O que está fora também está dentro

Segunda-feira eu voltei do Rio de Janeiro depois de um fim de semana super intenso e cheio de aprendizado no evento LSA – Life Style Academy, criado pela escritora e Coach de Alta Performance Paula Abreu (a mesma que criou o PESV – Programa Escolha Sua Vida que eu fiz esse ano).

Foram 3 dias completamente preenchidos de palestras com profissionais incríveis de diversas áreas, uma plateia com 500 pessoas buscando uma vida com mais PROPÓSITO, uma troca de energia muito boa, muitos abraços, risos e lágrimas, introspecção e descobertas.

Pude abraçar pessoas maravilhosas que eu só conhecia no mundo virtual e foi tão bom saber que elas realmente existem! Conheci pessoas com quem me identifiquei quase que instantaneamente, abrindo meu coração para o novo.

Me senti eu mesma e isso foi libertador. Acho que eu não me sentia assim há muito tempo.

Confesso que eu tinha criado expectativas antes de ir, mas não me decepcionei. Na verdade, eu me surpreendi. Fiquei surpresa porque o que mais me impactou foi o que eu menos imaginei.

Quem me conhece sabe que sou extremamente sensível, tudo me emociona e me toca, tudo mesmo, eu costumo dizer que o meu coração tem uma ligação direta com a minha glândula lacrimal – eu choro com quase tudo. Minha emoção se expressa por lágrimas. E tudo bem! Já entendi e aceitei que sou assim.

Consequentemente, como me emocionei várias vezes nesses 3 dias, eu chorei várias vezes também. E tudo bem de novo, porque depois da cirurgia meus olhos vivem secos e me incomodando, então foi bom hidratá-los um pouco hehe.

Bom, voltando ao que eu queria dizer … Eu passei anos fugindo da espiritualidade, isso porque eu não conseguia diferenciá-la das religiões. E, como não sigo nenhuma religião, por diversos motivos que não vou entrar em detalhes hoje, eu criei uma certa barreira com isso.

Eu acredito que não preciso de uma religião para me conectar com Deus/Universo/Eu Superior, tudo o que eu preciso sempre esteve dentro de mim, tudo o que precisamos está dentro de nós. Cada um segue aquilo que mais lhe tocar a alma e fizer sentido. Então, eu descobri que não preciso de uma religião para vibrar o amor.

Quase todas as palestras me tocaram profundamente, mas 2 delas foram um chamado ao meu coração. E as duas tinham a ver com ESPIRITUALIDADE. Sabe quando você sente que tudo o que foi falado é direcionado a você? Como se o palestrante te conhecesse e estivesse falando exclusivamente para você? Eu me senti assim. E foi mágico!

Percebi que preciso me reconectar com o Eu Superior que me habita, para fortalecer a minha energia e proteção, para direcionar com mais foco todo esse amor e sensibilidade que faz parte de mim e que, muitas vezes, transborda sem eu saber como agir.

Entendi que vim para essa vida para dar, muito mais do que para receber, e redescobri que a minha missão é ajudar outras pessoas, que assim como eu, não se sentem livres para serem quem são. A partir do momento que sou eu mesma e que sigo a minha verdade, eu possibilito que o outro se liberte também. E libertação é algo extremamente poderoso!

Afinal, o nosso propósito principal é sermos quem somos! Então, o negócio é tirar cada máscara que um dia vesti para pertencer, é me despir da armadura que me afasta de mim e da minha luz, é mostrar a minha vulnerabilidade para me conectar mais profundamente com o outro. EU SOU, e isso basta!

Deixando o passado em seu lugar – Seguindo em frente!

Deixando o passado em seu lugar

Passei tanto tempo brigando com o meu passado, me culpando por atitudes impensadas, investigando como eu poderia ter feito diferente, o que eu teria falado, como eu teria agido, e gastei tanto tempo e energia olhando pra trás que deixei de ver o que estava bem na minha frente.

Não tem como estar 100% no presente se minha mente não deixa o passado em paz.

Tudo o que eu fiz foi agir com as ferramentas que eu tinha na época e sei que dei o melhor que eu tinha pra dar.

Então, mesmo sabendo de tudo isso, por que ainda permito que velhos fantasmas assombrem o meu agora me impedindo de agir?

