Autoconhecimento

Deixando o passado em seu lugar – Seguindo em frente!

Deixando o passado em seu lugar

Passei tanto tempo brigando com o meu passado, me culpando por atitudes impensadas, investigando como eu poderia ter feito diferente, o que eu teria falado, como eu teria agido, e gastei tanto tempo e energia olhando pra trás que deixei de ver o que estava bem na minha frente.

Não tem como estar 100% no presente se minha mente não deixa o passado em paz.

Tudo o que eu fiz foi agir com as ferramentas que eu tinha na época e sei que dei o melhor que eu tinha pra dar.

Então, mesmo sabendo de tudo isso, por que ainda permito que velhos fantasmas assombrem o meu agora me impedindo de agir?

Você já percebeu quanto tempo a gente desperdiça e quantas oportunidades são perdidas porque temos medo de que traumas passados se repitam? Posso arriscar dizer que, na maioria esmagadora das vezes, esses “acontecimentos traumáticos” foram fatos que só ocorreram uma única vez e, ainda assim, ficamos com receio de que eles aconteçam de novo.

Semana passada, assistindo um Periscope da Lígia Fabreti, ela disse duas frases que me impactaram muito:

“A gente passa a vida nos protegendo de coisas que já aconteceram”.

E não é que é verdade? Cada vez que nos “protegemos” do passado deixamos de viver um tanto do presente.

O passado já foi, não tem nada que podemos fazer para mudá-lo. E eu não posso deixar de me perguntar: eu quero mesmo mudá-lo? Se eu pudesse voltar e alterar as coisas que me incomodam hoje, eu alteraria? Eu faria alguma coisa diferente?

“Se a gente fosse tentar apagar o nosso passado o nosso eu do presente não existiria”.

E, mesmo com as pequenas dores, as dúvidas, os medos e inseguranças, eu não quero ser nenhuma outra pessoa que não seja eu. A Silvia de hoje é o resultado de cada escolha, palavra e atitude tomada em todos esses anos. E eu aprendi a amar essa Silvia.

Então, quando eu olhar para o passado, que seja para agradecê-lo! Eu aprendo com ele e o deixo em seu lugar. Se surgir alguma ocasião em que eu possa fazer algo melhor e com mais sabedoria do que antes, eu farei! Se eu tiver a oportunidade de me redimir dos erros cometidos e dos quais eu me arrependo, eu pedirei perdão. E me perdoarei também!

Consistência x Desistência – Como sair do labirinto?

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Alguns meses antes de viajar para o Chile, eu tinha iniciado uma mudança de hábitos. Estava tentando me alimentar melhor, me exercitando quase diariamente e bebendo mais água do que bebia antes (uns 2 litros a mais). A ideia, como sempre, era levar essa mudança para a vida e fazer dela a minha nova rotina.

Mas, tem algo que ainda não é uma característica minha: CONSISTÊNCIA.

Infelizmente, eu sou daquele tipo de pessoa que tende a desistir perante às dificuldades e obstáculos diários.

Então, como estava viajando e passava a maior parte do tempo na rua, eu diminuí drasticamente a quantidade de água ingerida, não me alimentei tão bem quanto poderia e, logo depois de machucar meu dedão do pé na primeira semana, eu parei de me exercitar como antes. Fora as caminhadas pela cidade, eu não fiz mais nada.

Como resultado desses 26 dias eu ganhei uma pele super seca e envelhecida (eu parecia uns 10 anos mais velha), um cansaço irreconhecível (talvez tenha sido a soma da desidratação e da má alimentação), uma pancinha bem inchada e um humor oscilante.

É claro que, logo que eu cheguei, a primeira coisa que fiz foi voltar à antiga rotina. Mas, às vezes, me sinto como aquelas pessoas que fazem mil promessas para o novo ano, que dizem que começam tal coisa na segunda-feira e, logo que a empolgação inicial diminui, voltam para a vida de antes e se esquecem dos seus objetivos e sonhos.

Há anos eu começo e paro, recomeço e paro de novo. Entro num ciclo de autoboicote sem fim e fico me perguntando onde está a saída desse LABIRINTO. Talvez, seja mais difícil persistir e seguir em frente porque não tenho fortes motivações, talvez eu seja preguiçosa e acomodada, talvez eu tenha medo do resultado dessa mudança. E, mais uma vez, o medo volta a fazer parte da equação.

