Procura-se: compaixão, empatia e amor

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Relendo o livro AMAR E SER LIVRE, do Sri Prem Baba, me deparo com um trecho que me fez pensar na nossa CARÊNCIA de compaixão, empatia e amor.

“A cura planetária acontece de dentro para fora. Ao nos dedicarmos ao processo de autotransformação, em algum momento, poderemos contribuir também para a transformação planetária. Porque só podemos dar aquilo que temos. Só é possível dar amor se amamos, a nós mesmos e ao outro. Só podemos ajudar o outro a ser feliz se somos felizes.

Muitos querem contribuir para a paz da Terra, mas não sabem como encontrar a paz dentro da própria família. Então, enquanto não há o que oferecer, não caia na armadilha de querer salvar o mundo, trate de salvar a si mesmo. Trate de olhar para a injustiça que te habita. Olhe para a violência, para o desrespeito e para a dor que te habitam. Esse é o primeiro e mais importante passo para iluminar este mundo”.

Temos tanta dificuldade em nos colocarmos no lugar do outro e talvez por isso, agimos como agimos.

Escravizamos animais e outros humanos, simplesmente porque somos mais fortes e temos mais poder. Humilhamos aqueles que têm menos, seja a nível financeiro ou intelectual. Sentimos prazer na desgraça alheia e a compartilhamos nas redes sociais. Adoramos julgar, apontar o dedo e jogar a primeira pedra, afinal, nós é que somos perfeitos. Roubamos, agredimos, estupramos, matamos. Achamos que somos donos das vidas dos nossos parceiros, dos nossos filhos e dos animais de estimação que habitam nossos lares, e assim os prendemos em gaiolas, em correntes ou a nós mesmos. Dizemos amar os animais, mas comemos seus cadáveres, nos vestimos com suas peles, torturamos e violentamos suas fêmeas a procura do leite que não foi feito para nossa espécie e compactuamos com toda a violência envolvida nesse processo de dor.

Estamos doentes, mas infelizmente não é só no campo físico, porque se assim fosse, seria mais fácil de tratar. A pior doença é na nossa espiritualidade e moralidade. Somos miseráveis no autoconhecimento, no amor próprio e no amor ao próximo.

Quando eu me odeio e estou infeliz, se torna insuportável ver a felicidade do outro, então eu quero destruí-la. Quando me sinto preso às normas e regras que eu mesmo criei pra mim, a liberdade com que o outro vive me ofende. Quando eu penso que o outro tem mais posses do que eu, eu o invejo. Quando me sinto feio, a beleza do outro precisa ser diminuída. Quando não consigo lidar com os meus sentimentos, eu os jogo em cima do outro. Quando não sei dialogar, eu grito. Quando não consigo perdoar, me ressinto e guardo mágoa. Quando não sou capaz de ver algo, eu nego a sua existência. Quando quero continuar errando, arranjo desculpas. Quando não quero enxergar a realidade, me cubro com a fantasia. Quando o outro não vive de acordo com a minha verdade, ele está errado e precisa mudar. Quando eu digo que amo, espero que seja recíproco, mas quando digo que odeio, não aceito a reciprocidade.

Aí você pode me perguntar, e como a gente muda isso? Sinceramente, não sei.

Talvez o primeiro passo seja conhecermos a nós mesmos. Reconhecer, em nós, aquilo que não gostamos e queremos mudar; olhar no espelho, bem dentro do olho daquele reflexo que, muitas vezes, tanto odiamos e criticamos, e redescobrir as nossas qualidades perdidas e trazê-las à tona; identificar as nossas contradições, que são tantas, e tentar diminuí-las na nossa rotina.

Quando aprendo a me amar e quando respeito quem eu sou, fica menos difícil amar o outro e respeitar quem ele é. E, quando eu aprendo a amar e respeitar o outro, eu entendo que ele tem tanto direito a vida quanto eu e que a liberdade que eu quero pra mim é a mesma que é de direito dele (humano ou animal).

Ok, não vou ser hipócrita e dizer que escrevi isso somente para o OUTRO, porque esse OUTRO também sou eu. Tenho a minha longa jornada de aprendizado pela frente e, apesar de já ter despertado para alguns aspectos, ainda estou adormecida para outros.

Quero viver com menos contradições e seguir aquilo que prego. Quero me amar ao ponto de só existir amor pra dar, pra mim e para o outro. Quero acreditar que, mais cedo ou mais tarde, estaremos todos despertos e não mais compactuaremos com a violência, direta ou indiretamente.

Se eu consegui mudar tantas coisas em mim, acredito que você possa fazer o mesmo. Eu sei que sair da zona de conforto pode ser bem dolorido, mas é uma dor passageira e a recompensa vale a pena. Eu sigo nesse intuito, aos tropeços e ainda falhando, encontrando outros como eu pelo caminho.

Espero que nossos caminhos se cruzem nessa busca e para isso eu te desejo uma jornada profunda, intensa e reveladora.