Você já percebeu quanto tempo a gente desperdiça e quantas oportunidades são perdidas porque temos medo de que traumas passados se repitam? Posso arriscar dizer que, na maioria esmagadora das vezes, esses “acontecimentos traumáticos” foram fatos que só ocorreram uma única vez e, ainda assim, ficamos com receio de que eles aconteçam de novo.

Semana passada, assistindo um Periscope da Lígia Fabreti, ela disse duas frases que me impactaram muito:

“A gente passa a vida nos protegendo de coisas que já aconteceram”.

E não é que é verdade? Cada vez que nos “protegemos” do passado deixamos de viver um tanto do presente.

O passado já foi, não tem nada que podemos fazer para mudá-lo. E eu não posso deixar de me perguntar: eu quero mesmo mudá-lo? Se eu pudesse voltar e alterar as coisas que me incomodam hoje, eu alteraria? Eu faria alguma coisa diferente?

“Se a gente fosse tentar apagar o nosso passado o nosso eu do presente não existiria”.

E, mesmo com as pequenas dores, as dúvidas, os medos e inseguranças, eu não quero ser nenhuma outra pessoa que não seja eu. A Silvia de hoje é o resultado de cada escolha, palavra e atitude tomada em todos esses anos. E eu aprendi a amar essa Silvia.

Então, quando eu olhar para o passado, que seja para agradecê-lo! Eu aprendo com ele e o deixo em seu lugar. Se surgir alguma ocasião em que eu possa fazer algo melhor e com mais sabedoria do que antes, eu farei! Se eu tiver a oportunidade de me redimir dos erros cometidos e dos quais eu me arrependo, eu pedirei perdão. E me perdoarei também!

1 ano desempregada

1 ano desempregada! 1 ano fora do emprego que me fazia infeliz e que não tinha nada a ver com o meu propósito de vida! 1 ano para cuidar de mim!

1 ano desempregada

Resolvi compartilhar um pouco, resumidamente, como foram esses 12 meses pós demissão. Os quilos a mais, os quilos a menos, o tédio, a euforia, a frustração, a esperança, a vontade de trazer significado para a minha vida.

Os primeiros 6 meses fora do banco foram de alívio extremo ao saber que eu tinha tomado a decisão certa em pedir demissão. Não teve um segundo sequer em que eu tenha me arrependido, nem nos piores momentos de preocupação com o meu futuro profissional e financeiro eu pensei que poderia ter me precipitado. Pra mim, depois de tanto tempo criando doenças e dores, sair do banco já tinha se tornado um caso de vida ou morte.

Apesar de sempre ter flertado com o drama, nesse caso específico estou sendo bem realista. Já comentei antes sobre a minha saúde precária nos últimos anos de emprego e na grana que eu gastava mensalmente para tentar minimizar os efeitos dessa “violência” autoimposta. Então, eu sabia que continuar vivendo daquela maneira poderia me levar por um caminho irreversível.

Depois de mais de uma década vivendo a mesma rotina, quando eu saí dela me senti meio perdida. Assisti inúmeros filmes e seriados, li uma porrada de livros, comia o que tinha em casa e se não tinha, eu comprava e me empanturrava. Não me exercitei, não fiz planos, não tinha objetivos.

As festas de fim de ano passaram, a falta de perspectiva continuou mas eu já me sentia incomodada com o tédio e a letargia. Como eu não queria ficar mexendo no dinheiro que eu tinha aplicado, comecei a me exercitar em casa.

Naquela época eu não tinha motivação alguma que não fosse o meu corpo. Eu tinha engordado uns 8 quilos, consequência da minha nova rotina, e perdi grande parte das minhas roupas, mas nem isso serviu para me manter focada. Logo eu desisti.

No meio do segundo trimestre de 2015 eu comecei a sentir necessidade de mais. Eu queria estudar de novo, queria me conhecer melhor, eu precisava me dar mais atenção e cuidar de mim com mais consistência. Bem nesse período recebi o e-mail da Paula Abreu informando sobre as inscrições para o PESV – Programa Escolha Sua Vida. Me inscrevi no último dia depois de muito lutar contra a minha intuição. A voz do autoboicote estava alta, mas resolvi não escutá-la dessa vez! Foi o meu momento decisivo desse ano, com certeza.

