Autoconhecimento

O bolo, o traçado, o calçado e um corpo saudável

O bolo, o traçado, o calçado e um corpo saudável - doce cotidiano

Outro dia fui fazer um bolo, adoro fazer bolos caseiros e adoro mais ainda comê-los. Na descrição da receita mandava aquecer o forno a 180º C e isso não seria um problema se meu fogão não fosse bem velhinho e se a temperatura do forno se mantivesse nos 180º. Toda vez que tento abaixar o fogo, o forno apaga. Já testei inúmeras vezes mas o forno não se mantém aceso. Resultado, tenho que assar o bolo a 200º, no mínimo. Para algumas receitas isso não influencia tanto no resultado final, já para outras, a qualidade do bolo deixa a desejar.

Na época do ensino médio tinha uma disciplina chamada Desenho de Arquitetura – fiz colégio técnico em Edificações no Liceu de Artes e Ofícios de São Paulo -, e tínhamos que fazer projetos no papel vegetal com caneta nanquim. Foi uma fase um pouco traumática pra mim porque eu nunca tinha tirado uma nota baixa na vida e comecei a tirar várias nessa matéria. Meu traçado nunca ficava bom. Me senti realmente incompetente até o meu professor me chamar na mesa dele pra conversar; acho que ele também estava cansado de me dar tantas notas vermelhas. Ele me perguntou quais eram as minhas canetas nanquim, então mostrei a ele e disse que tinham sido da minha irmã, elas estavam com a ponta um pouco estragadas e no mesmo momento ele me disse que eu precisava de um novo estojo. Naquela semana minha mãe comprou pra mim e eu nunca mais tirei notas abaixo da média naquela disciplina.

Há uns anos atrás eu peguei um busão para ir até a cidade dos meus pais e resolvi ir a pé da rodoviária até a casa deles – na época era um inferno conseguir um ônibus que fosse até lá e os táxis eram muito caros; o trajeto leva quase uma hora de caminhada mas eu adoro porque a vista do parque ecológico é linda demais. Eu estava usando o tão controverso Crocs (alguns odeiam, outros adoram, outros usam envergonhadamente porque são feios demais … eu acho feio mas confortável e, naquele momento, estava pouco me importando com a opinião alheia) e não pensei que seria um problema caminhar por tanto tempo com eles na pista de caminhada do parque que, naquela época, era coberta com areia. Pouquíssimos quilômetros depois meu pé estava esfolado, machucado, ardendo e quase sangrando. Se eu tivesse usado um tênis, isso não teria acontecido.

O que essas três histórias têm em comum?

Não importa se eu sou a melhor chefe de cozinha do mundo e meus bolos são divinos, não importa se tenho uma mão firme e meus traçados são sempre uniformes e perfeitos, não importa se tenho uma disposição do caralho e consigo andar quilômetros e quilômetros sem me cansar, se o material que eu usar não estiver funcionando direito ou não for apropriado – meu forno, minhas canetas, meu calçado, ou o que for -, o resultado final não ficará bom.

Eu, que gosto de analisar tudo, comparar e dissecar acontecimentos, fiquei pensando na relação dessas histórias com a saúde física e mental, com os relacionamentos, com a saúde financeira … e por aí vai.

E, percebi que o que importa não é só a minha intenção e boa vontade, preciso também de ferramentas que me permitam alcançar meus objetivos satisfatoriamente, e acho que onde mais senti esse impacto foi na minha alimentação. Como eu esperava estar saudável se ingeria tanto “veneno”?

Da mesma forma que preciso de um forno funcionando para assar meus bolos, de boas canetas para um traçado preciso, de um calçado adequado para cada tipo de caminhada; preciso de alimentos saudáveis diariamente, porque meu corpo não foi feito para suportar, por tanto tempo e sem adoecer, a ingestão de tanto lixo.

