Diários

Sobre iluminar as minhas sombras

luz

Estava em busca da minha raiva, esse sentimento poderoso que mora dentro de mim e que estava escondido.

Eu sempre senti raiva, de tudo! E a minha forma de lidar com ela era meio primitiva, o sentimento vinha e eu o colocava pra fora, sem filtros. Com o tempo, comecei a me sentir mal com isso porque eu magoava pessoas que eu amava, e a solução encontrada foi sufocar a raiva. Escondê-la, reprimi-la, ignorá-la.

Por um tempo, pareceu dar super certo. E eu realmente acreditei nisso. Via-me como alguém que não nutria mais esse sentimento tão perturbador, acho até que me sentia superior por não deixar que um sentimento de vibração tão baixa me dominasse. Eu racionalizava as situações que poderiam despertar o monstro e, depois, as ignorava.

Então, acontecimentos que normalmente despertariam a minha raiva começaram a me deixar triste e deprimida. Sem ação, sem reação, sem movimento algum. E isso começou a me incomodar muito mais do que as antigas explosões. Porque deixar de sentir por um tempo pode até ter um efeito calmante, mas, se isso persiste, fica muito claro que é só um processo de fuga. E eu não queria mais viver fugindo de mim.

Porque o problema nunca foi a raiva ou qualquer outro sentimento considerado negativo. A questão não é só o que eu sinto, mas sim, o que eu faço com isso. A raiva pode ser um ótimo combustível para coisas boas e bonitas.

Dizem que a raiva é a tristeza colocada em movimento, que onde existe raiva, provavelmente, existe uma tristeza profunda que não foi olhada. A tristeza, por sua vez, pode vir de um sentimento de raiva que não foi expresso. Pra mim, pra minha história, isso faz total sentido. Esses dois sentimentos sempre estiveram conectados.

Não existe nada de errado em sentir raiva e tristeza. O que eu quero aprender é a acolher todo sentimento que brota em mim, olhar pra ele, não negar ou esconder sua existência. Quero entender de onde eles vêm e os seus porquês.

Percebo que toda vez que fico triste ou sinto raiva é porque estou “brigando internamente” com a realidade. Isso não quer dizer que devo simplesmente me conformar e aceitar as coisas como são; não agir quando sinto que preciso agir, não dizer quando sinto que preciso dizer. Mas, certas coisas são como são, não estão no meu controle e não há muito o que eu possa fazer. A única situação que tenho algum poder pra mudar é a minha. E isso já é difícil pra caramba.

Convivo comigo há quase 39 anos e ainda não me decifrei. Ainda estou aprendendo os porquês de fazer as coisas que faço, do jeito que faço, muitas vezes de forma destrutiva. Os porquês de repetir antigos comportamentos, seguindo velhões padrões comprovadamente catastróficos. Porque, tantas vezes, escolho a dor e não o amor, mesmo que faça isso inconscientemente naquele momento.

Meu momento agora é de união. Juntar esses muitos pedaços perdidos e renegados, todos os sentimentos que fazem e já fizeram parte de mim, acolhê-los, aceitá-los e assumir a minha responsabilidade em cada ação e em cada falta de ação, e fazer isso com amor. Abraçar a raiva que permiti, finalmente, que saísse de seu esconderijo; acolher a tristeza, a culpa e a vergonha que me fizeram companhia por tanto tempo; aceitar o medo constante que só tentava me proteger e, então, usar a luz que me habita para iluminar minhas sombras, todas elas e, um dia, conseguir amar cada pedacinho de mim.

Essa é minha missão. Ser quem eu vim pra ser. Inteira!

O dinheiro, o controle e o não saber receber

O dinheiro, o controle e o não saber receber - doce cotidiano

Estou tentando adquirir um pouco de perspectiva relacionada a alguns dos meus bloqueios: o dinheiro, o controle e o não saber receber.

Por que é tão difícil, pra mim, falar sobre dinheiro? Por que eu me sinto envergonhada por não estar trabalhando e ganhando um salário? Por que me sinto inferior por estar dependendo financeiramente do meu parceiro neste momento da minha vida?

