autoconhecimento

O equilíbrio e a tempestade

o equilíbrio e a tempestade - doce cotidianoÀs vezes, a gente acha que já conhece quase tudo sobre a gente; como as nossas paixões, nossos medos, nossos gostos, nossos desejos e sonhos e, às vezes, nos percebemos como completos estranhos, quase não nos reconhecemos no espelho.

De vez em quando descubro algo novo sobre mim. Na verdade, não sei se é realmente novo ou se era somente algo escondido, não visitado, não explorado. Você também percebe isso sobre você? Será que isso é uma constante em nossas vidas? Esse surpreender-se consigo mesmo, esse perpétuo descobrir e redescobrir-se, essa renovação de ideias e pensamentos, essa vontade e anseio por mudanças. Alguém mais se sente assim?

Confesso que, muitas vezes, tudo o que eu queria era me contentar e me sentir satisfeita e penso até que já vivi e vivo vários períodos assim. Mas, são só momentos, e esses momentos são passageiros, logo depois vem a tempestade, e ela sempre vem.

Eu nunca tive medo de tempestades, os trovões nunca me assustaram, muito pelo contrário, desde cedo aprendi com a minha mãe a enxergar a sua beleza; curto o som do vento e da chuva forte de encontro à janela, me delicio com o maravilhoso cheiro que chega no ar antes das primeiras gotas caírem e me extasio ao presenciar uma tempestade de raios. Mesmo com as eventuais destruições, ainda assim acho bonito.

Não sei se tem a ver com o meu temperamento, talvez tenha – meu bisavô não me chamava de tempestade por acaso -, mas a calmaria só me agrada por um curto período de tempo, acho que minha mente aprendeu a funcionar na turbulência. Se isso é bom ou ruim, eu não sei, mas tenho funcionado assim. Talvez, a tempestade seja o meu equilíbrio.

O ponto de equilíbrio é relativo, né? Cada um tem o seu. Mas, por muito tempo me espelhei em outras pessoas na busca do que era o meu ponto do meio e, inevitavelmente, me frustrei.

Acho que por isso é tão importante o autoconhecimento, porque não existe nenhuma outra pessoa no mundo como você. Então, a receita para a sua felicidade não estará com ninguém mais a não ser você. Outras pessoas podem ajudar nessa busca, e a gente sempre encontra ótimas parcerias em nossa jornada, mas esse é um caminho que se trilha só. Demorei pra aprender isso e acho que ainda estou aprendendo.

Olhar pra dentro exige coragem. Sim, é uma viagem meio assustadora porque não sabemos bem o que podemos encontrar e quais serão as consequências disso. Ainda tenho medo de acabar ficando sozinha, de afastar as pessoas que amo, de não ser aceita com a minha sombra e, sobretudo, com a minha luz. Tenho receio de ser uma tempestade forte demais e destruir o que estiver em meu caminho.

Mas, penso que se eu aprendi a amar tempestades, com certeza existem outros doidos como eu.

Reencontrando o que me faz bem

Uau, já faz um bom tempo que não apareço por aqui.

Às vezes, a gente se perde um pouco da gente e não consegue se achar, né? E a gente pode se perder tanto que aquilo que seria óbvio fica um tanto nebuloso.

Eu, que escrevi uma monografia sobre a escrita como forma de cura terapêutica na Fonoaudiologia; Eu, que escrevo desde sempre pra ressignificar meus pensamentos e sentimentos; Eu, que passei a adolescência escrevendo quase como uma forma de sobrevivência … Sim, EU, eu me esqueci disso por um tempo e deixei de escrever.

Sei lá o que acontece com a gente que nos afasta de quem somos, do que é importante, do que faz sentido, do que toca o coração.

Parece que depois desse período de mergulho intenso em mim eu precisei de um novo ar. Subi pra tomar fôlego e me distraí com a nova vista. Perdi o foco, fiquei boiando e deixei a correnteza me levar pra onde ela quisesse. Abri os olhos e me vi meio perdida.

Estou assim nesse momento, tentando reconhecer algo dessa paisagem, tentando voltar pra casa, tentando voltar pra mim.

Voltei a meditar, ainda não tão regularmente quanto quero e preciso.

Voltei a escrever nos meus cadernos, mas não conseguia compartilhar nada com ninguém.

Sabe quando você sente que é a única pessoa que está pra trás? E eu sei que tem uma galera gigantesca que está nesse mesmo barco, sentindo que está afundando e sem saber o que fazer. Pulo do barco? Uso um balde pra tirar essa água toda que está entrando? Grito por socorro? Rezo por uma salvação externa?

