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Reencontrando o que me faz bem

Uau, já faz um bom tempo que não apareço por aqui.

Às vezes, a gente se perde um pouco da gente e não consegue se achar, né? E a gente pode se perder tanto que aquilo que seria óbvio fica um tanto nebuloso.

Eu, que escrevi uma monografia sobre a escrita como forma de cura terapêutica na Fonoaudiologia; Eu, que escrevo desde sempre pra ressignificar meus pensamentos e sentimentos; Eu, que passei a adolescência escrevendo quase como uma forma de sobrevivência … Sim, EU, eu me esqueci disso por um tempo e deixei de escrever.

Sei lá o que acontece com a gente que nos afasta de quem somos, do que é importante, do que faz sentido, do que toca o coração.

Parece que depois desse período de mergulho intenso em mim eu precisei de um novo ar. Subi pra tomar fôlego e me distraí com a nova vista. Perdi o foco, fiquei boiando e deixei a correnteza me levar pra onde ela quisesse. Abri os olhos e me vi meio perdida.

Estou assim nesse momento, tentando reconhecer algo dessa paisagem, tentando voltar pra casa, tentando voltar pra mim.

Voltei a meditar, ainda não tão regularmente quanto quero e preciso.

Voltei a escrever nos meus cadernos, mas não conseguia compartilhar nada com ninguém.

Sabe quando você sente que é a única pessoa que está pra trás? E eu sei que tem uma galera gigantesca que está nesse mesmo barco, sentindo que está afundando e sem saber o que fazer. Pulo do barco? Uso um balde pra tirar essa água toda que está entrando? Grito por socorro? Rezo por uma salvação externa?

Infelizmente, somos muitos. Ou, felizmente? Podemos juntar forças pra sairmos dessa juntos?

Eu fiquei um tempo sem querer dividir esse sentimento, talvez por não querer admitir que ainda me sinto assim, mesmo depois desse período maravilhoso fora do trabalho que eu odiava, mesmo depois das viagens e dos lugares incríveis que conheci, mesmo depois das experiências transformadoras que vivi, ainda não sei o que quero fazer.

Sei que nenhum passo dado é um desperdício, tudo o que fiz até agora está me levando pra um lugar. Eu ainda não sei que lugar é esse (e não estou falando de um lugar físico necessariamente), mas sei que se continuar caminhando e seguindo minha intuição, eu chego lá.

Por enquanto, vou voltar a fazer o que gosto e o que me salva, escrever.

Escrever pra tentar alinhar meus pensamentos, pra elaborar sentimentos, pra me lembrar do que gosto, pra estabilizar um pouco essa montanha russa interminável.

Menos objetos e mais sonhos

Já faz um tempo que eu sinto a necessidade de diminuir posses. Eu meio que fantasio com isso e fico imaginando a cena de uma possível mudança (pra outro país ou outro estado); o que eu levaria na mala?

Mesmo antes de ler o livro A Mágica da Arrumação, da Marie Kondo, eu já tinha sido picada pelo bichinho do descarte/destralhe. De tempos em tempos eu doo roupas, sapatos e livros que não me interessam mais, mas isso não tem sido suficiente.

Meu apartamento é pequeno mas descobri que o problema não é a falta de espaço. Mesmo se morasse numa mansão, se eu fosse do tipo acumuladora, teria mais e mais coisas. Mais espaço = mais objetos.

Ok, não sou esse tipo de pessoa, mas ainda assim eu acho que junto coisas demais. E, de todas essas coisas, quantas eu amo de verdade? Quantas delas me deixam realmente feliz?

Os últimos dias têm sido uma loucura. Enchi uma mala de viagem gigantesca com roupas e sapatos, esvaziei consideravelmente a minha biblioteca (só ficaram os livros que eu mais amo), digitalizei minhas fotos favoritas, piquei as originais, me desfiz de cadernos de receitas (copiei no iPad as receitas de família que mais gosto), picotei uma quantidade absurda de papel, diminuí a quantidade de louça no armário da cozinha, joguei uma porrada de cosméticos fora, doei anéis, brincos e colares, doei meus cd’s, só mantive 4 DVD’s …. E, depois disso tudo, descobri que restaram algumas roupas que eu não amava mais. Nova sacola, novas doações!