Sinto tudo isso e tento entender de onde esses questionamentos vêm.

Tenho muita dificuldade de falar sobre esse assunto e de admitir esses sentimentos, me sinto desconfortável até em admiti-los pra mim. E é justamente por me sentir assim que decidi escrever.

Quero desenterrar esse desconforto e trazê-lo para a luz; dessa forma fica mais fácil enxergar e compreender o que me aflige.

O “estar no controle” sempre foi muito importante pra mim, mesmo que fosse um controle ilusório, ele fazia com que me sentisse segura me dando a ideia de que eu tinha algum poder. E eu sei que é só uma necessidade do ego, eu sei que são sensações que não se sustentam na realidade, mas é assim que é.

Controle e poder. O querer controlar e querer ter poder; de onde vem essa necessidade? Pra mim, vem do medo que sinto em simplesmente SER e ESTAR. Se eu não estiver no controle, quem está? Se eu não estiver no controle, significa que alguém pode me controlar?

E, no momento presente, o dinheiro me traria a sensação de estar no controle e de ter algum poder. Quando eu ganho meu dinheiro eu sou dona de mim? Quando é o outro quem paga as contas, eu pertenço a esse alguém?

Veja as coisas que viajam pela minha mente! Só consegui acessar todos esses pensamentos e sentimentos recentemente. Antes, eu só estava no piloto automático, me sentindo desconfortável sem saber com o quê.

E é óbvio pensar que basta eu arranjar um emprego e voltar a ganhar meu dinheiro e todas essas sensações irão embora. E eu até concordo com isso. Em parte. Porque tem algo mais profundo aqui. Tem algo que está pedindo meu olhar e a minha atenção. Não é só sobre dinheiro.

A necessidade que tenho de controlar (de pensar que controlo algo) e a dificuldade de receber, se estendem a, praticamente, todas as áreas da minha vida. Pra mim, é muito desconfortável receber elogios, receber carinho e afeto genuíno, receber presentes inesperados, receber dinheiro; simplesmente receber. É como se eu não fosse merecedora disso, me sinto uma impostora.

Abrir meu coração e admitir tudo isso em voz alta, em público e pra qualquer um ver, requer que eu entregue o controle que penso que tenho, requer que eu me coloque na posição de receber críticas e julgamentos ou receber apoio e escuta.

Esse é um dos motivos pelo qual estou escrevendo isso aqui, porque eu sempre soube que escrever é uma forma de cura, aliás, esse foi o tema do meu trabalho de conclusão de curso na faculdade, então resolvi usar o que eu sei. Escrevo, agora, para me entender, escrevo para buscar as peças faltantes, escrevo para levar luz à escuridão, escrevo para me curar.

Ao escrever e reler o que foi escrito, ao dar voz aos meus sentimentos e ao fazer EFT (Emotional Freedom Techniques) para liberá-los e acolhê-los, eu me conecto um pouco mais comigo, me distancio um pouco mais da necessidade do controle e me abro mais à possibilidade de receber.

O assunto DINHEIRO é amplo demais para que eu consiga limitá-lo a essas linhas; a minha dificuldade em lidar com ele, ao não conseguir me colocar no papel de merecedora, ainda requer muita atenção e trabalho interno. Por isso, esse tema ainda vai render.

Sendo a minha própria cobaia

cozinha

No início de setembro, eu comecei um diário alimentar com a ideia de anotar tudo o que eu como no dia, tudo mesmo! Inicialmente, eu queria reduzir a quantidade de lactose, de glúten e de açúcar, só pra ver como meu corpo reagiria.

Desde que parei o uso da pílula anticoncepcional, há dois anos, minha pele encheu de espinhas – é como se as espinhas que tinham sumido quando iniciei o hormônio, há umas duas décadas, decidissem voltar todas de uma vez. Fiquei um tempo com espinhas até nas costas e na bunda; nada legal!

Eu queria saber o que estava me fazendo mal e o que meu corpo não estava curtindo e, como forma de me avisar, me causava espinhas e alergias. Fora outros sintomas, como inchaço e cansaço.

