aniversário

Sobre o sucesso, o fracasso, as comparações e o aniversário

Photo by Ksenia Kudelkina on Unsplash

Estava pensando sobre sucesso e fracasso, sobre metas alcançadas e sonhos realizados e sobre tudo o que é esperado de você quando se chega a uma certa idade.

Quando eu me comparo a outras pessoas, me sinto fracassada. Quando comparo meu momento presente ao que eu havia idealizado pra mim no passado, também me sinto fracassada. Essa sensação de fracasso só desaparece quando também desaparece a comparação e qualquer expectativa anteriormente criada.

Outro dia, conversando com um amigo sobre isso, me dei conta de que uma das minhas maiores realizações até hoje, era o fato de estar viva. Simplesmente isso, estar viva e funcional, ter sobrevivido a mim mesma, não ter cometido suicídio na adolescência. Eu sei que isso pode parecer tão banal e pequeno, mas, para alguém como eu, estar vivo é motivo de comemoração.

Aliás, estar vivo deveria ser sempre um motivo de comemoração. E estar vivo e saudável, então?!

Na maior parte do tempo não pensamos nisso, não é mesmo? Talvez a gente se concentre mais naquilo que ainda não tem ou não alcançou e nos nossos desejos ainda não realizados, e acabamos por não notar tudo aquilo que já temos e somos, deixando de ser gratos por todos os desafios já superados e os antigos sonhos que já foram concretizados.

Analisando tudo isso, acabo por me questionar de onde vem a importância que eu dou para grandes realizações de vida – na minha visão – e por que espero essas coisas de mim – quando, na maior parte das vezes, elas não tem absolutamente nada a ver comigo e com meus dons. Tipo criar um aplicativo de sucesso e vendê-lo por alguns milhões, ou a descoberta da cura de alguma doença, ou correr maratonas e chegar ao podium; nada disso são coisas que eu pensaria em fazer e ainda assim me comparo às pessoas que fazem essas coisas. Vai entender!

Cada um de nós tem algo único a ser compartilhado com o mundo. Mesmo que duas pessoas tenham um dom artístico para pintar telas com tinta a óleo e elas resolvam pintar a mesma paisagem usando os mesmos tons de tinta, cada uma pintará de acordo com o seu olhar e percepção e os quadros poderão até ficar parecidos, mas não serão iguais.

E eu sei disso, mas às vezes esqueço e me deixo levar por esse sentimento de ser irrelevante e inadequada e acabo focando no que não sou e no que não tenho.

Talvez, todo esse questionamento sobre as minhas realizações de vida tenha alguma coisa a ver com a iminência do meu aniversário. Já faz um bom tempo que espero por essa data e esse número. 40 me parece tão significativo!

Vai ver tudo isso veio à tona porque, no passado, eu pensei que aos 40 eu estaria vivendo uma vida diferente da que vivo hoje. Talvez eu tenha pensado que, a essa altura, já teria todas as respostas para as minhas questões internas. Talvez eu tenha fantasiado com uma Silvia que nunca existiu, ou que existiu, mas que mudou.

O que percebo nisso tudo é que não importa quem eu esperava ser hoje, o importante é quem eu sou e como eu quero ser, e seguir me conhecendo e me amando no processo de me tornar a minha melhor versão.

Grandes realizações são relativas, assim como o fracasso também é, tudo depende do ponto de vista.

Um novo ciclo

Um novo ciclo - doce cotidiano

Agora irei postar duas vezes na semana, toda segunda e quinta. Às segundas-feiras os posts serão como diários e, às quintas-feiras, temas diversos voltados para o autoconhecimento. Na verdade, pode ser que os dois se misturem um pouco, então vamos ver como fica daqui pra frente.

Já que é um recomeço, resolvi que o primeiro diário deveria iniciar com esse novo ciclo e, como foi meu aniversário no sábado, é sobre isso que eu quero falar.

Apesar de não ser muito fã de comemorações – quando é sobre mim -, gosto da ideia da passagem do tempo marcada em anos.

Completei 39 anos de vida e não tenho problema algum com esse número, na verdade, não me vejo tendo problema com idade alguma. Sei que os 40 serão incríveis, assim como os 50, 60, 70 e, se for muito abençoada, com os 80 e 90.

Apesar de algumas mudanças físicas que ocorreram no decorrer dos anos e que me dizem que estou envelhecendo, apesar de me considerar vaidosa e de me perguntar se lidarei bem com o efeito da gravidade nas próximas décadas, gosto de adicionar um número a mais na minha idade.

Se tem algo que você não vai me ouvir dizendo é que gostaria de voltar aos 20 com a cabeça que tenho hoje. Não tenho saudade nenhuma dos 20 anos, sério mesmo. Gosto tanto de quem eu me tornei!

Parece bobo dizer, mas tenho orgulho da minha idade. Acho lindo olhar pra trás e ver quantas coisas já vivi; quantos amores, quantas dores, quantas alegrias e aprendizado. 39 anos pode parecer pouco, mas também pode ser muito dependendo de como você viveu sua vida.

Então, nesse sábado, encerrei um ciclo de vida e iniciei outro e fui presenteada várias vezes com lindas demonstrações de afeto.

Minha família veio me visitar e, apesar de nenhum deles ser vegano e nem vegetariano, foram comigo num restaurante vegano da cidade onde moro. Não é a coisa mais linda?!

A presença do meu sobrinho já é um presente em si. Ser humaninho tão carinhoso e sensível, tão cheio de amor que me inunda e transborda toda vez que me chama de tia Xuxu. Basta eu me lembrar da voz dele me chamando que fico feliz por horas.

Recebi muitas mensagens e ligações carinhosas de pessoas que eu amo e uma linda surpresa vinda de um novo amigo. Um desenho meu, cheio de carinho e cuidado até nos detalhes das minhas tatuagens. Tocou tão fundo meu coração que me deu vontade de pegar um avião pra Curitiba só pra encher esse guri de abraços e beijos.

Foram tantos gestos de amor que fiquei pensando. Às vezes, a gente só valoriza aquilo que é palpável, aquilo que podemos usar, guardar, mostrar; e é legal ganhar presentes pensados em você, não vou negar. Mas, o que mais me toca, aquilo de que nunca me esqueço, aquilo que levo comigo e que não tem como perder, quebrar e nem estragar, é o amor. Esse permanece como uma luz bem dentro de mim, que ilumina minhas sombras e medos e cura as dores e tristezas.

Esse aniversário me fez sentir gratidão. Gratidão pelo ano de muito aprendizado que eu tive, gratidão por mais um ano de vida com saúde (saúde é um dos nossos bens mais preciosos), gratidão pelas pessoas que o Universo colocou em meu caminho para iluminarem a minha jornada, gratidão pelo amor que sempre recebo e que nunca me falta e gratidão por você, que está aí do outro lado, conversando comigo!