A reconciliação e as estrelas cadentes

a reconciliação e as estrelas cadentes - doce cotidiano

Em novembro de 2015 eu escrevi sobre o passado nesse post aqui. Esse assunto é algo ainda recorrente na minha vida, e não é porque me apego a ele querendo que o tempo volte, nem porque não consigo esquecer os traumas antigos.

Ele é um tema importante porque, nessa viagem de autoconhecimento, eu percebi que repito certos comportamentos que são meio autodestrutivos. Descobri um padrão nas minhas ações, escolhas e pensamentos e, não querendo continuar nesse círculo vicioso, resolvi encarar o problema de frente.

Todos os dias gosto de ler a “Flor do dia” do Sri Prem Baba, no Facebook. Sempre tem algo que faz sentido pra mim e vejo uma luz se acender. Quantos insights ocorreram ao ler um simples parágrafo!

Na semana retrasada eu assisti uma palestra sobre relacionamento e, no meio de uma dinâmica, o passado bateu forte na minha porta.

Dois dias depois eu leio a flor do dia e sinto outra batida.

“Quando desenvolve a habilidade da auto-observação e da atenção plena, a sua memória desperta e você começa a lembrar de situações e imagens; você abre os porões do inconsciente e inicia uma limpeza. Limpar os porões significa liberar sentimentos guardados, fechar contas abertas (mágoas e ressentimentos) e se harmonizar com o passado, para finalmente poder sustentar a presença. Pois o que te tira da presença é o passado.”

Então, no dia seguinte, outra vez.

“Para ancorar a presença é preciso fechar as contas com o passado, o que significa poder olhar para trás e agradecer à cada pessoa que passou na sua vida. Onde existe ingratidão existe acusação; onde existe acusação, existe um coração fechado. Em outras palavras, existe uma ferida a ser tratada. Pois é essa ferida que te mantém preso ao passado. Com isso, eu lhe convido a fazer uma reflexão: se, nesse momento, a vida lhe convidasse a deixar o corpo, você estaria pronto? Se a resposta é não, procure identificar porquê. O que você estaria deixando para trás inacabado? Quais são as contas abertas que você estaria deixando? Somente quando puder fechar essas contas do passado, você poderá viver plenamente o presente.”

Algumas respostas para minhas perguntas estão lá atrás. Faço essa revisitação desarmada, não é uma caça às bruxas, não procuro culpados. A intenção é aprender, entender, soltar amarras, reconciliar.

Perdoar e libertar.

Por que faço o que faço hoje, da forma que faço?

De onde vem certos medos?

Algumas pessoas preferem deixar o passado intocado e esquecido e o que importa é só o agora.

Nesse ponto eu concordo, o agora é o que importa. Mas, tem sempre um mas pra mim, para que eu possa estar 100% presente no presente, de coração e alma, preciso fazer as pazes com o que já foi.

Pra mim é importante ter essa consciência, não tenho medo de mexer nesse vespeiro e encarar antigas dores, porque eu sei que é necessário e faz parte do meu processo de cura.

Desde que reiniciei minha jornada de autoconhecimento, há quase dois anos atrás, o Universo foi colocando pessoas especiais no meu caminho. Algumas delas surgiram tão inesperadamente que eu as comparo às estrelas cadentes que vi no céu de Piracanga. A gente tem que estar atento pra enxergar e, quando as vemos, nunca mais esquecemos da experiência. A elas, sou eternamente grata.

Essas pessoas iluminaram o meu caminho me ajudando a enxergar o que eu mantinha no escuro: meus medos, minhas mágoas, minhas dores …. me fazendo entrar num processo profundo e intenso de limpeza e me mostrando que essa é a hora de me reconciliar com a minha sombra.

Pro bem ou pro mal, o contato com o ser humano sempre nos ajuda a evoluir.

Enquanto vou fazendo as pazes com o que já foi, abro um espaço em mim para viver o que é.