Mesmo antes dessa pesquisa eu já não tomava mais leite de manhã (me dava azia), já tinha parado de comer ovo (o cheiro me dava nojo) e a carne, todo tipo de carne, eu já tinha parado há um tempinho. O leite e o ovo eram consumidos disfarçadamente em bolos e pães.

Eu sabia que não era celíaca, mas, mais de uma vez, profissionais de saúde já tinham me dito para reduzir ou eliminar o consumo de glúten da minha dieta e, pesquisando sobre os possíveis sintomas decorrentes de sua ingestão, resolvi fazer esse teste em mim.

Ao iniciar esse experimento, eu não sabia que o veganismo seria o meu caminho porque, até então, eu também acreditava que precisava do leite de vaca e seus derivados como fonte de cálcio.

Eu já tinha começado a ler o livro do Dr. Eric Slywitch – Alimentação sem Carne – e estava aprendendo um pouco mais sobre os alimentos, sobre a melhor forma de prepará-los para aproveitar mais seus nutrientes e sobre as combinações mais efetivas. Mas, ainda assim, eu não sabia muito bem aonde isso tudo iria me levar.

Comecei a seguir vários perfis no Instagram; de veganos, de pessoas com alimentação exclusiva plant based (dieta baseada em vegetais e alimentos integrais na sua forma mais natural, completa, não refinada, e minimamente processada), de veganos que não consomem glúten e, meio sem perceber, fui lindamente “contaminada” pela vontade de mudar.

Nesse espaço de tempo, desde que iniciei essa autopesquisa mais seriamente, notei duas mudanças principais:

  • Minha pele melhorou muito. Eu tirei fotos do rosto no início, no meio do processo e no “fim”, para comparar. Algumas espinhas super inchadas e vermelhas com as quais eu convivi por meses e não saíam mesmo com todo tipo de tratamento externo, diminuíram visivelmente.

pele

  • Meu corpo desinchou absurdamente, principalmente a região abdominal (também tirei fotografias antes de ir pra Piracanga, quando voltei de lá, no início desse experimento e recentemente). O importante não era a perda de peso, mas sim, como eu me sentiria.

Agora, vamos a algumas observações. Como eu anotava tudo o que comia, ficou um pouco mais fácil perceber a correlação entre o alimento ingerido e determinados sintomas.

Não consegui excluir o glúten completamente e notei que, quando o consumia por alguns dias seguidos, mesmo que em pequenas porções, as coceiras voltavam e eu ficava mais inchada.

Quando comi batatas fritas, o que aconteceu mais de uma vez (é meu fraco, comeria todos os dias), ou quando comi frituras em geral, me senti mal depois, como se tivesse ingerido um galão de óleo. E isso aconteceu em todas as vezes depois que comi!

O açúcar, mesmo ingerindo somente o demerara ou o mascavo e muito raramente, não se mostrou o melhor dos meus amigos. Também não me senti bem após a ingestão dele quando combinado com algum tipo de gordura, como em sorvetes – mesmo em opções veganas.

Entendi que o veganismo – na alimentação – é mais do que não comer nada de origem animal. É mais do que respeitar os animais e o planeta; é se respeitar em primeiro lugar.

Por isso, após esse período de quase dois meses de experimentação, entendi que, pra mim, quanto mais naturalmente eu me alimentar, melhor! Vou continuar observando a mim e as minhas escolhas, mudar mais algumas coisas na minha forma de me alimentar e, então, eu volto pra contar como foi.

Uma última coisa! Eu não quis postar as fotos do meu corpo por um simples motivo; cada um tem a sua forma física e seu peso ideal, magreza não é sinônimo de saúde e eu não quero fazer apologia a isso. O ser/estar magra é uma característica física minha, eu nasci assim e isso não é o que importa aqui. O importante é estar saudável, independente do seu peso na balança. É fazermos escolhas que nos façam sentir bem, alegres e dispostos.

Onde mora a limitação?

ultrapasse

Existe limite de idade pra começar uma nova carreira?