Confesso que me inscrevi pensando somente na parte profissional, eu queria um rumo e respostas, e achei que o PESV me ajudaria nisso. Mas, foi muito mais do que eu havia imaginado. Foi a primeira vez, depois de muitos anos, que me senti realmente responsável pela minha vida. Renasceu em mim a vontade de ser eu mesma, numa melhor versão.

Então, voltei a cuidar da saúde bebendo mais água, escolhendo alimentos mais saudáveis, sem restrições nem neuras, me exercitando quase que diariamente e, consequentemente, gerando mais energia.

Comecei a prestar atenção nos meus pensamentos e nas coisas que assisto e leio. Da mesma forma que estou aprendendo a escolher atentamente o que vou comer, aprendo a escolher que tipo que energia eu quero perto de mim. Por ser uma pessoa extremamente sensível eu absorvo tudo o que está a minha volta, então preciso selecionar muito bem o que me cerca.

Com as meditações ensinadas no Programa estou aprendendo a me concentrar e silenciar o turbilhão de pensamentos que povoam a minha mente. Esse, pra mim, é o passo mais complicado, por isso eu sei que é o que requer mais a minha dedicação. Ainda falta consistência para incorporar esse hábito à minha vida.

Outro ponto que requer atenção é a minha forma de me relacionar, principalmente com as pessoas mais próximas. Quero aprender a ouvir, já que eu falo demais, e ser menos controladora, permitindo que as pessoas sejam quem são.

É uma longa jornada, eu sei! É um caminho em construção e eu sei que ele será trilhado a medida que eu der um passo, depois outro e assim seguir em frente. Ainda não sei onde ele irá me levar, mas estou aprendendo a curtir a paisagem que me cerca enquanto eu caminho.

A parte profissional, que foi o que me levou ao PESV, ainda está um pouco nebulosa. Mas, sei que é uma questão de tempo até que essas nuvens se dissipem e minha visão fique mais clara! O que realmente importa nesse momento, é o agora. São as mudanças que estou fazendo no meu dia a dia e que impactarão positivamente a minha saúde física e mental!

Se você me pedisse para resumir tudo o que eu aprendi nesse ano em um só ensinamento, seria: VIVA O PRESENTE! Esse é o meu objetivo, esse é o meu desafio.

O 1º assédio, o 2º, o 3º ….

O 1º assédio, o 2º, o 3º .... - Doce Cotidiano

Adiei escrever sobre esse tema porque sempre tive receio de me expor. Guardei as minhas “vergonhas” e medo na tentativa de esquecê-los. Mas, não importa o quanto eu evite falar sobre isso, não adianta virar o rosto e procurar outra vista, esse assunto continua lá e eu não me esqueço. Nenhuma mulher esquece!

Aqui eu me direciono à mulher porque ela sempre foi a maior vítima, mas também abraço os muitos meninos que sofreram o mesmo tipo de violência, física ou não.

Vou tentar expressar um pouco a minha dor, a minha vergonha, a minha indignação, a minha sensação de impotência e os medos que vieram junto. Não estou escrevendo com raiva, estou tentando administrá-la porque não quero outro sentimento me fazendo mal.

Começo dizendo que nunca fui estuprada.

Palavra forte, né? Algumas pessoas não gostam nem de pronunciá-la mas, infelizmente, essa palavra existe. Não é ignorando que ela perde a força, não é deixando de falar dela que ela some. Quisera eu que existisse uma mágica para fazer sumir essa palavra e toda a dor que ela traz.

Os assédios que eu sofri e ainda sofro foram outros. Desde sussurros no ouvido que só poderiam ser escutados por mim até mãos indesejadas em várias partes do meu corpo.

As mulheres, na sua maioria esmagadora, sabem o que é sentir essa violação. Então aproveito para pedir aos homens que vão ler esse desabafo, se vocês amam alguma mulher – mãe, irmã, namorada, filha, esposa, amiga -, imaginem o que elas sentem quando algo assim acontece com elas.

Em 99% das vezes que algo assim aconteceu comigo eu não tive reação. Sempre escutei que era melhor ficar quieta do que gritar, para a minha própria proteção. Talvez, se eu gritasse, o cara poderia fazer algo pior.