Infelizmente, somos muitos. Ou, felizmente? Podemos juntar forças pra sairmos dessa juntos?

Eu fiquei um tempo sem querer dividir esse sentimento, talvez por não querer admitir que ainda me sinto assim, mesmo depois desse período maravilhoso fora do trabalho que eu odiava, mesmo depois das viagens e dos lugares incríveis que conheci, mesmo depois das experiências transformadoras que vivi, ainda não sei o que quero fazer.

Sei que nenhum passo dado é um desperdício, tudo o que fiz até agora está me levando pra um lugar. Eu ainda não sei que lugar é esse (e não estou falando de um lugar físico necessariamente), mas sei que se continuar caminhando e seguindo minha intuição, eu chego lá.

Por enquanto, vou voltar a fazer o que gosto e o que me salva, escrever.

Escrever pra tentar alinhar meus pensamentos, pra elaborar sentimentos, pra me lembrar do que gosto, pra estabilizar um pouco essa montanha russa interminável.

O que está fora também está dentro

Segunda-feira eu voltei do Rio de Janeiro depois de um fim de semana super intenso e cheio de aprendizado no evento LSA – Life Style Academy, criado pela escritora e Coach de Alta Performance Paula Abreu (a mesma que criou o PESV – Programa Escolha Sua Vida que eu fiz esse ano).

Foram 3 dias completamente preenchidos de palestras com profissionais incríveis de diversas áreas, uma plateia com 500 pessoas buscando uma vida com mais PROPÓSITO, uma troca de energia muito boa, muitos abraços, risos e lágrimas, introspecção e descobertas.

Pude abraçar pessoas maravilhosas que eu só conhecia no mundo virtual e foi tão bom saber que elas realmente existem! Conheci pessoas com quem me identifiquei quase que instantaneamente, abrindo meu coração para o novo.

Me senti eu mesma e isso foi libertador. Acho que eu não me sentia assim há muito tempo.

Confesso que eu tinha criado expectativas antes de ir, mas não me decepcionei. Na verdade, eu me surpreendi. Fiquei surpresa porque o que mais me impactou foi o que eu menos imaginei.

Quem me conhece sabe que sou extremamente sensível, tudo me emociona e me toca, tudo mesmo, eu costumo dizer que o meu coração tem uma ligação direta com a minha glândula lacrimal – eu choro com quase tudo. Minha emoção se expressa por lágrimas. E tudo bem! Já entendi e aceitei que sou assim.

Consequentemente, como me emocionei várias vezes nesses 3 dias, eu chorei várias vezes também. E tudo bem de novo, porque depois da cirurgia meus olhos vivem secos e me incomodando, então foi bom hidratá-los um pouco hehe.

Bom, voltando ao que eu queria dizer … Eu passei anos fugindo da espiritualidade, isso porque eu não conseguia diferenciá-la das religiões. E, como não sigo nenhuma religião, por diversos motivos que não vou entrar em detalhes hoje, eu criei uma certa barreira com isso.

Eu acredito que não preciso de uma religião para me conectar com Deus/Universo/Eu Superior, tudo o que eu preciso sempre esteve dentro de mim, tudo o que precisamos está dentro de nós. Cada um segue aquilo que mais lhe tocar a alma e fizer sentido. Então, eu descobri que não preciso de uma religião para vibrar o amor.

Quase todas as palestras me tocaram profundamente, mas 2 delas foram um chamado ao meu coração. E as duas tinham a ver com ESPIRITUALIDADE. Sabe quando você sente que tudo o que foi falado é direcionado a você? Como se o palestrante te conhecesse e estivesse falando exclusivamente para você? Eu me senti assim. E foi mágico!

Percebi que preciso me reconectar com o Eu Superior que me habita, para fortalecer a minha energia e proteção, para direcionar com mais foco todo esse amor e sensibilidade que faz parte de mim e que, muitas vezes, transborda sem eu saber como agir.

Entendi que vim para essa vida para dar, muito mais do que para receber, e redescobri que a minha missão é ajudar outras pessoas, que assim como eu, não se sentem livres para serem quem são. A partir do momento que sou eu mesma e que sigo a minha verdade, eu possibilito que o outro se liberte também. E libertação é algo extremamente poderoso!

Afinal, o nosso propósito principal é sermos quem somos! Então, o negócio é tirar cada máscara que um dia vesti para pertencer, é me despir da armadura que me afasta de mim e da minha luz, é mostrar a minha vulnerabilidade para me conectar mais profundamente com o outro. EU SOU, e isso basta!