Existe limite de idade pra encontrar um amor?

Existe limite de idade pro prazer?

Existe limite de idade pra novas descobertas e sentimentos?

Existe limite de idade para sermos quem somos?

38 pra 39 e mudando de rumo, de ideia e de perspectiva.

Eu acredito que, enquanto houver vida em nossos corpos, sempre existe a possibilidade para novos começos, e penso que isso vale para todas as áreas.

Poucas coisas são limitadas pela idade e, ainda assim, varia de pessoa pra pessoa. Não acho que exista uma regra universal e imutável com relação a isso, nem mesmo pra engravidar, porque independente de ser aconselhável ou não gerar um ser numa idade avançada, já vimos avós engravidando. O risco é relativo, o risco é risco em qualquer fase da vida.

E por que temos tanto medo de arriscar? O que que queremos evitar? Uma decepção, uma rejeição, uma frustração? A gente continua vivo depois disso, a gente escolhe ficar vivo e recomeça.

Me lembro da primeira vez que meu coração foi partido numa decepção amorosa. Eu sentia até dor física e, na época, achei que não existia dor pior. Depois disso meu coração foi partido mais algumas vezes, provavelmente devo ter partido outros corações pelo caminho e descobri que, independente do tempo que a dor permaneceu, ela já não foi tão insuportável, eu já sabia o que esperar dela. A gente vive sabendo que não tem como fugir da dor, mas a gente aprende que tem como lidar com ela.

A gente vai seguindo, cada um no seu caminho, cada um ouvindo seu coração e intuição, tentando dar o melhor que temos pra dar no momento, entendendo que nunca paramos de aprender, que é sempre tempo de mudar, recomeçar, experimentar. E é isso que eu quero fazer até meu último momento aqui, quero aprender, quero compartilhar, quero ter minha vida tocada pelo outro e quero poder tocar a vida de alguém também.

A gente sempre pode mudar de ideia e fazer de novo ou fazer o novo. A ideia é cortar, romper, rasgar cada fio que nos prende e limita, nem que seja um pouquinho por vez. Acho que quando a gente percebe que a limitação mora somente dentro da nossa cabeça fica mais fácil lidar com ela. Esse tem sido o meu aprendizado diário.

Um pacto de amor

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Recentemente, eu fiz um pacto comigo mesma e estou tentando ser fiel a ele.

Esse acordo é um pouquinho amplo e engloba as coisas que eu quero fazer para que as minhas ações sejam o reflexo dos meus sentimentos. O que isso significa? Significa que estou tentando viver sem tantas contradições.

Por AMOR, percebi que não poderia fazer diferença entre os cães e os outros animais. Como eu posso comer a carne de um ser que eu amo e quero proteger? Como posso consumir os alimentos e produtos derivados de uma ação de violência e tortura? A escolha pelo veganismo como filosofia de vida foi uma ação baseada nos meus sentimentos e no sentimento do outro; eu já não posso mais viver nessa contradição de dizer que amo e continuar como cúmplice da crueldade. Pretendo trocar todos os produtos que visto e uso em casa por itens veganos (as próximas compras serão mais conscientes).

No decorrer desses anos eu aprendi a me amar e me respeitar mais – na verdade, ainda estou aprendendo; como decorrência disso, fazia total sentido cuidar mais de mim e fazer escolhas com menos impacto negativo para a minha saúde e para o meio ambiente. A mudança alimentar (no geral), a prática de atividades físicas e a troca de cosméticos industrializados por aqueles que eu mesma produzirei, são algumas das coisas que tenho feito e que ainda quero ampliar para viver de acordo com as minhas crenças e com o que faz sentido pra mim.

A minha forma de me comunicar também é um ponto muito importante no meu novo pacto de vida. Estou lendo o livro Comunicação Não-Violenta, do Marshall B. Rosenberg, e percebi que ainda tenho um longo caminho a percorrer nesse aspecto. Como eu quero me comunicar daqui pra frente e o que eu quero transmitir? Aliás, por causa do livro, assisti ao filme GANDHI na semana passada. Você já viu? É um filme um pouco antigo, mas mais atual do que nunca. Tem no Netflix, recomendo!