Hoje eu penso diferente!

O meu pior momento foi numa consulta médica. Eu tinha alguns nódulos mamários e como meu mastologista ficou preocupado, me recomendou uma cirurgia. Alguns exames pré-operatórios eram necessários então fui encaminhada para um laboratório. Eu tinha 21 anos.

Eu nunca pensei que seria o tipo de mulher que não consegue agir. Poderia jurar que se algo assim acontecesse eu iria gritar, eu faria um escândalo. Eu jurava que não ficaria quieta. Mas, quando aconteceu comigo, quando aquele velho ficou tocando os meus seios sem me examinar e enquanto eu era assediada, eu congelei. Eu não podia acreditar que aquilo estava acontecendo. Eu queria chorar, eu queria sumir, eu queria um canto seguro pra nunca mais sair dele.

Depois de tantos exames de toque a gente sabe quando algo está errado. Então, por que eu me calei?

Quantas outras mulheres foram assediadas por esse mesmo homem e não falaram nada? Quantas mulheres mais passarão pela mesma violência?

Já me mostraram o pau na rua, já apertaram a minha bunda no metrô, já roçaram nos meus seios e pressionaram o pau em mim no ônibus lotado, já me gritaram “gostosa”, “bucetuda”, “essa eu comia”, “ah se eu fosse homem!”, “quero te pegar de jeito” e tantas outras palavras, frases e absurdos que as mulheres ouvem diariamente.

Hoje, cada vez que tenho que passar por um grupo de homens na rua a minha vontade de atravessar é enorme. Fica sempre um receio de escutar o que eu não quero escutar, de sentir o que eu não quero sentir. O medo está sempre lá e eu convivo com ele!

O que eu queria mesmo, era poder abraçar todas as mulheres vítimas desse tipo de violência e de outras piores e dizer que não estamos sozinhas! Tem uma infinidade de pessoas – e aqui incluo muitos homens – que entende e respeita a nossa dor e também quer um mundo melhor.

Por menos violência e por mais segurança.

Por menos silêncio e por mais conversas sobre o assunto.

Por mais leis que nos protejam e, sobretudo, por mais amor e respeito para todas as mulheres.

Perdendo o medo de caminhar sozinha

Esse é o post de quarta que ficou pra quinta porque a inspiração só veio hoje depois de um Sundae saboreado ontem à tarde. O papo sobre fazer as coisas independente de ter companhia ou não, rendeu!

perdendo o medo de caminhar sozinha - Doce Cotidiano

Do alto dos meus quase 40 anos admito que sempre fui cagona pra fazer muitas coisas sozinha.

Admiro tremendamente meu namorado que nunca deixou de fazer nada que estava afim só porque não tinha uma companhia. Como ele mesmo sempre disse, a companhia dele é ótima! Nunca perdeu um show, um filme no cinema, corrida de F1 … se ele estivesse afim e pudesse ir, ele ia.

Já eu, deixei de me divertir inúmeras vezes, por vergonha, por medo, sei lá! A primeira vez que fui sozinha numa sessão de cinema foi pra assistir o filme Comer, Rezar, Amar. Eu já tinha lido o livro e estava louca pra ver o resultado na telona, como meu namorado da época não estava no clima, eu fui. Estava me sentindo toda independente e corajosa e, alguns segundos depois, minha avó e minha tia entram no cinema e sentam do meu lado. Coincidência pura, mas ainda assim senti que tinha vencido uma dificuldade.

Ainda não voltei ao cinema desacompanhada. Está na minha lista de coisas a fazer por mim!

Logo depois do meu divórcio, há uns anos atrás, eu queria relaxar e ficar um pouco comigo mesma então decidi passar uma semana num Spa. Como seria minha primeira viagem solo fui para um lugar que eu já conhecia só pra não ter tanta novidade acontecendo de uma vez. Posso dizer com toda a certeza que essa viagem foi uma das melhores coisas que já fiz.

Conheci mulheres incríveis com idades e histórias tão diferentes da minha! Pessoas que eu não teria oportunidade de encontrar se não fosse naquela ocasião, naquele lugar, naquele exato momento. Foi uma experiência libertadora!