A sensação que tenho é de que me desintoxiquei. É muuuuiiito bom, eu recomendo!

Aí, depois disso tudo e de uma boa faxina, fiquei viajando e imaginando a minha casa dos sonhos. Ainda não encontrei esse lugar, ainda não sei em que cidade é, mas já sei a cara que ela tem.

menos objetos e mais sonhos 2

Essa casa …

menos objetos e mais sonhos - doce cotidiano

E esse quintal!

Uma casa pequena num terreno com um belo gramado – pro Spock e pro Fuel. A casa é clara, bem ventilada e com boa iluminação. Tem 2 quartos, um bom banheiro, uma cozinha arejada, uma sala com varanda e um cantinho onde eu possa ler e escrever. Ela pega uma boa quantidade de sol, mas não fica muito quente. A roupa seca rapidinho no varal.

Tem árvores no meu quintal, algumas são frutíferas – já vejo uma mangueira e um abacateiro. Estou pensando em colocar uma rede lá fora!

O Spock e o Fuel ficaram amigos e se fazem companhia quando não estamos em casa. Eles gostam de deitar na grama e curtir a sombra sob a árvore.

Às vezes, eu curto ficar deitada na rede só pra observar os cães brincando e os passarinhos fazendo seus ninhos e, nesses momentos, tudo o que eu sinto é paz!

E você, qual é o seu cenário de paz?

O que está fora também está dentro

Segunda-feira eu voltei do Rio de Janeiro depois de um fim de semana super intenso e cheio de aprendizado no evento LSA – Life Style Academy, criado pela escritora e Coach de Alta Performance Paula Abreu (a mesma que criou o PESV – Programa Escolha Sua Vida que eu fiz esse ano).

Foram 3 dias completamente preenchidos de palestras com profissionais incríveis de diversas áreas, uma plateia com 500 pessoas buscando uma vida com mais PROPÓSITO, uma troca de energia muito boa, muitos abraços, risos e lágrimas, introspecção e descobertas.

Pude abraçar pessoas maravilhosas que eu só conhecia no mundo virtual e foi tão bom saber que elas realmente existem! Conheci pessoas com quem me identifiquei quase que instantaneamente, abrindo meu coração para o novo.

Me senti eu mesma e isso foi libertador. Acho que eu não me sentia assim há muito tempo.

Confesso que eu tinha criado expectativas antes de ir, mas não me decepcionei. Na verdade, eu me surpreendi. Fiquei surpresa porque o que mais me impactou foi o que eu menos imaginei.

Quem me conhece sabe que sou extremamente sensível, tudo me emociona e me toca, tudo mesmo, eu costumo dizer que o meu coração tem uma ligação direta com a minha glândula lacrimal – eu choro com quase tudo. Minha emoção se expressa por lágrimas. E tudo bem! Já entendi e aceitei que sou assim.

Consequentemente, como me emocionei várias vezes nesses 3 dias, eu chorei várias vezes também. E tudo bem de novo, porque depois da cirurgia meus olhos vivem secos e me incomodando, então foi bom hidratá-los um pouco hehe.

Bom, voltando ao que eu queria dizer … Eu passei anos fugindo da espiritualidade, isso porque eu não conseguia diferenciá-la das religiões. E, como não sigo nenhuma religião, por diversos motivos que não vou entrar em detalhes hoje, eu criei uma certa barreira com isso.

Eu acredito que não preciso de uma religião para me conectar com Deus/Universo/Eu Superior, tudo o que eu preciso sempre esteve dentro de mim, tudo o que precisamos está dentro de nós. Cada um segue aquilo que mais lhe tocar a alma e fizer sentido. Então, eu descobri que não preciso de uma religião para vibrar o amor.