O vício da explicação e o tempo

o vicio da explicação e o tempo

Estava pensando sobre a minha necessidade de me explicar o tempo todo. Explicar meus sonhos, meus pensamentos, minhas ações, minha falta de ação …. Explicar pra qualquer um. Meio que tentando me justificar por algo. Algo que não sei o que é.

Você se sente ou já se sentiu assim?

Pra mim, isso também se relaciona com a minha permissividade. Eu demorei pra perceber que era permissiva, principalmente porque fui uma adolescente rebelde. Mas, eu tinha essa rebeldia só dentro de casa, na segurança do amor dos meus pais e meus irmãos. Quando tinha que me posicionar fora de casa, eu me calava. Hoje consigo enxergar isso.

Meio que dá uma vergonha (olha aqui a preocupação com os outros de novo) de admitir isso. Nunca me defendi, nunca defendi causas que eu acreditava, pelo menos não abertamente. E acho que era por medo. Medo de sair de cima do muro, escolher um lado e, de repente, me descobrir sozinha.

Mas, por que esse medo de ficar sozinha?

Pra mim tem a ver com a minha baixa autoestima naquela época, o fato de não gostar de mim mesma e aquele sentimento eterno de inadequação. Eu não queria me sentir sozinha porque não gostava da minha companhia. Talvez, por isso, sempre engatei um namoro atrás do outro, nunca me permiti ficar só comigo, me curtir um pouco, me descobrir. Cara, faço isso desde que comecei a namorar, bota uns 20 anos nisso. Parece muito tempo, né?

Mas, não gosto muito de falar de TEMPO, pelo menos não ultimamente, porque junto vem aquela velha cobrança, autoimposta e imposta pela sociedade; como se existisse um período máximo para alcançarmos nossos sonhos, para sermos felizes, para encontrarmos nosso propósito.

Aquele relógio da cobrança nunca para, está sempre correndo e te lembrando que você ainda não fez nada realmente importante, que você não encontrou suas respostas, que você ainda não sabe se quer ser mãe, que você já tinha que saber de tudo isso há muito tempo.

Será? Será que eu já deveria saber disso? Quem define esse momento? Quem sabe o momento certo pra mim? Pra você?

A gente vai vivendo no piloto automático, fazendo o que esperam de nós, decidindo nosso futuro profissional quando somos jovens demais, esquecendo que sempre podemos mudar de escolhas, de ideias, de amores, de vida.

Estou acordando aquela adolescente rebelde, quero apresentá-la para a criança doce e meiga que eu fui e trazê-las de volta pra mim. Porque eu quero a doçura, quero a indignação que gera ação, quero a gentileza, a força, a coragem, o amor próprio, quero tudo o que fez e faz parte de mim.

Quero continuar buscando e não desistir, mesmo quando me disserem que é inútil e que não existe nada a buscar. Porque eu sei que dentro de mim isso existe, eu só não consegui acessar.

Ainda!

O que está fora também está dentro

Segunda-feira eu voltei do Rio de Janeiro depois de um fim de semana super intenso e cheio de aprendizado no evento LSA – Life Style Academy, criado pela escritora e Coach de Alta Performance Paula Abreu (a mesma que criou o PESV – Programa Escolha Sua Vida que eu fiz esse ano).

Foram 3 dias completamente preenchidos de palestras com profissionais incríveis de diversas áreas, uma plateia com 500 pessoas buscando uma vida com mais PROPÓSITO, uma troca de energia muito boa, muitos abraços, risos e lágrimas, introspecção e descobertas.

Pude abraçar pessoas maravilhosas que eu só conhecia no mundo virtual e foi tão bom saber que elas realmente existem! Conheci pessoas com quem me identifiquei quase que instantaneamente, abrindo meu coração para o novo.

Me senti eu mesma e isso foi libertador. Acho que eu não me sentia assim há muito tempo.

Confesso que eu tinha criado expectativas antes de ir, mas não me decepcionei. Na verdade, eu me surpreendi. Fiquei surpresa porque o que mais me impactou foi o que eu menos imaginei.