A coragem pra continuar curtindo a minha companhia foi crescendo, de bebê virou criança e agora acho que começou a entrar na adolescência.

No fim do ano tenho uma viagem programada, será a primeira viagem internacional que faço sozinha. Tudo bem que terei conhecidos ao chegar no meu destino, não será só eu e Deus, mas ficarei quase 24 horas só com a minha companhia e o meu inglês tupiniquim. As 7 horas de espera no aeroporto de Paris me assustam um tiquinho, mas acho que um bom livro pode amenizar a solidão.

Estou aprendendo a comemorar as pequenas vitórias e essa viagem é uma delas. Nunca que eu faria algo assim há uns meses atrás, eu inventaria milhares de desculpas e me convenceria de cada uma delas antes de comprar a passagem.

Sei que isso pode chocar uma galera que me conhece, muitas pessoas não imaginam que eu sou assim. Só quem me conhece intimamente sabe dos meus medos, das minhas inseguranças e das dificuldades que tenho pra me relacionar comigo.

Os medos e inseguranças estão presentes em todos os seres humanos e em algum momento da vida todo mundo já sentiu algo assim. Não é exclusividade minha nem sua, nós não estamos sozinhos nessa!

A questão é, como superar tudo isso? Como seguir sem deixar que esses obstáculos nos impeçam de viver a vida plenamente?

Quero me propor pequenos desafios para fazer as coisas que sempre tive vontade e não fiz. E quero compartilhar isso com vocês, assim gero um compromisso público comigo e fica mais difícil de descumprir e, de quebra, ainda ganho incentivo para seguir em frente.

Acho que o cinema é o primeiro da lista!

Consistência x Desistência – Como sair do labirinto?

labirinto

Alguns meses antes de viajar para o Chile, eu tinha iniciado uma mudança de hábitos. Estava tentando me alimentar melhor, me exercitando quase diariamente e bebendo mais água do que bebia antes (uns 2 litros a mais). A ideia, como sempre, era levar essa mudança para a vida e fazer dela a minha nova rotina.

Mas, tem algo que ainda não é uma característica minha: CONSISTÊNCIA.

Infelizmente, eu sou daquele tipo de pessoa que tende a desistir perante às dificuldades e obstáculos diários.

Então, como estava viajando e passava a maior parte do tempo na rua, eu diminuí drasticamente a quantidade de água ingerida, não me alimentei tão bem quanto poderia e, logo depois de machucar meu dedão do pé na primeira semana, eu parei de me exercitar como antes. Fora as caminhadas pela cidade, eu não fiz mais nada.

Como resultado desses 26 dias eu ganhei uma pele super seca e envelhecida (eu parecia uns 10 anos mais velha), um cansaço irreconhecível (talvez tenha sido a soma da desidratação e da má alimentação), uma pancinha bem inchada e um humor oscilante.

É claro que, logo que eu cheguei, a primeira coisa que fiz foi voltar à antiga rotina. Mas, às vezes, me sinto como aquelas pessoas que fazem mil promessas para o novo ano, que dizem que começam tal coisa na segunda-feira e, logo que a empolgação inicial diminui, voltam para a vida de antes e se esquecem dos seus objetivos e sonhos.

Há anos eu começo e paro, recomeço e paro de novo. Entro num ciclo de autoboicote sem fim e fico me perguntando onde está a saída desse LABIRINTO. Talvez, seja mais difícil persistir e seguir em frente porque não tenho fortes motivações, talvez eu seja preguiçosa e acomodada, talvez eu tenha medo do resultado dessa mudança. E, mais uma vez, o medo volta a fazer parte da equação.

Por hora, procuro não ficar encanando com os porquês e tento incorporar essa vida saudável à minha rotina esperando que, um dia, tudo isso se torne algo natural e impensado, como o respirar.

Sentir é bom! Tristeza não é doença

tristeza não é doença - Doce Cotidiano

Por que não é mais permitido sofrer?

Por que o sofrimento foi considerado uma doença que deve ser tratada por psiquiatras com altas doses de medicamento? Por que, para fugir da dor, muitas vezes nos anestesiamos com drogas e bebidas?