Quase todas as palestras me tocaram profundamente, mas 2 delas foram um chamado ao meu coração. E as duas tinham a ver com ESPIRITUALIDADE. Sabe quando você sente que tudo o que foi falado é direcionado a você? Como se o palestrante te conhecesse e estivesse falando exclusivamente para você? Eu me senti assim. E foi mágico!

Percebi que preciso me reconectar com o Eu Superior que me habita, para fortalecer a minha energia e proteção, para direcionar com mais foco todo esse amor e sensibilidade que faz parte de mim e que, muitas vezes, transborda sem eu saber como agir.

Entendi que vim para essa vida para dar, muito mais do que para receber, e redescobri que a minha missão é ajudar outras pessoas, que assim como eu, não se sentem livres para serem quem são. A partir do momento que sou eu mesma e que sigo a minha verdade, eu possibilito que o outro se liberte também. E libertação é algo extremamente poderoso!

Afinal, o nosso propósito principal é sermos quem somos! Então, o negócio é tirar cada máscara que um dia vesti para pertencer, é me despir da armadura que me afasta de mim e da minha luz, é mostrar a minha vulnerabilidade para me conectar mais profundamente com o outro. EU SOU, e isso basta!

Deixando o passado em seu lugar – Seguindo em frente!

Deixando o passado em seu lugar

Passei tanto tempo brigando com o meu passado, me culpando por atitudes impensadas, investigando como eu poderia ter feito diferente, o que eu teria falado, como eu teria agido, e gastei tanto tempo e energia olhando pra trás que deixei de ver o que estava bem na minha frente.

Não tem como estar 100% no presente se minha mente não deixa o passado em paz.

Tudo o que eu fiz foi agir com as ferramentas que eu tinha na época e sei que dei o melhor que eu tinha pra dar.

Então, mesmo sabendo de tudo isso, por que ainda permito que velhos fantasmas assombrem o meu agora me impedindo de agir?

Você já percebeu quanto tempo a gente desperdiça e quantas oportunidades são perdidas porque temos medo de que traumas passados se repitam? Posso arriscar dizer que, na maioria esmagadora das vezes, esses “acontecimentos traumáticos” foram fatos que só ocorreram uma única vez e, ainda assim, ficamos com receio de que eles aconteçam de novo.

Semana passada, assistindo um Periscope da Lígia Fabreti, ela disse duas frases que me impactaram muito:

“A gente passa a vida nos protegendo de coisas que já aconteceram”.

E não é que é verdade? Cada vez que nos “protegemos” do passado deixamos de viver um tanto do presente.

O passado já foi, não tem nada que podemos fazer para mudá-lo. E eu não posso deixar de me perguntar: eu quero mesmo mudá-lo? Se eu pudesse voltar e alterar as coisas que me incomodam hoje, eu alteraria? Eu faria alguma coisa diferente?

“Se a gente fosse tentar apagar o nosso passado o nosso eu do presente não existiria”.

E, mesmo com as pequenas dores, as dúvidas, os medos e inseguranças, eu não quero ser nenhuma outra pessoa que não seja eu. A Silvia de hoje é o resultado de cada escolha, palavra e atitude tomada em todos esses anos. E eu aprendi a amar essa Silvia.

Então, quando eu olhar para o passado, que seja para agradecê-lo! Eu aprendo com ele e o deixo em seu lugar. Se surgir alguma ocasião em que eu possa fazer algo melhor e com mais sabedoria do que antes, eu farei! Se eu tiver a oportunidade de me redimir dos erros cometidos e dos quais eu me arrependo, eu pedirei perdão. E me perdoarei também!

1 ano desempregada

1 ano desempregada! 1 ano fora do emprego que me fazia infeliz e que não tinha nada a ver com o meu propósito de vida! 1 ano para cuidar de mim!