Quem me conhece sabe que sou extremamente sensível, tudo me emociona e me toca, tudo mesmo, eu costumo dizer que o meu coração tem uma ligação direta com a minha glândula lacrimal – eu choro com quase tudo. Minha emoção se expressa por lágrimas. E tudo bem! Já entendi e aceitei que sou assim.

Consequentemente, como me emocionei várias vezes nesses 3 dias, eu chorei várias vezes também. E tudo bem de novo, porque depois da cirurgia meus olhos vivem secos e me incomodando, então foi bom hidratá-los um pouco hehe.

Bom, voltando ao que eu queria dizer … Eu passei anos fugindo da espiritualidade, isso porque eu não conseguia diferenciá-la das religiões. E, como não sigo nenhuma religião, por diversos motivos que não vou entrar em detalhes hoje, eu criei uma certa barreira com isso.

Eu acredito que não preciso de uma religião para me conectar com Deus/Universo/Eu Superior, tudo o que eu preciso sempre esteve dentro de mim, tudo o que precisamos está dentro de nós. Cada um segue aquilo que mais lhe tocar a alma e fizer sentido. Então, eu descobri que não preciso de uma religião para vibrar o amor.

Quase todas as palestras me tocaram profundamente, mas 2 delas foram um chamado ao meu coração. E as duas tinham a ver com ESPIRITUALIDADE. Sabe quando você sente que tudo o que foi falado é direcionado a você? Como se o palestrante te conhecesse e estivesse falando exclusivamente para você? Eu me senti assim. E foi mágico!

Percebi que preciso me reconectar com o Eu Superior que me habita, para fortalecer a minha energia e proteção, para direcionar com mais foco todo esse amor e sensibilidade que faz parte de mim e que, muitas vezes, transborda sem eu saber como agir.

Entendi que vim para essa vida para dar, muito mais do que para receber, e redescobri que a minha missão é ajudar outras pessoas, que assim como eu, não se sentem livres para serem quem são. A partir do momento que sou eu mesma e que sigo a minha verdade, eu possibilito que o outro se liberte também. E libertação é algo extremamente poderoso!

Afinal, o nosso propósito principal é sermos quem somos! Então, o negócio é tirar cada máscara que um dia vesti para pertencer, é me despir da armadura que me afasta de mim e da minha luz, é mostrar a minha vulnerabilidade para me conectar mais profundamente com o outro. EU SOU, e isso basta!

Deixando o passado em seu lugar – Seguindo em frente!

Deixando o passado em seu lugar

Passei tanto tempo brigando com o meu passado, me culpando por atitudes impensadas, investigando como eu poderia ter feito diferente, o que eu teria falado, como eu teria agido, e gastei tanto tempo e energia olhando pra trás que deixei de ver o que estava bem na minha frente.

Não tem como estar 100% no presente se minha mente não deixa o passado em paz.

Tudo o que eu fiz foi agir com as ferramentas que eu tinha na época e sei que dei o melhor que eu tinha pra dar.

Então, mesmo sabendo de tudo isso, por que ainda permito que velhos fantasmas assombrem o meu agora me impedindo de agir?

Você já percebeu quanto tempo a gente desperdiça e quantas oportunidades são perdidas porque temos medo de que traumas passados se repitam? Posso arriscar dizer que, na maioria esmagadora das vezes, esses “acontecimentos traumáticos” foram fatos que só ocorreram uma única vez e, ainda assim, ficamos com receio de que eles aconteçam de novo.

Semana passada, assistindo um Periscope da Lígia Fabreti, ela disse duas frases que me impactaram muito:

“A gente passa a vida nos protegendo de coisas que já aconteceram”.

E não é que é verdade? Cada vez que nos “protegemos” do passado deixamos de viver um tanto do presente.

O passado já foi, não tem nada que podemos fazer para mudá-lo. E eu não posso deixar de me perguntar: eu quero mesmo mudá-lo? Se eu pudesse voltar e alterar as coisas que me incomodam hoje, eu alteraria? Eu faria alguma coisa diferente?