Um coração partido, uma traição, a perda de alguém, uma grande decepção, qualquer sentimento que nos cause dor, sofrimento e lágrimas, é natural. Sofrer não é doença (estou desconsiderando depressão e outras patologias, ok).

Imagine uma criança que chora algumas noites porque teve um pesadelo. Você lhe receitaria ansiolíticos, antidepressivos ou remédios para induzir o sono? Espero que não! O que você talvez faça seja acalentar essa criança, dar-lhe amor, perguntar sobre o pesadelo, dizer que nada de mal vai lhe acontecer enquanto ela dorme, talvez durma com ela o restante da noite para protegê-la dos “monstros”.

Então, a gente cresce, e é claro que ainda teremos os nossos “monstros”. Ninguém passa uma vida sem sentir nada (bom, talvez os psicopatas), e sentir é bom, significa que estamos vivos e que ainda nos emocionamos. A dor é um ótimo sintoma. Imagine se ela não existisse!

A gente adoeceria até a morte sem ter a chance de perceber que estávamos doentes. Nossa mão continuaria queimando no fogo antes de percebermos que algo estava errado e retirá-la.

É claro que ninguém quer sofrer e, podendo escolher, definitivamente a gente evitaria situações que nos causam sofrimento. Mas, acredito que todas essas situações, que tendem a ser transformadoras, são essenciais para o nosso desenvolvimento e evolução.

Essa semana, assistindo um episódio de uma série que adoro – Grey’s Anatomy -, o cirurgião Owen Hunt, numa conversa com uma amiga que estava sofrendo (não vou me aprofundar porque corro o risco de dar spoiler), disse algo que eu acho que cabe muito bem aqui.

“Tudo isso que você está administrando. A ideia não é administrar nada.
A ideia é sentir. Tristeza, pesar, dor. É normal. Não é normal para você, porque nunca fez isso. Em vez de sentir a dor, você engole tudo e parte para as drogas. Em vez de atravessar a dor, você foge dela.
Em vez de lidar com a mágoa e a solidão e com medo que só existisse esse sentimento de vazio, eu fugi. Fugi e me alistei para outra temporada de exercícios.
Nós fugimos e medicamos.
Fazemos o que precisar para anestesiar a sensação, mas isso não é normal.
Nós temos que sentir. Temos que amar e odiar. E nos machucarmos, sentir pesar, quebrarmos, sermos destruídos.
E nos reconstruirmos para sermos destruídos de novo.
Isso é humano. Isso é humanidade.
Isso é estar vivo. Essa é a questão. Essa é a ideia. Não evite isso.”

Então, tenha amigos para te confortarem num momento de pesar, procure ajuda sempre que sentir que está difícil carregar o fardo sozinho, chore, grite, escreva, desabafe, mas SINTA! A gente precisa sentir, a gente foi feito para sentir. E, enquanto estivermos vivos, vamos sentir. Não há nada de errado nisso!

Medo da luz

brotherhood-at-sunset-1-1244631

Sim, eu sei. Eu sumi!

A ideia inicial era escrever durante a viagem, era não abandonar o blog. Mas, não consegui.

Apesar de estar em um lugar inspirador, que povoa a minha mente de ideias e possibilidades, eu travei. E, mesmo querendo ser consistente, mesmo querendo mudar e não ser aquela pessoa que desiste frente às dificuldades, eu fui a mesma Silvia de sempre e me acomodei.

Não gosto de admitir que eu tenho permitido que antigos medos voltem a me perturbar deixando tudo um tanto mais difícil. Não é medo de me expor e já não sei se é o medo de não ser boa. Também não é o medo de falhar, o pior medo sempre foi o de ser bem sucedida. Acho que está tudo meio confuso por aqui.

Então, eu abraço a minha criança interna que, por tanto tempo, teve medo do escuro, e a abraço um pouco mais forte porque percebo que hoje ela tem medo da luz.

Sim, a luz me assusta. A minha luz me assusta. Estou tão acostumada a lidar com a minha sombra que acabei esquecendo que existe o outro lado em mim.

A doçura que tentei sufocar com a minha rebeldia. A sensibilidade que sempre enxerguei como fraqueza. A positividade que permiti ser minada pela negatividade que sempre nos cerca. O amor que eu carrego e que me neguei a dar.