Por hora, procuro não ficar encanando com os porquês e tento incorporar essa vida saudável à minha rotina esperando que, um dia, tudo isso se torne algo natural e impensado, como o respirar.

Medo da luz

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Sim, eu sei. Eu sumi!

A ideia inicial era escrever durante a viagem, era não abandonar o blog. Mas, não consegui.

Apesar de estar em um lugar inspirador, que povoa a minha mente de ideias e possibilidades, eu travei. E, mesmo querendo ser consistente, mesmo querendo mudar e não ser aquela pessoa que desiste frente às dificuldades, eu fui a mesma Silvia de sempre e me acomodei.

Não gosto de admitir que eu tenho permitido que antigos medos voltem a me perturbar deixando tudo um tanto mais difícil. Não é medo de me expor e já não sei se é o medo de não ser boa. Também não é o medo de falhar, o pior medo sempre foi o de ser bem sucedida. Acho que está tudo meio confuso por aqui.

Então, eu abraço a minha criança interna que, por tanto tempo, teve medo do escuro, e a abraço um pouco mais forte porque percebo que hoje ela tem medo da luz.

Sim, a luz me assusta. A minha luz me assusta. Estou tão acostumada a lidar com a minha sombra que acabei esquecendo que existe o outro lado em mim.

A doçura que tentei sufocar com a minha rebeldia. A sensibilidade que sempre enxerguei como fraqueza. A positividade que permiti ser minada pela negatividade que sempre nos cerca. O amor que eu carrego e que me neguei a dar.

Hoje eu quero sair desse canto escuro que já não combina mais comigo. Quero voltar às cores que tirei do meu armário. Quero reencontrar aquela menina cheia de sonhos, de vontades e desejos, e quero dar a mão a ela para que, juntas, possamos caminhar em direção à luz.

Autoestima baixa e os meus relacionamentos

Autoestima baixa e os meus relacionamentos

Eu só consigo falar sobre algo se colocar um pouco de mim no meu texto. Como eu poderia falar de amor e relacionamentos se eu nunca tivesse vivido isso? Ficaria muito teórico e genérico, não é verdade?

Então eu vou contar um pouco da minha história. Comecei a namorar na adolescência e, desde então, tive 5 namorados mais sérios e, um deles já namorei 2 vezes em períodos diferentes e até cheguei a me casar e me divorciar desse mesmo namorado. Uau, que confusão!

Apesar de não me desgostar quando me olho no espelho e até me achar bonita na maior parte do tempo, no passado não foi assim. Uma autoestima baixíssima me acompanhou durante boa parte da minha infância, durou toda a adolescência e persistiu até o início da vida adulta.

Esse complexo de inferioridade era disfarçado por um comportamento expansivo e brincalhão, eu enfatizava e satirizava os meus defeitos, eu ria deles com os outros antes que rissem de mim pelas costas.

Não vou entrar na questão dos porquês desses sentimentos, não acho que isso seja relevante agora (podemos falar sobre isso depois). O importante é saber que isso fez parte da minha história, faz parte de quem eu sou hoje e das escolhas e atitudes que tomo diariamente.

Por muito tempo eu fiquei no escuro. Eu não conseguia enxergar a conexão das minhas atitudes com a minha autopercepção. Eu não entendia que a autoestima baixa me fazia boicotar meus relacionamentos, e isso acontecia porque eu não me achava merecedora de receber amor e carinho. E esse autoboicote acontecia toda vez que eu criava problemas antes inexistentes, principalmente pelo fato de me sentir sempre insegura e, com isso, cobrar do outro atitudes para alimentar a minha autoconfiança. Quem consegue suprir todas as carências do outro? Ninguém!

Demorou muito tempo, muito tempo mesmo, para eu perceber um padrão destrutivo nos meus relacionamentos. E não estou aqui me lamentando pelo o que fiz ou deixei de fazer no passado, porque eu não lamento. Na verdade, sou grata por cada tiquinho da minha história, por cada passo que dei, “errado” ou não, porque isso foi o que me trouxe aqui.

Mas, naquela época, isso causou mágoas, em mim e no outro. É claro que, se eu soubesse o que sei hoje e tivesse mais maturidade emocional, as coisas teriam sido diferentes e menos sofridas. Mas esse processo, em mim, levou o tempo que tinha que levar.

E o que eu posso fazer hoje para que não cometa os mesmos erros do passado? Como posso impedir que os meus momentos de insegurança afetem o meu relacionamento?