1 ano desempregada

Resolvi compartilhar um pouco, resumidamente, como foram esses 12 meses pós demissão. Os quilos a mais, os quilos a menos, o tédio, a euforia, a frustração, a esperança, a vontade de trazer significado para a minha vida.

Os primeiros 6 meses fora do banco foram de alívio extremo ao saber que eu tinha tomado a decisão certa em pedir demissão. Não teve um segundo sequer em que eu tenha me arrependido, nem nos piores momentos de preocupação com o meu futuro profissional e financeiro eu pensei que poderia ter me precipitado. Pra mim, depois de tanto tempo criando doenças e dores, sair do banco já tinha se tornado um caso de vida ou morte.

Apesar de sempre ter flertado com o drama, nesse caso específico estou sendo bem realista. Já comentei antes sobre a minha saúde precária nos últimos anos de emprego e na grana que eu gastava mensalmente para tentar minimizar os efeitos dessa “violência” autoimposta. Então, eu sabia que continuar vivendo daquela maneira poderia me levar por um caminho irreversível.

Depois de mais de uma década vivendo a mesma rotina, quando eu saí dela me senti meio perdida. Assisti inúmeros filmes e seriados, li uma porrada de livros, comia o que tinha em casa e se não tinha, eu comprava e me empanturrava. Não me exercitei, não fiz planos, não tinha objetivos.

As festas de fim de ano passaram, a falta de perspectiva continuou mas eu já me sentia incomodada com o tédio e a letargia. Como eu não queria ficar mexendo no dinheiro que eu tinha aplicado, comecei a me exercitar em casa.

Naquela época eu não tinha motivação alguma que não fosse o meu corpo. Eu tinha engordado uns 8 quilos, consequência da minha nova rotina, e perdi grande parte das minhas roupas, mas nem isso serviu para me manter focada. Logo eu desisti.

No meio do segundo trimestre de 2015 eu comecei a sentir necessidade de mais. Eu queria estudar de novo, queria me conhecer melhor, eu precisava me dar mais atenção e cuidar de mim com mais consistência. Bem nesse período recebi o e-mail da Paula Abreu informando sobre as inscrições para o PESV – Programa Escolha Sua Vida. Me inscrevi no último dia depois de muito lutar contra a minha intuição. A voz do autoboicote estava alta, mas resolvi não escutá-la dessa vez! Foi o meu momento decisivo desse ano, com certeza.

Confesso que me inscrevi pensando somente na parte profissional, eu queria um rumo e respostas, e achei que o PESV me ajudaria nisso. Mas, foi muito mais do que eu havia imaginado. Foi a primeira vez, depois de muitos anos, que me senti realmente responsável pela minha vida. Renasceu em mim a vontade de ser eu mesma, numa melhor versão.

Então, voltei a cuidar da saúde bebendo mais água, escolhendo alimentos mais saudáveis, sem restrições nem neuras, me exercitando quase que diariamente e, consequentemente, gerando mais energia.

Comecei a prestar atenção nos meus pensamentos e nas coisas que assisto e leio. Da mesma forma que estou aprendendo a escolher atentamente o que vou comer, aprendo a escolher que tipo que energia eu quero perto de mim. Por ser uma pessoa extremamente sensível eu absorvo tudo o que está a minha volta, então preciso selecionar muito bem o que me cerca.

Com as meditações ensinadas no Programa estou aprendendo a me concentrar e silenciar o turbilhão de pensamentos que povoam a minha mente. Esse, pra mim, é o passo mais complicado, por isso eu sei que é o que requer mais a minha dedicação. Ainda falta consistência para incorporar esse hábito à minha vida.

Outro ponto que requer atenção é a minha forma de me relacionar, principalmente com as pessoas mais próximas. Quero aprender a ouvir, já que eu falo demais, e ser menos controladora, permitindo que as pessoas sejam quem são.