Hoje eu quero sair desse canto escuro que já não combina mais comigo. Quero voltar às cores que tirei do meu armário. Quero reencontrar aquela menina cheia de sonhos, de vontades e desejos, e quero dar a mão a ela para que, juntas, possamos caminhar em direção à luz.

Pedindo demissão

Pedir demissão era uma ideia que ia e vinha.

Quando tudo estava um caos, quando a saúde gritava por atenção, quando eu mais chorava do que sorria, a ideia de me demitir vinha com tudo.

Mas então, entrava numa fase de dormência. Os amigos aliviavam a rotina maçante, eu me empolgava com algo novo, me distraía com novos objetivos e me enganava mais um pouco.

“Eu só trabalho 30 horas por semana. Tanta gente se mata por mais horas e ganha menos do que eu! Eu não tenho o direito de reclamar, não tenho direito de ser infeliz. Estou num emprego estável, enquanto tanta gente é demitida diariamente. Tenho acesso a plano de saúde, recebo Participação nos Lucros, só preciso aguentar mais algumas décadas até a aposentadoria. Eu posso ser realmente feliz depois. Nem todo mundo pode trabalhar com o que ama!”

Era a mesma ladainha de sempre. Você conhece essa história? A gente fica mentindo pra si mesmo e repete a mentira para os outros, porque se a gente admitir que existe algo que queremos mudar e não mudamos, e se adiamos e arranjamos desculpas, talvez tenhamos que admitir o nosso medo. E, apesar de saber que todo mundo tem medo de alguma coisa e se sente inseguro em muitos momentos da vida, esse saber não diminui o medo nem a insegurança.

Então, o que eu fiz?

Bom, apesar de ser uma pessoa que sempre foi impulsiva, no quesito “fazer as coisas para o meu bem”, sou o oposto. Ruminei essa ideia por muito tempo. Recebi total apoio do meu namorado que dizia que me “bancaria” até eu me encontrar (serei eternamente grata por isso, anjo), mas ainda assim eu não podia me imaginar saindo de lá. Sei lá o que passava pela minha cabeça. Às vezes, eu pensava que pedir demissão era sinal de covardia, era admitir uma fraqueza, era confessar que eu estava perdida e sem objetivos.

Em outras vezes, eu pensava que a demissão seria a minha libertação. Eu abriria os grilhões e sairia da prisão autoimposta, eu seria LIVRE.

Mas, o que me fez criar a coragem pra sair?

Pedindo demissão

Cheguei no meu limite, físico e psicológico. Gastava uma boa parte do meu salário para cuidar da saúde. Saúde que eu deteriorava fazendo o trabalho que me matava. Tudo isso faz sentido? Era um círculo vicioso de dor.

Então, no ano passado, alguns dia antes de sair de férias, eu já não conseguia trabalhar. Meus braços não funcionavam, minha coluna travou. Faltei 3 dias. Fiquei me tratando para poder aguentar as horas de voo até Tallinn.

Eu já estava tão de saco cheio, tão arrasada e com tanta dor, que nem peguei atestado. Fiquei com falta mesmo. Eu queria mais era que tudo fosse à merda.

Então chegou o período de férias e fiquei 20 dias no paraíso. Conheci um país lindíssimo e pude matar a saudade dos meus irmãos. Irmãos que são uma fonte de inspiração pra mim, porque são felizes fazendo um trabalho que gostam. Está vendo como é possível? Tem muita gente por aí que faz o que gosta. Por que não poderia ser assim comigo também?

Convivendo de perto com eles e conversando sobre a minha vida, eu comecei a ficar meio deprê por pensar em voltar para aquela situação infeliz.

Depois da Estônia, eu e meu namorado ficamos alguns dias num Spa. Os bancos ainda estavam em greve e eu estava feliz porque teria mais alguns dias em casa antes de ter que voltar a trabalhar. Então, no último dia de férias, a greve acabou e eu chorei.

Chorei de soluçar, desesperadamente. Chorei porque me vi perdida. Chorei porque sentia que o inferno iria recomeçar. Chorei porque me vi morrendo naquele emprego que me deixava miserável dia a dia.

O meu corpo e minha mente gritavam para eu PARAR.