Vejo o AMOR como o ponto principal para seguir nesse propósito, e eu sei que pode soar meio piegas dizer isso, mas é no que acredito. Colocar o amor nas minhas ações, colocar o amor na minha forma de me alimentar (tentando, na maior parte do tempo) e colocar o amor nas minhas escolhas e no meu discurso, essa é a minha maneira de tentar diminuir todas as contradições que fazem parte de mim. Um passo de cada vez!

Sou humana e cheia de falhas e continuarei sendo assim. Não estou buscando a perfeição inalcançável; finalmente, percebi que essa é a receita para a infelicidade. Mas, estou tentando, no dia a dia, ser mais fiel às minhas crenças e à minha intuição.

Estou me permitindo considerar cada passo dado como um aprendizado. As escorregadas, os “erros”, as más escolhas; tudo faz parte desse aprender. Estou aprendendo a acolher tudo o que fez e faz parte de mim, sem brigas, sem culpas, sem julgamentos.

Mas, ainda estou aprendendo!

Um pouco da minha jornada – Autoconhecimento

um pouco da minha jornada - doce cotidiano

Recentemente, percebi que minha busca pelo autoconhecimento é antiga. Antiga, porque ela se iniciou há mais de duas décadas, mais da metade da minha vida.

Essa jornada não começou de forma voluntária, não mesmo! O negócio é que minha mãe já não sabia mais o que fazer comigo; eu a imagino desesperada, jovem e com cinco filhos em casa (dentre eles, uma rebelde sem causa), a solução foi me levar a vários lugares, todos voltados à terapia alternativa (sou imensamente grata por essa sabedoria quase inata da minha mãe, o alternativo funciona em mim muito mais do que o velho método tradicional ocidental).

Acho que a primeira tentativa da minha mãe foi com uma acupunturista Hare Krishna. Dos três meses de tratamento, renderam alguns frutos. Me apaixonei pela acupuntura, fui apresentada ao incenso Spiritual Guide (meu favorito, infelizmente está impossível de encontrar), surgiu a ideia da primeira tatuagem (uma flor de Lótus, que era como a terapeuta me chamava) e, óbvio, um pouco de equilíbrio emocional. Como foi algo que minha mãe compartilhou comigo – ela era tratada na maca ao lado -, acho que foi importante para uma aproximação entre nós.

Depois, veio o Tai Chi Chuan. Minha irmã mais velha, minha mãe e eu fazíamos juntas. Lembro-me de ser sempre tão agitada interiormente que toda vez que tínhamos que nos sentar, colocar as mãos no segundo chakra e prestar atenção na nossa respiração, eu sentia enjoo. Acho que precisei de muitos anos até conseguir fazer isso sem querer vomitar. Ganhei um livro sobre os chakras nessa época e eu o tenho até hoje.

Então, nesse mesmo espaço onde eram dadas as aulas de Tai Chi, tinha um guru (me lembro que o chamavam assim) e minha mãe resolveu que eu precisava me consultar com ele. Só entrando na fase adulta eu descobri que nossas sessões foram baseadas na PNL – Programação Neurolinguística. Um bom tempo depois, eu e minha mãe fizemos um workshop de PNL em SP e foi incrível.

Na época da faculdade, quando começaram os estágios de atendimento aos pacientes, nossa orientadora nos disse como era importante fazermos terapia – todo terapeuta deve ter seu terapeuta. E lá fui eu, para as minhas primeiras sessões com uma psicóloga. Desde então, já tive três terapeutas e um arte terapeuta e passei por inúmeras sessões no decorrer dos anos e, com certeza, todo esse processo enriqueceu o meu autoconhecimento; não tenho dúvidas disso.

Tive o meu período de negação, de esquecimento, de viver no piloto automático, de total desconexão comigo, e isso aconteceu enquanto eu trabalhava no banco. Foi a fase da minha vida em que mais adoeci. Ainda assim, foi um momento muito importante, pois grande parte dos profissionais com os quais me consultei para aliviar as dores físicas, me ajudou a voltar a olhar pra mim.