“Se a gente fosse tentar apagar o nosso passado o nosso eu do presente não existiria”.

E, mesmo com as pequenas dores, as dúvidas, os medos e inseguranças, eu não quero ser nenhuma outra pessoa que não seja eu. A Silvia de hoje é o resultado de cada escolha, palavra e atitude tomada em todos esses anos. E eu aprendi a amar essa Silvia.

Então, quando eu olhar para o passado, que seja para agradecê-lo! Eu aprendo com ele e o deixo em seu lugar. Se surgir alguma ocasião em que eu possa fazer algo melhor e com mais sabedoria do que antes, eu farei! Se eu tiver a oportunidade de me redimir dos erros cometidos e dos quais eu me arrependo, eu pedirei perdão. E me perdoarei também!

Consistência x Desistência – Como sair do labirinto?

labirinto

Alguns meses antes de viajar para o Chile, eu tinha iniciado uma mudança de hábitos. Estava tentando me alimentar melhor, me exercitando quase diariamente e bebendo mais água do que bebia antes (uns 2 litros a mais). A ideia, como sempre, era levar essa mudança para a vida e fazer dela a minha nova rotina.

Mas, tem algo que ainda não é uma característica minha: CONSISTÊNCIA.

Infelizmente, eu sou daquele tipo de pessoa que tende a desistir perante às dificuldades e obstáculos diários.

Então, como estava viajando e passava a maior parte do tempo na rua, eu diminuí drasticamente a quantidade de água ingerida, não me alimentei tão bem quanto poderia e, logo depois de machucar meu dedão do pé na primeira semana, eu parei de me exercitar como antes. Fora as caminhadas pela cidade, eu não fiz mais nada.

Como resultado desses 26 dias eu ganhei uma pele super seca e envelhecida (eu parecia uns 10 anos mais velha), um cansaço irreconhecível (talvez tenha sido a soma da desidratação e da má alimentação), uma pancinha bem inchada e um humor oscilante.

É claro que, logo que eu cheguei, a primeira coisa que fiz foi voltar à antiga rotina. Mas, às vezes, me sinto como aquelas pessoas que fazem mil promessas para o novo ano, que dizem que começam tal coisa na segunda-feira e, logo que a empolgação inicial diminui, voltam para a vida de antes e se esquecem dos seus objetivos e sonhos.

Há anos eu começo e paro, recomeço e paro de novo. Entro num ciclo de autoboicote sem fim e fico me perguntando onde está a saída desse LABIRINTO. Talvez, seja mais difícil persistir e seguir em frente porque não tenho fortes motivações, talvez eu seja preguiçosa e acomodada, talvez eu tenha medo do resultado dessa mudança. E, mais uma vez, o medo volta a fazer parte da equação.

Por hora, procuro não ficar encanando com os porquês e tento incorporar essa vida saudável à minha rotina esperando que, um dia, tudo isso se torne algo natural e impensado, como o respirar.

Medo da luz

brotherhood-at-sunset-1-1244631

Sim, eu sei. Eu sumi!

A ideia inicial era escrever durante a viagem, era não abandonar o blog. Mas, não consegui.

Apesar de estar em um lugar inspirador, que povoa a minha mente de ideias e possibilidades, eu travei. E, mesmo querendo ser consistente, mesmo querendo mudar e não ser aquela pessoa que desiste frente às dificuldades, eu fui a mesma Silvia de sempre e me acomodei.

Não gosto de admitir que eu tenho permitido que antigos medos voltem a me perturbar deixando tudo um tanto mais difícil. Não é medo de me expor e já não sei se é o medo de não ser boa. Também não é o medo de falhar, o pior medo sempre foi o de ser bem sucedida. Acho que está tudo meio confuso por aqui.