Então, ainda com a cara inchada de choro, numa conversa com o namorado ele me disse “por que você não pede demissão?”. A gente diminuiria os gastos, apertaria um pouco os cintos, e viveríamos só com o salário dele até eu me encontrar. Por um momento eu fiquei em dúvida, mas foi um momento bem curto. No mesmo dia, na volta para casa, entrei no banco e pedi demissão.

Por ter pensado no futuro logo que fui empregada eu contribuí com o fundo de previdência para os empregados do banco. Essa contribuição de 11 anos foi o que me deu um pouco mais de coragem de sair. Acho que ter uma reserva é encorajador na hora de pular do barco. A não ser que o barco começasse a pegar fogo, aí meu amigo, eu pularia dele mesmo sem colete salva-vidas.

Não teve um único dia em que eu tenha me arrependido.

É claro que eu poderia ter saído bem antes, pelo meu bem físico e mental, isso teria sido o mais indicado. Mas, cada um tem o seu tempo de amadurecimento, e a minha coragem precisou desse tempo extra para se fortalecer.

Felizmente, deixei de me culpar por isso.

Autoestima baixa e os meus relacionamentos

Autoestima baixa e os meus relacionamentos

Eu só consigo falar sobre algo se colocar um pouco de mim no meu texto. Como eu poderia falar de amor e relacionamentos se eu nunca tivesse vivido isso? Ficaria muito teórico e genérico, não é verdade?

Então eu vou contar um pouco da minha história. Comecei a namorar na adolescência e, desde então, tive 5 namorados mais sérios e, um deles já namorei 2 vezes em períodos diferentes e até cheguei a me casar e me divorciar desse mesmo namorado. Uau, que confusão!

Apesar de não me desgostar quando me olho no espelho e até me achar bonita na maior parte do tempo, no passado não foi assim. Uma autoestima baixíssima me acompanhou durante boa parte da minha infância, durou toda a adolescência e persistiu até o início da vida adulta.

Esse complexo de inferioridade era disfarçado por um comportamento expansivo e brincalhão, eu enfatizava e satirizava os meus defeitos, eu ria deles com os outros antes que rissem de mim pelas costas.

Não vou entrar na questão dos porquês desses sentimentos, não acho que isso seja relevante agora (podemos falar sobre isso depois). O importante é saber que isso fez parte da minha história, faz parte de quem eu sou hoje e das escolhas e atitudes que tomo diariamente.

Por muito tempo eu fiquei no escuro. Eu não conseguia enxergar a conexão das minhas atitudes com a minha autopercepção. Eu não entendia que a autoestima baixa me fazia boicotar meus relacionamentos, e isso acontecia porque eu não me achava merecedora de receber amor e carinho. E esse autoboicote acontecia toda vez que eu criava problemas antes inexistentes, principalmente pelo fato de me sentir sempre insegura e, com isso, cobrar do outro atitudes para alimentar a minha autoconfiança. Quem consegue suprir todas as carências do outro? Ninguém!

Demorou muito tempo, muito tempo mesmo, para eu perceber um padrão destrutivo nos meus relacionamentos. E não estou aqui me lamentando pelo o que fiz ou deixei de fazer no passado, porque eu não lamento. Na verdade, sou grata por cada tiquinho da minha história, por cada passo que dei, “errado” ou não, porque isso foi o que me trouxe aqui.

Mas, naquela época, isso causou mágoas, em mim e no outro. É claro que, se eu soubesse o que sei hoje e tivesse mais maturidade emocional, as coisas teriam sido diferentes e menos sofridas. Mas esse processo, em mim, levou o tempo que tinha que levar.

E o que eu posso fazer hoje para que não cometa os mesmos erros do passado? Como posso impedir que os meus momentos de insegurança afetem o meu relacionamento?

Acho que reconhecer o “problema” é o primeiro passo. Como diz a Paula Abreu, devemos jogar luz na escuridão. Trazer à consciência tudo o que eu escondo, reconhecendo meus medos e minhas inseguranças, facilita e muito esse processo. Cada vez que eu consigo perceber que determinado pensamento ou atitude é movido pelo autoboicote – antes ou durante o acontecimento -, só o fato de reconhecê-lo já o enfraquece um pouco e fica mais fácil lidar com ele.

E você, como lida com a autossabotagem?