Depois que saí do banco fiz um programa de autoconhecimento que me ajudou a criar mais algumas rachaduras na minha couraça. Foi meio como um renascimento, principalmente pelo fato de ter me apresentado tantas coisas novas e pessoas incríveis que seriam meus guias nessa nova etapa da minha jornada.

Além das pessoas e dos lugares que frequentei, tive acesso a muitos, muitos livros mesmo, e eu, como devoradora ávida de letras, amei!

Talvez, olhando de fora, você possa pensar que muito tempo foi perdido e que desperdicei energia com tantas abordagens diferentes. Mas, esse foi o meu caminho e hoje consigo perceber que tudo o que aconteceu comigo teve um motivo, nada é fruto do acaso. Todas essas pessoas que me ajudaram, todos os livros que li, todas as discussões com a minha mãe, toda essa busca sem, na época, saber pelo o quê, me trouxeram até esse momento e fizeram de mim o que sou hoje: uma amante do autoconhecimento que aprendeu a se amar enquanto se redescobria. Então, definitivamente, tudo valeu a pena.

Nenhum conhecimento é jogado fora, fica tudo guardadinho dentro da gente. E acredito que, em algum momento, todos esses “pontinhos” se conectam e nos levam a um lugar novo, inesperado e que faz muito sentido.

A pergunta universal

a pergunta universal - doce cotidiano

Será que sou boa o bastante?

Todo mundo se sente incapaz e se questiona em algum momento da vida?

Sempre duvidei de mim mesma e, por mais que soubesse que era boa em algo, sempre pensei que não era boa o suficiente. O suficiente pra mim, o suficiente pro outro, o suficiente para obter sucesso. E, mesmo sabendo que me comparar com o outro era a certeza da frustração, eu não conseguia deixar de pensar que sempre existiria alguém melhor do que eu.

Eu sei que cada um tem algo único para contribuir, sei também que não é importante o quanto o outro é bom em algo, porque ninguém tem a mesma combinação de características que eu tenho, portanto, temos coisas diferentes a oferecer. Mas, ainda assim, me questiono, me coloco pra baixo, me imponho limites e não ouso ultrapassá-los.

Pensar que eu não sou boa o suficiente não me incentiva a perseverar, na verdade, é um sentimento castrador. Para algumas pessoas pode ser que tenha o efeito contrário, talvez, para elas, o NÃO seja um impulso para buscar o SIM.

Acho que o autoconhecimento é tão importante justamente por causa disso! A gente precisa entender que tipo de pessoas nós somos frente aos desafios para saber como lidar com eles. Não existe uma regra universal, a fórmula é quase tão individual quanto a impressão digital; cada um tem a sua.

Olhar pro lado, pra mim, só é bom se for para buscar inspirações; porque se eu busco algum incentivo, algum motivo, algo que me faça perseverar, devo olhar somente pro espelho.

Essa é a maneira que encontrei para lidar com as minhas dúvidas sobre mim e com o meu costume de desistir, e ainda estou tentando. É quase como tentar abandonar um vício; já tive inúmeras recaídas e talvez ainda tenha outras mais. O segredo é a persistência?

E você, o que você faz quando não se acha bom o bastante? O que te faz seguir em frente e não desistir?

Viver é um direito de todos

Viver é um direito de todos - Toda vida merece respeito - Toda vida é uma vidaTODA VIDA MERECE RESPEITO.

Quero falar um pouco sobre as mudanças que estou vivendo e o que me levou a essa escolha.

Eu cresci em uma família com churrascos aos fim de semana. Quase todos os finais de semana que estávamos no Camping do Jordão, em São Roque, entre familiares e amigos, rolava um churrasco no terraço do chalé 5. E, por mais frequente que isso fosse, por mais abundância de picanha que houvesse, eu confesso que nunca gostei do sabor, rolava até um nojinho da picanha, então eu não comia.