Então, eu abraço a minha criança interna que, por tanto tempo, teve medo do escuro, e a abraço um pouco mais forte porque percebo que hoje ela tem medo da luz.

Sim, a luz me assusta. A minha luz me assusta. Estou tão acostumada a lidar com a minha sombra que acabei esquecendo que existe o outro lado em mim.

A doçura que tentei sufocar com a minha rebeldia. A sensibilidade que sempre enxerguei como fraqueza. A positividade que permiti ser minada pela negatividade que sempre nos cerca. O amor que eu carrego e que me neguei a dar.

Hoje eu quero sair desse canto escuro que já não combina mais comigo. Quero voltar às cores que tirei do meu armário. Quero reencontrar aquela menina cheia de sonhos, de vontades e desejos, e quero dar a mão a ela para que, juntas, possamos caminhar em direção à luz.

Autoestima baixa e os meus relacionamentos

Autoestima baixa e os meus relacionamentos

Eu só consigo falar sobre algo se colocar um pouco de mim no meu texto. Como eu poderia falar de amor e relacionamentos se eu nunca tivesse vivido isso? Ficaria muito teórico e genérico, não é verdade?

Então eu vou contar um pouco da minha história. Comecei a namorar na adolescência e, desde então, tive 5 namorados mais sérios e, um deles já namorei 2 vezes em períodos diferentes e até cheguei a me casar e me divorciar desse mesmo namorado. Uau, que confusão!

Apesar de não me desgostar quando me olho no espelho e até me achar bonita na maior parte do tempo, no passado não foi assim. Uma autoestima baixíssima me acompanhou durante boa parte da minha infância, durou toda a adolescência e persistiu até o início da vida adulta.

Esse complexo de inferioridade era disfarçado por um comportamento expansivo e brincalhão, eu enfatizava e satirizava os meus defeitos, eu ria deles com os outros antes que rissem de mim pelas costas.

Não vou entrar na questão dos porquês desses sentimentos, não acho que isso seja relevante agora (podemos falar sobre isso depois). O importante é saber que isso fez parte da minha história, faz parte de quem eu sou hoje e das escolhas e atitudes que tomo diariamente.

Por muito tempo eu fiquei no escuro. Eu não conseguia enxergar a conexão das minhas atitudes com a minha autopercepção. Eu não entendia que a autoestima baixa me fazia boicotar meus relacionamentos, e isso acontecia porque eu não me achava merecedora de receber amor e carinho. E esse autoboicote acontecia toda vez que eu criava problemas antes inexistentes, principalmente pelo fato de me sentir sempre insegura e, com isso, cobrar do outro atitudes para alimentar a minha autoconfiança. Quem consegue suprir todas as carências do outro? Ninguém!

Demorou muito tempo, muito tempo mesmo, para eu perceber um padrão destrutivo nos meus relacionamentos. E não estou aqui me lamentando pelo o que fiz ou deixei de fazer no passado, porque eu não lamento. Na verdade, sou grata por cada tiquinho da minha história, por cada passo que dei, “errado” ou não, porque isso foi o que me trouxe aqui.

Mas, naquela época, isso causou mágoas, em mim e no outro. É claro que, se eu soubesse o que sei hoje e tivesse mais maturidade emocional, as coisas teriam sido diferentes e menos sofridas. Mas esse processo, em mim, levou o tempo que tinha que levar.

E o que eu posso fazer hoje para que não cometa os mesmos erros do passado? Como posso impedir que os meus momentos de insegurança afetem o meu relacionamento?

Acho que reconhecer o “problema” é o primeiro passo. Como diz a Paula Abreu, devemos jogar luz na escuridão. Trazer à consciência tudo o que eu escondo, reconhecendo meus medos e minhas inseguranças, facilita e muito esse processo. Cada vez que eu consigo perceber que determinado pensamento ou atitude é movido pelo autoboicote – antes ou durante o acontecimento -, só o fato de reconhecê-lo já o enfraquece um pouco e fica mais fácil lidar com ele.

