Sobre o sucesso, o fracasso, as comparações e o aniversário

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Estava pensando sobre sucesso e fracasso, sobre metas alcançadas e sonhos realizados e sobre tudo o que é esperado de você quando se chega a uma certa idade.

Quando eu me comparo a outras pessoas, me sinto fracassada. Quando comparo meu momento presente ao que eu havia idealizado pra mim no passado, também me sinto fracassada. Essa sensação de fracasso só desaparece quando também desaparece a comparação e qualquer expectativa anteriormente criada.

Outro dia, conversando com um amigo sobre isso, me dei conta de que uma das minhas maiores realizações até hoje, era o fato de estar viva. Simplesmente isso, estar viva e funcional, ter sobrevivido a mim mesma, não ter cometido suicídio na adolescência. Eu sei que isso pode parecer tão banal e pequeno, mas, para alguém como eu, estar vivo é motivo de comemoração.

Aliás, estar vivo deveria ser sempre um motivo de comemoração. E estar vivo e saudável, então?!

Na maior parte do tempo não pensamos nisso, não é mesmo? Talvez a gente se concentre mais naquilo que ainda não tem ou não alcançou e nos nossos desejos ainda não realizados, e acabamos por não notar tudo aquilo que já temos e somos, deixando de ser gratos por todos os desafios já superados e os antigos sonhos que já foram concretizados.

Analisando tudo isso, acabo por me questionar de onde vem a importância que eu dou para grandes realizações de vida – na minha visão – e por que espero essas coisas de mim – quando, na maior parte das vezes, elas não tem absolutamente nada a ver comigo e com meus dons. Tipo criar um aplicativo de sucesso e vendê-lo por alguns milhões, ou a descoberta da cura de alguma doença, ou correr maratonas e chegar ao podium; nada disso são coisas que eu pensaria em fazer e ainda assim me comparo às pessoas que fazem essas coisas. Vai entender!

Cada um de nós tem algo único a ser compartilhado com o mundo. Mesmo que duas pessoas tenham um dom artístico para pintar telas com tinta a óleo e elas resolvam pintar a mesma paisagem usando os mesmos tons de tinta, cada uma pintará de acordo com o seu olhar e percepção e os quadros poderão até ficar parecidos, mas não serão iguais.

E eu sei disso, mas às vezes esqueço e me deixo levar por esse sentimento de ser irrelevante e inadequada e acabo focando no que não sou e no que não tenho.

Talvez, todo esse questionamento sobre as minhas realizações de vida tenha alguma coisa a ver com a iminência do meu aniversário. Já faz um bom tempo que espero por essa data e esse número. 40 me parece tão significativo!

Vai ver tudo isso veio à tona porque, no passado, eu pensei que aos 40 eu estaria vivendo uma vida diferente da que vivo hoje. Talvez eu tenha pensado que, a essa altura, já teria todas as respostas para as minhas questões internas. Talvez eu tenha fantasiado com uma Silvia que nunca existiu, ou que existiu, mas que mudou.

O que percebo nisso tudo é que não importa quem eu esperava ser hoje, o importante é quem eu sou e como eu quero ser, e seguir me conhecendo e me amando no processo de me tornar a minha melhor versão.

Grandes realizações são relativas, assim como o fracasso também é, tudo depende do ponto de vista.

O Outro é o meu espelho

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Estava pensando na minha maneira de lidar com as divergências nas relações familiares e em como ainda sinto necessidade de me explicar. Me pergunto se tem a ver com querer ou precisar da aprovação e aceitação dos outros, ou se é porque ainda preciso esclarecer as coisas pra mim.

Foram tantas mudanças internas que aconteceram num relativo curto período de tempo, que me perdi um pouco tentando me encontrar. Ainda estou no processo de assimilar e compreender quem eu sou agora, ainda estou me familiarizando com essa nova mulher que me habita. Talvez esse excesso de justificativas venha daí. Me justifico pro outro na tentativa de entender a mim mesma.

E em meio a esse vendaval de mudanças, o que fazer e como agir quando o seu novo jeito de viver a vida te separa das escolhas dos seus familiares?

Eu precisei de um período de adaptação pra lidar com esse novo eu e não pensei que, talvez, eles também precisassem. Ainda estou aprendendo a me colocar no lugar do outro, mas nem sempre é fácil.

Porque, ao mesmo tempo em que TENTO entender que cada um vive da forma que acha que deve, sinto que preciso explicar a minha forma de viver e as minhas escolhas. E eu TENTO mesmo entender, mas falho na maior parte das vezes porque somos muito diferentes na maneira de pensar.

Dizem que todo relacionamento afetivo é uma escola e eu realmente acredito que seja uma grande fonte de aprendizado, ainda mais numa família grande como a minha com tantos diferentes temperamentos, comportamentos e personalidades.

Acho que vou me conhecendo um pouco mais em cada interação e relacionamento, em cada conversa e discussão, porque a maneira que eu reajo perante o comportamento do outro só diz algo sobre mim, afinal, o Outro é o meu espelho!

