Pedindo demissão

Pedir demissão era uma ideia que ia e vinha.

Quando tudo estava um caos, quando a saúde gritava por atenção, quando eu mais chorava do que sorria, a ideia de me demitir vinha com tudo.

Mas então, entrava numa fase de dormência. Os amigos aliviavam a rotina maçante, eu me empolgava com algo novo, me distraía com novos objetivos e me enganava mais um pouco.

“Eu só trabalho 30 horas por semana. Tanta gente se mata por mais horas e ganha menos do que eu! Eu não tenho o direito de reclamar, não tenho direito de ser infeliz. Estou num emprego estável, enquanto tanta gente é demitida diariamente. Tenho acesso a plano de saúde, recebo Participação nos Lucros, só preciso aguentar mais algumas décadas até a aposentadoria. Eu posso ser realmente feliz depois. Nem todo mundo pode trabalhar com o que ama!”

Era a mesma ladainha de sempre. Você conhece essa história? A gente fica mentindo pra si mesmo e repete a mentira para os outros, porque se a gente admitir que existe algo que queremos mudar e não mudamos, e se adiamos e arranjamos desculpas, talvez tenhamos que admitir o nosso medo. E, apesar de saber que todo mundo tem medo de alguma coisa e se sente inseguro em muitos momentos da vida, esse saber não diminui o medo nem a insegurança.

Então, o que eu fiz?

Bom, apesar de ser uma pessoa que sempre foi impulsiva, no quesito “fazer as coisas para o meu bem”, sou o oposto. Ruminei essa ideia por muito tempo. Recebi total apoio do meu namorado que dizia que me “bancaria” até eu me encontrar (serei eternamente grata por isso, anjo), mas ainda assim eu não podia me imaginar saindo de lá. Sei lá o que passava pela minha cabeça. Às vezes, eu pensava que pedir demissão era sinal de covardia, era admitir uma fraqueza, era confessar que eu estava perdida e sem objetivos.

Em outras vezes, eu pensava que a demissão seria a minha libertação. Eu abriria os grilhões e sairia da prisão autoimposta, eu seria LIVRE.

Mas, o que me fez criar a coragem pra sair?

Pedindo demissão

Cheguei no meu limite, físico e psicológico. Gastava uma boa parte do meu salário para cuidar da saúde. Saúde que eu deteriorava fazendo o trabalho que me matava. Tudo isso faz sentido? Era um círculo vicioso de dor.

Então, no ano passado, alguns dia antes de sair de férias, eu já não conseguia trabalhar. Meus braços não funcionavam, minha coluna travou. Faltei 3 dias. Fiquei me tratando para poder aguentar as horas de voo até Tallinn.

Eu já estava tão de saco cheio, tão arrasada e com tanta dor, que nem peguei atestado. Fiquei com falta mesmo. Eu queria mais era que tudo fosse à merda.

Então chegou o período de férias e fiquei 20 dias no paraíso. Conheci um país lindíssimo e pude matar a saudade dos meus irmãos. Irmãos que são uma fonte de inspiração pra mim, porque são felizes fazendo um trabalho que gostam. Está vendo como é possível? Tem muita gente por aí que faz o que gosta. Por que não poderia ser assim comigo também?

Convivendo de perto com eles e conversando sobre a minha vida, eu comecei a ficar meio deprê por pensar em voltar para aquela situação infeliz.

Depois da Estônia, eu e meu namorado ficamos alguns dias num Spa. Os bancos ainda estavam em greve e eu estava feliz porque teria mais alguns dias em casa antes de ter que voltar a trabalhar. Então, no último dia de férias, a greve acabou e eu chorei.

Chorei de soluçar, desesperadamente. Chorei porque me vi perdida. Chorei porque sentia que o inferno iria recomeçar. Chorei porque me vi morrendo naquele emprego que me deixava miserável dia a dia.

O meu corpo e minha mente gritavam para eu PARAR.

Então, ainda com a cara inchada de choro, numa conversa com o namorado ele me disse “por que você não pede demissão?”. A gente diminuiria os gastos, apertaria um pouco os cintos, e viveríamos só com o salário dele até eu me encontrar. Por um momento eu fiquei em dúvida, mas foi um momento bem curto. No mesmo dia, na volta para casa, entrei no banco e pedi demissão.

Por ter pensado no futuro logo que fui empregada eu contribuí com o fundo de previdência para os empregados do banco. Essa contribuição de 11 anos foi o que me deu um pouco mais de coragem de sair. Acho que ter uma reserva é encorajador na hora de pular do barco. A não ser que o barco começasse a pegar fogo, aí meu amigo, eu pularia dele mesmo sem colete salva-vidas.

Não teve um único dia em que eu tenha me arrependido.

É claro que eu poderia ter saído bem antes, pelo meu bem físico e mental, isso teria sido o mais indicado. Mas, cada um tem o seu tempo de amadurecimento, e a minha coragem precisou desse tempo extra para se fortalecer.

