil me permitir simplesmente respirar?

Me observando mais a fundo, percebo que reproduzo o meu respirar no meu jeito de viver a vida, meio descompassado e por vezes travado.

Me prendo a pensamentos, padrões e sentimentos e não os deixo ir. Me prendo e não me liberto. Seguro tudo por tanto tempo e só percebo quando já estou sem fôlego.

A respiração curta está refletida no meu medo do que é intenso e daqueles sentimentos tão profundos e assustadores que chego a bloquear qualquer possibilidade de expansão, e meu abdômen não quer expandir porque passei grande parte da minha vida colocando a barriga pra dentro – na tentativa de parecer magra -, e com esse “treino” diário, segurar a respiração se tornou natural pra mim.

Essa junção de acontecimentos e sentimentos que me travam quando eu não estou consciente do meu respirar, são o resultado da soma de uma mente inquieta e de uma desconexão com meu ser na tentativa de ser quem eu não sou.

Se eu não estou totalmente presente no meu corpo e na minha mente, quem está respirando por mim?

Você já prestou atenção ao seu modo de respirar? Percebeu alguma relação entre esse ato inconsciente e o seu jeito de viver a vida e encarar as emoções? Já se perguntou quem está respirando por você quando você não está presente no momento presente?

5 Coisas que me desconectam de mim

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1. Dizer SIM quando eu quero dizer NÃO

Dizer não sempre foi algo difícil pra mim, principalmente para estranhos. Engraçado, né?

Algumas das situações que sempre me deixaram incomodada em dizer NÃO: em relações que não me sinto 100% confiante; quando estou com pessoas que não tenho intimidade ou quando me sinto “coagida” ou ” inferior” numa posição hierárquica e no início da minha vida afetiva, quando minha autoestima era baixa.

Usei o verbo no passado porque já não funciono assim o tempo todo. Não vou dizer que isso é fácil hoje em dia, porque não é, ainda tenho que exercitar essa prática, mas posso afirmar que melhorei bastante.

Dizer SIM quando eu quero dizer NÃO é algo que me desconecta de mim porque me faz sentir falsa e pequena.

2. Quando perco a paciência

Não sei dizer se sempre fui impaciente, talvez você possa dizer que sim, e essa minha impaciência costuma trazer com ela uma certa dose de agressividade.

Não é uma agressão física, o que rola é só verbal. Também não posso dizer que é verbal, porque a palavra pode ferir mais do que um tapa, e esse sempre foi um “dom” meu.

Os anos passaram, aprendi muitas coisas, adquiri um tanto de consciência e, com ela, a necessidade de ser gentil, de abraçar a minha sombra e usá-la somente para o bem. Então, toda vez que deixo a impaciência se transformar em agressividade (sim, isso ainda acontece), sinto que me perdi de mim.

3. Quando tento agradar alguém fazendo algo que eu não quero

Fico feliz em dizer que isso já não é um acontecimento frequente, não mais! Hoje é mais fácil não me ferir dessa forma. Mas não foi sempre assim.

Nos meus relacionamentos do passado, nos afetivos principalmente, eu tinha uma tendência de tentar agradar o parceiro. É provável que essa necessidade venha da minha baixa autoestima. Eu não acreditava que poderia ser amada sendo eu mesma o tempo todo, então, criava essa personagem “namorada que gosta do que você gosta”.

Isso era muito ruim por dois motivos, primeiro porque essa “mentira” não tinha como se sustentar por tanto tempo, mais cedo ou mais tarde a máscara caía; segundo porque eu sentia que estava traindo a mim, e me decepcionava comigo.

4. Quando me alimento mal e paro de me exercitar por um longo período de tempo

Eu cresci comendo alimentos saudáveis, não sou da geração fast food e Coca-Cola. Refrigerante era exceção e os lanches eram feitos em casa. Minha infância me fez gostar de comidas caseiras e muita verdura e legume.

Não vou dizer que não como besteiras, como e gosto, mas meu corpo reclama se como lixo por muito tempo.

Quando tenho minhas fases meio deprê, o autoboicote rola solto. Deixo de fazer qualquer atividade física que me faça bem e exagero nas gordices. É meio como uma autopunição. Nesses momentos deixo de ser eu e encarno essa mulher cansada e preguiçosa.

5. Quando fico no piloto automático

Sabe quando você faz as coisas sem pensar? Ou quando vive se deslocando das lembranças do passado para as possibilidades do futuro e deixa o momento presente suspenso? Pra mim, isso é o piloto automático.

É o não estar atenta ao agora, é deixar de respirar ou respirar rápido demais. É quando falo as coisas sem pensar ou por hábito, sem saber se aqueles pensamentos são meus ou se são apenas repetições.

Eu estive desconectada de mim por um longo período de tempo. Eu sentia que havia me perdido do meu eu interior, eu estava surda para a minha intuição e me sentia falsa o tempo todo. É triste se perceber assim, mas também é bom.

Se perceber é bom. Despertar é bom. Me permitir ser eu mesma de novo é ótimo! Não quero mais me perder de mim.

E você, o que te desconecta de si mesmo?