É que, às vezes, é difícil encarar esse espelho porque nem sempre o que vemos refletido nos agrada, fica mais fácil jogar a responsabilidade pelos nossos sentimentos em cima do outro. Eu ainda faço isso, mas eu sei que sou a única responsável pela maneira como me sinto. Percebo que quando ajo assim é a vítima em mim querendo atuar, querendo espaço, querendo ser vista.

Meu longo aprendizado tem sido a forma como me relaciono comigo, com os outros e com a minha sombra e, principalmente, com essa vítima que busca a minha atenção.

Tentando sair do conformismo

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Estava aqui pensando no conformismo, no meu conformismo pra ser bem específica.

Você sabe qual é o significado dessa palavra?

Conformismo é o comportamento ou tendência de se conformar, é aceitar uma situação indesejada sem se opor, é passividade.

E, por mais que eu goste de acreditar que sou “briguenta” para me defender, para defender os outros ou as causas que acredito, eu não sou essa pessoa o tempo todo. Já me calei inúmeras vezes em situações que deveria ter falado, já deixei de agir quando deveria ter agido e permiti que injustiças fossem cometidas com a minha omissão.

Quando questiono o porquê de ser assim, não posso deixar de me perguntar: do que eu tenho medo? O que me impede de ser a pessoa que quero ser?

Ficar quieta no meu canto me dá uma falsa sensação de proteção, porque se eu me torno invisível, não há mal que me alcance. Mas, mesmo sabendo que isso não é verdade, mesmo sabendo que o NÃO agir não me protege, eu persisto nesse comportamento. Não é algo que me traga orgulho, muito pelo contrário. Admitir isso aqui é tão difícil quanto admitir pra mim mesma que eu não sou quem eu pensava ser. Atualmente, tenho descoberto muitas coisas a meu respeito, algumas boas e outras não tão boas, e fica evidente o quanto eu ainda me desconheço.

Mas tudo bem, perceber minhas qualidades e defeitos faz parte do processo de autoconhecimento. E, já que me propus embarcar nessa jornada, tenho que encarar qualquer cenário e situação que cruzar meu caminho, por mais desafiante que possa parecer num primeiro momento.

Entendo que isso vale para qualquer comportamento que eu quero mudar em mim e percebo que a única forma de ser quem eu quero ser, é sendo. Parece meio óbvio afirmar isso, e é, mas nem por isso é simples.

Então, como mudar? Como me tornar a pessoa que eu quero ser? Como sair da passividade para a ação?

Não acho que exista uma receita padrão a ser seguida, pois cada um sabe o que funciona consigo mesmo, ou se não sabe, irá descobrir no tentar.

Pra mim, eu descobri que preciso dar um primeiro pequeno passo, fazendo as coisas que eu estava adiando fazer, seja por medo, por preguiça ou por qualquer outro motivo que me impedisse de agir, e então o resto da caminhada se torna um pouco menos difícil.

Eu preciso escrever e verbalizar as minhas dificuldades para que eu as reconheça e aprenda a lidar com elas. Eu preciso não me culpar pelos tropeços e pelas minhas deficiências. Eu preciso me aceitar como um ser humano falho e que ainda está muito longe da perfeição. Eu preciso me cobrar menos e me perdoar mais. Tudo isso me ajuda um pouco a sair do lugar da não ação.

Acho que sempre existirá algo a ser mudado e aperfeiçoado e entendo que isso faz parte da vida e da nossa necessidade de evolução. O meu desafio é lidar com isso de uma forma leve e num processo contínuo, sem meus longos períodos de estagnação e sem o conformismo presente.

A saúde e a autorresponsabilidade

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Desde que resolvi mudar meu estilo de vida, percebi a necessidade de pesquisar, estudar e me informar para que pudesse fazer escolhas mais conscientes.

O que antes ficava na mão de terceiros, agora eu precisava me apropriar.

É muito comum entregarmos nossa saúde nas mãos dos profissionais da área e nos isentarmos da responsabilidade, mas isso não estava mais funcionando pra mim.

Já me consultei com uma infinidade de profissionais e, como acontece em toda profissão, sempre existe o mau e o bom profissional. Sempre existe aquele que vai um pouquinho além e te enxerga em toda a sua complexidade, e existe o outro que parece apenas seguir uma cartilha, como se todo ser humano fosse igual e funcionasse da mesma maneira.

Por anos e anos eu tive uma alteração no meu Hemograma e o médico do trabalho me dizia que era comum e que eu não precisava me preocupar. Eu confiava no que ele me dizia e não fui atrás para saber o porquê daquela alteração.

Ano passado resolvi assumir definitivamente a responsabilidade pela minha saúde física, mental e espiritual. E foi aí que muitas respostas chegaram.

Aquela alteração que o médico do trabalho dizia ser comum, era de fato comum, mas isso não a tornava não prejudicial, ela estava relacionada com a minha insuficiência de vitamina B12. Talvez, por eu ainda comer carne na época, ele não conseguiu relacionar os meus sintomas ao resultado do exame, talvez ele não soubesse interpretar um hemograma (coisa assustadoramente comum na classe médica), talvez ele não soubesse que a deficiência de B12 não afeta somente vegetarianos estritos, mas também pessoas que consomem carne, ovos e laticínios, ou talvez ele só quisesse atender logo o próximo paciente para ir embora dali.