Quando íamos em rodízios de carne, eu me entupia de banana à milanesa – já cheguei a comer 8 em um só dia. As vezes que eu comia carne sem me importar com o gosto era: no lanche, no bife cheio de molho por cima ou cheio de cebola, quando a carne moída estava cheia de cenoura ou outro legume. Só recentemente me dei conta de que precisava disfarçar o gosto da carne com temperos variados. O que leva a uma conclusão muito simples e óbvia, eu nunca gostei do gosto da carne.

O frango eu comia bem temperado, a linguiça não me desagradava e já comi costelinhas várias vezes no Outback. Mas, acho que as coisas começaram mesmo a mudar no ano passado.

Há um tempo atrás eu tentei aderir ao vegetarianismo. Muitas vezes, na hora do almoço, eu ia num vegetariano perto do trabalho e sempre saía me sentindo leve e satisfeita. Parei de preparar carne em casa – já era algo raro, mesmo antigamente eu nunca gostei de preparar porque não suportava o cheiro de sangue -, quase não comia carne fora, exceto em lanches. Apesar de saber da crueldade envolvida na Agropecuária e na Indústria Leiteira, eu preferia não olhar, não ler, não assistir vídeos … eu fingia que não era comigo e continuava comendo carnes esporadicamente.

Outubro de 2015, estávamos em Santiago e fomos num restaurante que o Ciro ama, o Liguria; eu pedi uma massa com espinafre e ele pediu uma costelinha. Não sei dizer o que aconteceu comigo naquele dia mas, quando provei uma garfada da carne, senti nojo, o gosto me desagradou e eu não entendi. Foi a última vez que comi carne de porco.

Então, depois disso, cada vez que passávamos de carro por alguma fazenda e eu via as vacas e os bezerros eu me emocionava e sentia vontade de abraçá-los do mesmo jeito que abraço cachorros. O cheiro da carne de frango começou a me incomodar e nunca mais comi, o leite começou a me dar azia e não tomava mais no café da manhã e, aos poucos, as coisas que eu sentia foram fazendo sentido pra mim.

Viver é um direito de todos - Toda vida merece respeito - Toda vida é uma vidaTODA VIDA É UMA VIDA.

Piracanga também teve seu papel nessa história, aliás, um papel importantíssimo ao me apresentar a filosofia vegana. A sementinha da mudança que já morava em mim começou a germinar e me vi repensando todo o meu viver e as escolhas que eu havia feito até então. Que tipo que vida eu queria pra mim? Como cuidar melhor da minha saúde? Como causar menos impacto no meio ambiente? Descobri que uma das respostas era meio óbvia: eu precisava me alimentar de vida, não de morte.

Então, tirei o consumo de leite e derivados do meu cardápio e me deparei com a imensidão de substituições possíveis, e ainda estou aprendendo e sei que ainda há muito a descobrir.

Meu olfato me ajudou e me vi odiando o cheiro de ovo. Ficou fácil deixar de consumir!

Resolvi investigar minhas roupas e calçados a procura de itens de origem animal e fiz o mesmo com meus cosméticos e com os produtos de limpeza. Ainda estou pesquisando quais são as empresas que utilizam produtos de origem animal em suas fórmulas e quais testam em animais.

Sei que é algo que, inicialmente, requer tempo de pesquisa, disposição pra sair da zona de conforto e mudança de velhos hábitos. Ainda estou engatinhando nesse novo mundo, mas tenho certeza de que vale a pena. Tenho um longo caminho pela frente e muitas coisas para aprender, mas estou me divertindo no processo.

As pequenas bênçãos que não vemos

Outro dia encontrei uma lista que eu fiz há uns bons anos. Eu ainda trabalhava no banco, estava extremamente infeliz, deprimida e sem perspectivas. Nessa lista eu escrevi algumas ideias para continuar viva. Sim, escrevi exatamente assim: “ideias para continuar viva”! Eu sei, é muito drama, mas é como eu estava me sentindo na época.