Felizmente, deixei de me culpar por isso.

Autoestima baixa e os meus relacionamentos

Autoestima baixa e os meus relacionamentos

Eu só consigo falar sobre algo se colocar um pouco de mim no meu texto. Como eu poderia falar de amor e relacionamentos se eu nunca tivesse vivido isso? Ficaria muito teórico e genérico, não é verdade?

Então eu vou contar um pouco da minha história. Comecei a namorar na adolescência e, desde então, tive 5 namorados mais sérios e, um deles já namorei 2 vezes em períodos diferentes e até cheguei a me casar e me divorciar desse mesmo namorado. Uau, que confusão!

Apesar de não me desgostar quando me olho no espelho e até me achar bonita na maior parte do tempo, no passado não foi assim. Uma autoestima baixíssima me acompanhou durante boa parte da minha infância, durou toda a adolescência e persistiu até o início da vida adulta.

Esse complexo de inferioridade era disfarçado por um comportamento expansivo e brincalhão, eu enfatizava e satirizava os meus defeitos, eu ria deles com os outros antes que rissem de mim pelas costas.

Não vou entrar na questão dos porquês desses sentimentos, não acho que isso seja relevante agora (podemos falar sobre isso depois). O importante é saber que isso fez parte da minha história, faz parte de quem eu sou hoje e das escolhas e atitudes que tomo diariamente.

Por muito tempo eu fiquei no escuro. Eu não conseguia enxergar a conexão das minhas atitudes com a minha autopercepção. Eu não entendia que a autoestima baixa me fazia boicotar meus relacionamentos, e isso acontecia porque eu não me achava merecedora de receber amor e carinho. E esse autoboicote acontecia toda vez que eu criava problemas antes inexistentes, principalmente pelo fato de me sentir sempre insegura e, com isso, cobrar do outro atitudes para alimentar a minha autoconfiança. Quem consegue suprir todas as carências do outro? Ninguém!

Demorou muito tempo, muito tempo mesmo, para eu perceber um padrão destrutivo nos meus relacionamentos. E não estou aqui me lamentando pelo o que fiz ou deixei de fazer no passado, porque eu não lamento. Na verdade, sou grata por cada tiquinho da minha história, por cada passo que dei, “errado” ou não, porque isso foi o que me trouxe aqui.

Mas, naquela época, isso causou mágoas, em mim e no outro. É claro que, se eu soubesse o que sei hoje e tivesse mais maturidade emocional, as coisas teriam sido diferentes e menos sofridas. Mas esse processo, em mim, levou o tempo que tinha que levar.

E o que eu posso fazer hoje para que não cometa os mesmos erros do passado? Como posso impedir que os meus momentos de insegurança afetem o meu relacionamento?

Acho que reconhecer o “problema” é o primeiro passo. Como diz a Paula Abreu, devemos jogar luz na escuridão. Trazer à consciência tudo o que eu escondo, reconhecendo meus medos e minhas inseguranças, facilita e muito esse processo. Cada vez que eu consigo perceber que determinado pensamento ou atitude é movido pelo autoboicote – antes ou durante o acontecimento -, só o fato de reconhecê-lo já o enfraquece um pouco e fica mais fácil lidar com ele.

E você, como lida com a autossabotagem?

Sonhos e Desejos – Por que eu faço listas?

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Eu escrevo sobre meus sentimentos, medos, desejos e amores desde que me entendo por gente. Pra mim, a escrita é uma feitiçaria, como se eu fosse uma bruxa mexendo um preparo no caldeirão, porque enquanto escrevo eu crio, eu ressignifico, reelaboro e reorganizo tudo o que está confuso dentro de mim. Escrever é pura magia.

E, porque gosto de escrever sobre tudo, recentemente peguei o gosto por escrever num diário de gratidão (ainda não tão frequentemente quanto eu gostaria) e, principalmente, por fazer listas. Listas de sonhos, de desejos e de metas que quero alcançar.

Vou dizer 3 motivos pelos quais eu crio listas, talvez você tenha os seus e eles sejam diferentes dos meus, se for, me conte nos comentários!

1 – Verbalizar o que eu quero é muito bom, escrever num papel é melhor ainda

Quando escrevo, me dou a possibilidade de ler e reler sempre que eu quiser. Muitas vezes, eu só descubro certas coisas sobre mim quando as coloco no papel, sem filtros, sem julgamentos, sem rasuras.

Escrever é como um contrato que faço comigo e com os meus desejos. Mas, é um “documento” que permite total flexibilidade, posso alterar as cláusulas sempre que tiver vontade.

Não existe limite, todo o sonho é válido e vale a pena ser sonhado e anotado.