Eu estava com uma insuficiência de B12 alarmante, e estive assim por muito tempo, e como eu não sabia interpretar um hemograma e confiei no que aquele médico me disse, muitos dos sintomas que eu tinha não eram relacionados à sua real causa.

É claro que depois de muita pesquisa por minha própria conta e de perceber que havia algo errado, procurei outro profissional, fiz vários exames que constataram o que eu já sabia. Faço a reposição vitamínica desde então e reavalio a situação com novos exames a cada três meses.

Tudo isso me fez perceber a importância de nos conhecermos bem, em todos os aspectos. É muito importante sabermos ouvir o que nosso corpo nos diz. Ele sempre se comunica com a gente, seja por um desconforto após ingerir determinado alimento, pelo cansaço que pode advir da falta de ingestão de água na quantidade necessária ou por uma dor de cabeça se comi muito açúcar. Cada organismo reage de determinada maneira e cabe a nós interpretarmos esses sinais.

Talvez, o que dificulte isso seja a sua desconexão consigo mesmo. Se quando chega uma dor de cabeça você já engole um comprimido, se quando está com azia ingere outra cápsula, e não se dá a chance de perceber o que pode ter causado aquele sintoma, você pode perder a oportunidade de conhecer melhor os sinais que o seu corpo está te dando de presente. Todo sintoma tem uma causa, seja ela física ou emocional.

É claro que não tem como saber tudo sobre tudo e que, em muitos momentos, precisaremos confiar em outras pessoas para nos darem as respostas que não encontramos sozinhos. Mas é importante que a gente saiba que assumir a responsabilidade pela nossa saúde não é só ir ao médico e fazer exames regulares para verificar se está tudo bem.

Nenhum profissional conseguirá conhecer o seu corpo tão bem quanto você mesmo.

Me libertando da prisão

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A ideia de escrever e postar é uma forma de não me sentir sozinha com as minhas loucuras. Porque quando eu escrevo, eu as tiro um pouco de mim e, quando eu as compartilho, encontro outras pessoas que se identificam com o meu funcionamento por também funcionarem assim.

A exposição me deixa vulnerável às críticas, eu sei, mas isso já não é tão assustador quanto antes porque estou acostumada ao bombardeio interno. São décadas de autocrítica impiedosa e isso me faz perguntar, por que, quando se trata de nós mesmos, somos sempre tão rigorosos em julgar e punir? Descobri que ninguém pode me ferir tanto quanto eu mesma.

Você também faz isso consigo? Você se critica por cada pequeno erro? Se julga por cada ação desastrosa? Se culpa por cada mero deslize?

Já há um tempo estou trabalhando a culpa em mim, porque, sinceramente, ela não serve pra nada. Me arrepender por um erro cometido, pedir perdão e me perdoar e estar atenta para não errar o mesmo erro de novo, isso sim tem alguma serventia para o meu crescimento. Mas o sentimento de culpa, esse só me prende e castiga, ele me impede de tentar melhorar, ele me subjuga e me mantém num ciclo de dor e autopunição sem fim.

Fico aqui me perguntando de onde vem a necessidade desse castigo. Em que momento aprendemos que precisamos nos culpar por tudo e, ainda pior, por que entendemos a culpa como algo bom e necessário?

Sério, pensa comigo. Lembre de algo que você tenha feito e que foi considerado errado, por você e pela sociedade. Lembre da culpa que você sentiu. Sinta de novo esse sentimento e me diga o que ele traz a você. Ele te faz querer ser alguém melhor? Ele te move em direção ao autoperdão? Ele te mostra que você é um ser humano passível de erros e que só dá o melhor que você tem pra dar em cada situação? Ou ele só te põe pra baixo?

A culpa prolongada imobiliza e impede o crescimento, ela nos faz adoecer, mental e fisicamente. Quando tiver um tempinho, busque por SENTIMENTO DE CULPA na internet e veja a quantidade de textos discorrendo sobre o assunto e afirmando como esse sentimento nos é nocivo.

Então, mesmo sabendo de todo o mal que nos causa, por que ainda enveredamos por esse caminho? Que parte nossa busca essa prisão?

É necessário um exercício no espelho, olhando pra dentro de si e procurando a origem da sua busca pela perfeição e pelo controle. Porque o sentimento de culpa guarda uma relação estreita com a necessidade de controlar, com o perfeccionismo, com o nosso ego, mas não me sinto habilitada para discorrer sobre assunto aqui.

A culpa, ou é melhor dizer arrependimento, pode ser boa até o ponto que nos faz avaliar nossos pensamentos e ações, nesse sentido ela pode ser útil, mas quando se torna algo prolongado e que toma conta de nós, ela nos adoece.

A culpa nos prende.

O autoperdão nos liberta.