Essas ideias eram pequenas coisas que eu gostaria de fazer no apartamento – ele é muito antigo e várias coisas me incomodavam -, como pintar o rejunte do banheiro, mudar a cor das paredes do apartamento, pintar a varanda que estava sem cor desde que eu me mudei, trocar o armário da pia da cozinha, instalar mais tomadas nas paredes, mudar as almofadas, comprar um suporte para colocar os sapatos ao chegar em casa … pequenas coisas para deixar o apartamento mais aconchegante.

Sabe o que eu percebi ao reler a lista? Que, no decorrer dos meses e anos, 100% de tudo o que queria estava feito e eu não tinha me dado conta.

Fiquei pensando, quantas vezes pedimos e sonhamos com algo e, ao conseguirmos, não percebemos que realizamos nossos desejos antigos.

Será que é ingratidão ou é só falta de atenção mesmo?

A gente se dá conta e agradece por todas as oportunidades, acontecimentos e felicidades? A gente percebe cada pequena bênção disfarçada? Há um ano eu escrevi sobre isso e, alguns meses depois, esqueci de tudo e voltei a viver no piloto automático.

Acho que está na hora de voltar com o antigo hábito de fazer um diário de gratidão. Antes de dormir, eu devo escrever pelo menos três coisas pelas quais sou grata no meu dia e, mesmo nos piores dias, vou perceber que ainda existe motivo para agradecer; nem que seja a comida na geladeira, um teto sobre a minha cabeça e uma cama confortável pra dormir.

Reencontrando o que me faz bem

Uau, já faz um bom tempo que não apareço por aqui.

Às vezes, a gente se perde um pouco da gente e não consegue se achar, né? E a gente pode se perder tanto que aquilo que seria óbvio fica um tanto nebuloso.

Eu, que escrevi uma monografia sobre a escrita como forma de cura terapêutica na Fonoaudiologia; Eu, que escrevo desde sempre pra ressignificar meus pensamentos e sentimentos; Eu, que passei a adolescência escrevendo quase como uma forma de sobrevivência … Sim, EU, eu me esqueci disso por um tempo e deixei de escrever.

Sei lá o que acontece com a gente que nos afasta de quem somos, do que é importante, do que faz sentido, do que toca o coração.

Parece que depois desse período de mergulho intenso em mim eu precisei de um novo ar. Subi pra tomar fôlego e me distraí com a nova vista. Perdi o foco, fiquei boiando e deixei a correnteza me levar pra onde ela quisesse. Abri os olhos e me vi meio perdida.

Estou assim nesse momento, tentando reconhecer algo dessa paisagem, tentando voltar pra casa, tentando voltar pra mim.

Voltei a meditar, ainda não tão regularmente quanto quero e preciso.

Voltei a escrever nos meus cadernos, mas não conseguia compartilhar nada com ninguém.

Sabe quando você sente que é a única pessoa que está pra trás? E eu sei que tem uma galera gigantesca que está nesse mesmo barco, sentindo que está afundando e sem saber o que fazer. Pulo do barco? Uso um balde pra tirar essa água toda que está entrando? Grito por socorro? Rezo por uma salvação externa?

Infelizmente, somos muitos. Ou, felizmente? Podemos juntar forças pra sairmos dessa juntos?

Eu fiquei um tempo sem querer dividir esse sentimento, talvez por não querer admitir que ainda me sinto assim, mesmo depois desse período maravilhoso fora do trabalho que eu odiava, mesmo depois das viagens e dos lugares incríveis que conheci, mesmo depois das experiências transformadoras que vivi, ainda não sei o que quero fazer.

Sei que nenhum passo dado é um desperdício, tudo o que fiz até agora está me levando pra um lugar. Eu ainda não sei que lugar é esse (e não estou falando de um lugar físico necessariamente), mas sei que se continuar caminhando e seguindo minha intuição, eu chego lá.

Por enquanto, vou voltar a fazer o que gosto e o que me salva, escrever.

Escrever pra tentar alinhar meus pensamentos, pra elaborar sentimentos, pra me lembrar do que gosto, pra estabilizar um pouco essa montanha russa interminável.