Acho que reconhecer o “problema” é o primeiro passo. Como diz a Paula Abreu, devemos jogar luz na escuridão. Trazer à consciência tudo o que eu escondo, reconhecendo meus medos e minhas inseguranças, facilita e muito esse processo. Cada vez que eu consigo perceber que determinado pensamento ou atitude é movido pelo autoboicote – antes ou durante o acontecimento -, só o fato de reconhecê-lo já o enfraquece um pouco e fica mais fácil lidar com ele.

E você, como lida com a autossabotagem?

5 Coisas que me desconectam de mim

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1. Dizer SIM quando eu quero dizer NÃO

Dizer não sempre foi algo difícil pra mim, principalmente para estranhos. Engraçado, né?

Algumas das situações que sempre me deixaram incomodada em dizer NÃO: em relações que não me sinto 100% confiante; quando estou com pessoas que não tenho intimidade ou quando me sinto “coagida” ou ” inferior” numa posição hierárquica e no início da minha vida afetiva, quando minha autoestima era baixa.

Usei o verbo no passado porque já não funciono assim o tempo todo. Não vou dizer que isso é fácil hoje em dia, porque não é, ainda tenho que exercitar essa prática, mas posso afirmar que melhorei bastante.

Dizer SIM quando eu quero dizer NÃO é algo que me desconecta de mim porque me faz sentir falsa e pequena.

2. Quando perco a paciência

Não sei dizer se sempre fui impaciente, talvez você possa dizer que sim, e essa minha impaciência costuma trazer com ela uma certa dose de agressividade.

Não é uma agressão física, o que rola é só verbal. Também não posso dizer que é verbal, porque a palavra pode ferir mais do que um tapa, e esse sempre foi um “dom” meu.

Os anos passaram, aprendi muitas coisas, adquiri um tanto de consciência e, com ela, a necessidade de ser gentil, de abraçar a minha sombra e usá-la somente para o bem. Então, toda vez que deixo a impaciência se transformar em agressividade (sim, isso ainda acontece), sinto que me perdi de mim.

3. Quando tento agradar alguém fazendo algo que eu não quero

Fico feliz em dizer que isso já não é um acontecimento frequente, não mais! Hoje é mais fácil não me ferir dessa forma. Mas não foi sempre assim.

Nos meus relacionamentos do passado, nos afetivos principalmente, eu tinha uma tendência de tentar agradar o parceiro. É provável que essa necessidade venha da minha baixa autoestima. Eu não acreditava que poderia ser amada sendo eu mesma o tempo todo, então, criava essa personagem “namorada que gosta do que você gosta”.

Isso era muito ruim por dois motivos, primeiro porque essa “mentira” não tinha como se sustentar por tanto tempo, mais cedo ou mais tarde a máscara caía; segundo porque eu sentia que estava traindo a mim, e me decepcionava comigo.

4. Quando me alimento mal e paro de me exercitar por um longo período de tempo

Eu cresci comendo alimentos saudáveis, não sou da geração fast food e Coca-Cola. Refrigerante era exceção e os lanches eram feitos em casa. Minha infância me fez gostar de comidas caseiras e muita verdura e legume.

Não vou dizer que não como besteiras, como e gosto, mas meu corpo reclama se como lixo por muito tempo.

Quando tenho minhas fases meio deprê, o autoboicote rola solto. Deixo de fazer qualquer atividade física que me faça bem e exagero nas gordices. É meio como uma autopunição. Nesses momentos deixo de ser eu e encarno essa mulher cansada e preguiçosa.

5. Quando fico no piloto automático

Sabe quando você faz as coisas sem pensar? Ou quando vive se deslocando das lembranças do passado para as possibilidades do futuro e deixa o momento presente suspenso? Pra mim, isso é o piloto automático.

É o não estar atenta ao agora, é deixar de respirar ou respirar rápido demais. É quando falo as coisas sem pensar ou por hábito, sem saber se aqueles pensamentos são meus ou se são apenas repetições.

Eu estive desconectada de mim por um longo período de tempo. Eu sentia que havia me perdido do meu eu interior, eu estava surda para a minha intuição e me sentia falsa o tempo todo. É triste se perceber assim, mas também é bom.

Se perceber é bom. Despertar é bom. Me permitir ser eu mesma de novo é ótimo! Não quero mais me perder de mim.

E você, o que te desconecta de si mesmo?