E você, como lida com a autossabotagem?

5 Coisas que me desconectam de mim

a-broken-flower-1351724

1. Dizer SIM quando eu quero dizer NÃO

Dizer não sempre foi algo difícil pra mim, principalmente para estranhos. Engraçado, né?

Algumas das situações que sempre me deixaram incomodada em dizer NÃO: em relações que não me sinto 100% confiante; quando estou com pessoas que não tenho intimidade ou quando me sinto “coagida” ou ” inferior” numa posição hierárquica e no início da minha vida afetiva, quando minha autoestima era baixa.

Usei o verbo no passado porque já não funciono assim o tempo todo. Não vou dizer que isso é fácil hoje em dia, porque não é, ainda tenho que exercitar essa prática, mas posso afirmar que melhorei bastante.

Dizer SIM quando eu quero dizer NÃO é algo que me desconecta de mim porque me faz sentir falsa e pequena.

2. Quando perco a paciência

Não sei dizer se sempre fui impaciente, talvez você possa dizer que sim, e essa minha impaciência costuma trazer com ela uma certa dose de agressividade.

Não é uma agressão física, o que rola é só verbal. Também não posso dizer que é verbal, porque a palavra pode ferir mais do que um tapa, e esse sempre foi um “dom” meu.

Os anos passaram, aprendi muitas coisas, adquiri um tanto de consciência e, com ela, a necessidade de ser gentil, de abraçar a minha sombra e usá-la somente para o bem. Então, toda vez que deixo a impaciência se transformar em agressividade (sim, isso ainda acontece), sinto que me perdi de mim.

3. Quando tento agradar alguém fazendo algo que eu não quero

Fico feliz em dizer que isso já não é um acontecimento frequente, não mais! Hoje é mais fácil não me ferir dessa forma. Mas não foi sempre assim.

Nos meus relacionamentos do passado, nos afetivos principalmente, eu tinha uma tendência de tentar agradar o parceiro. É provável que essa necessidade venha da minha baixa autoestima. Eu não acreditava que poderia ser amada sendo eu mesma o tempo todo, então, criava essa personagem “namorada que gosta do que você gosta”.

Isso era muito ruim por dois motivos, primeiro porque essa “mentira” não tinha como se sustentar por tanto tempo, mais cedo ou mais tarde a máscara caía; segundo porque eu sentia que estava traindo a mim, e me decepcionava comigo.

4. Quando me alimento mal e paro de me exercitar por um longo período de tempo

Eu cresci comendo alimentos saudáveis, não sou da geração fast food e Coca-Cola. Refrigerante era exceção e os lanches eram feitos em casa. Minha infância me fez gostar de comidas caseiras e muita verdura e legume.

Não vou dizer que não como besteiras, como e gosto, mas meu corpo reclama se como lixo por muito tempo.

Quando tenho minhas fases meio deprê, o autoboicote rola solto. Deixo de fazer qualquer atividade física que me faça bem e exagero nas gordices. É meio como uma autopunição. Nesses momentos deixo de ser eu e encarno essa mulher cansada e preguiçosa.

5. Quando fico no piloto automático

Sabe quando você faz as coisas sem pensar? Ou quando vive se deslocando das lembranças do passado para as possibilidades do futuro e deixa o momento presente suspenso? Pra mim, isso é o piloto automático.

É o não estar atenta ao agora, é deixar de respirar ou respirar rápido demais. É quando falo as coisas sem pensar ou por hábito, sem saber se aqueles pensamentos são meus ou se são apenas repetições.

Eu estive desconectada de mim por um longo período de tempo. Eu sentia que havia me perdido do meu eu interior, eu estava surda para a minha intuição e me sentia falsa o tempo todo. É triste se perceber assim, mas também é bom.

Se perceber é bom. Despertar é bom. Me permitir ser eu mesma de novo é ótimo! Não quero mais me perder de mim.

E você, o que te desconecta de si mesmo?