2 – Gosto de escrever e “perder” o papel

Não escrevo com data certa para abrir. É como se eu jogasse meus pensamentos ao vento e os esquecesse por um tempo. Volto à minha rotina e vivo a minha vida sem ficar me prendendo ao que eu escrevi.

Entrego os meus sonhos. Entrego e confio que o Universo mexerá seus pauzinhos.

3 – Por último e, pra mim, o mais importante, encontrar uma lista antiga por acaso

Essa semana aconteceu isso comigo! Estava folheando um dos cadernos que uso para estudos e encontrei uma lista que fiz no fim do ano passado. Era um misto de pensamentos positivos com desejos para 2015.

E foi maravilhoso perceber que muitas das coisas que sonhei pra mim já tinham acontecido.

Às vezes, quando não na maior parte do tempo, nós não percebemos como somos abençoados diariamente. Se vivemos só no piloto automático deixamos de enxergar cada pequena coisa incrível que nos acontece, como os pequenos sonhos que já realizamos e nem nos demos conta e as metas que foram tão sonhadas e já foram alcançadas. Por isso, acho tão importante escrever.

Sempre existe algo para ser grato!

5 Coisas que me desconectam de mim

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1. Dizer SIM quando eu quero dizer NÃO

Dizer não sempre foi algo difícil pra mim, principalmente para estranhos. Engraçado, né?

Algumas das situações que sempre me deixaram incomodada em dizer NÃO: em relações que não me sinto 100% confiante; quando estou com pessoas que não tenho intimidade ou quando me sinto “coagida” ou ” inferior” numa posição hierárquica e no início da minha vida afetiva, quando minha autoestima era baixa.

Usei o verbo no passado porque já não funciono assim o tempo todo. Não vou dizer que isso é fácil hoje em dia, porque não é, ainda tenho que exercitar essa prática, mas posso afirmar que melhorei bastante.

Dizer SIM quando eu quero dizer NÃO é algo que me desconecta de mim porque me faz sentir falsa e pequena.

2. Quando perco a paciência

Não sei dizer se sempre fui impaciente, talvez você possa dizer que sim, e essa minha impaciência costuma trazer com ela uma certa dose de agressividade.

Não é uma agressão física, o que rola é só verbal. Também não posso dizer que é verbal, porque a palavra pode ferir mais do que um tapa, e esse sempre foi um “dom” meu.

Os anos passaram, aprendi muitas coisas, adquiri um tanto de consciência e, com ela, a necessidade de ser gentil, de abraçar a minha sombra e usá-la somente para o bem. Então, toda vez que deixo a impaciência se transformar em agressividade (sim, isso ainda acontece), sinto que me perdi de mim.

3. Quando tento agradar alguém fazendo algo que eu não quero

Fico feliz em dizer que isso já não é um acontecimento frequente, não mais! Hoje é mais fácil não me ferir dessa forma. Mas não foi sempre assim.

Nos meus relacionamentos do passado, nos afetivos principalmente, eu tinha uma tendência de tentar agradar o parceiro. É provável que essa necessidade venha da minha baixa autoestima. Eu não acreditava que poderia ser amada sendo eu mesma o tempo todo, então, criava essa personagem “namorada que gosta do que você gosta”.

Isso era muito ruim por dois motivos, primeiro porque essa “mentira” não tinha como se sustentar por tanto tempo, mais cedo ou mais tarde a máscara caía; segundo porque eu sentia que estava traindo a mim, e me decepcionava comigo.

4. Quando me alimento mal e paro de me exercitar por um longo período de tempo

Eu cresci comendo alimentos saudáveis, não sou da geração fast food e Coca-Cola. Refrigerante era exceção e os lanches eram feitos em casa. Minha infância me fez gostar de comidas caseiras e muita verdura e legume.

Não vou dizer que não como besteiras, como e gosto, mas meu corpo reclama se como lixo por muito tempo.

Quando tenho minhas fases meio deprê, o autoboicote rola solto. Deixo de fazer qualquer atividade física que me faça bem e exagero nas gordices. É meio como uma autopunição. Nesses momentos deixo de ser eu e encarno essa mulher cansada e preguiçosa.

5. Quando fico no piloto automático

Sabe quando você faz as coisas sem pensar? Ou quando vive se deslocando das lembranças do passado para as possibilidades do futuro e deixa o momento presente suspenso? Pra mim, isso é o piloto automático.

É o não estar atenta ao agora, é deixar de respirar ou respirar rápido demais. É quando falo as coisas sem pensar ou por hábito, sem saber se aqueles pensamentos são meus ou se são apenas repetições.

Eu estive desconectada de mim por um longo período de tempo. Eu sentia que havia me perdido do meu eu interior, eu estava surda para a minha intuição e me sentia falsa o tempo todo. É triste se perceber assim, mas também é bom.

Se perceber é bom. Despertar é bom. Me permitir ser eu mesma de novo é ótimo! Não quero mais me perder de mim.

E você, o que te desconecta de si mesmo?