É uma longa jornada, eu sei! É um caminho em construção e eu sei que ele será trilhado a medida que eu der um passo, depois outro e assim seguir em frente. Ainda não sei onde ele irá me levar, mas estou aprendendo a curtir a paisagem que me cerca enquanto eu caminho.

A parte profissional, que foi o que me levou ao PESV, ainda está um pouco nebulosa. Mas, sei que é uma questão de tempo até que essas nuvens se dissipem e minha visão fique mais clara! O que realmente importa nesse momento, é o agora. São as mudanças que estou fazendo no meu dia a dia e que impactarão positivamente a minha saúde física e mental!

Se você me pedisse para resumir tudo o que eu aprendi nesse ano em um só ensinamento, seria: VIVA O PRESENTE! Esse é o meu objetivo, esse é o meu desafio.

O 1º assédio, o 2º, o 3º ….

O 1º assédio, o 2º, o 3º .... - Doce Cotidiano

Adiei escrever sobre esse tema porque sempre tive receio de me expor. Guardei as minhas “vergonhas” e medo na tentativa de esquecê-los. Mas, não importa o quanto eu evite falar sobre isso, não adianta virar o rosto e procurar outra vista, esse assunto continua lá e eu não me esqueço. Nenhuma mulher esquece!

Aqui eu me direciono à mulher porque ela sempre foi a maior vítima, mas também abraço os muitos meninos que sofreram o mesmo tipo de violência, física ou não.

Vou tentar expressar um pouco a minha dor, a minha vergonha, a minha indignação, a minha sensação de impotência e os medos que vieram junto. Não estou escrevendo com raiva, estou tentando administrá-la porque não quero outro sentimento me fazendo mal.

Começo dizendo que nunca fui estuprada.

Palavra forte, né? Algumas pessoas não gostam nem de pronunciá-la mas, infelizmente, essa palavra existe. Não é ignorando que ela perde a força, não é deixando de falar dela que ela some. Quisera eu que existisse uma mágica para fazer sumir essa palavra e toda a dor que ela traz.

Os assédios que eu sofri e ainda sofro foram outros. Desde sussurros no ouvido que só poderiam ser escutados por mim até mãos indesejadas em várias partes do meu corpo.

As mulheres, na sua maioria esmagadora, sabem o que é sentir essa violação. Então aproveito para pedir aos homens que vão ler esse desabafo, se vocês amam alguma mulher – mãe, irmã, namorada, filha, esposa, amiga -, imaginem o que elas sentem quando algo assim acontece com elas.

Em 99% das vezes que algo assim aconteceu comigo eu não tive reação. Sempre escutei que era melhor ficar quieta do que gritar, para a minha própria proteção. Talvez, se eu gritasse, o cara poderia fazer algo pior.

Hoje eu penso diferente!

O meu pior momento foi numa consulta médica. Eu tinha alguns nódulos mamários e como meu mastologista ficou preocupado, me recomendou uma cirurgia. Alguns exames pré-operatórios eram necessários então fui encaminhada para um laboratório. Eu tinha 21 anos.

Eu nunca pensei que seria o tipo de mulher que não consegue agir. Poderia jurar que se algo assim acontecesse eu iria gritar, eu faria um escândalo. Eu jurava que não ficaria quieta. Mas, quando aconteceu comigo, quando aquele velho ficou tocando os meus seios sem me examinar e enquanto eu era assediada, eu congelei. Eu não podia acreditar que aquilo estava acontecendo. Eu queria chorar, eu queria sumir, eu queria um canto seguro pra nunca mais sair dele.

Depois de tantos exames de toque a gente sabe quando algo está errado. Então, por que eu me calei?

Quantas outras mulheres foram assediadas por esse mesmo homem e não falaram nada? Quantas mulheres mais passarão pela mesma violência?

Já me mostraram o pau na rua, já apertaram a minha bunda no metrô, já roçaram nos meus seios e pressionaram o pau em mim no ônibus lotado, já me gritaram “gostosa”, “bucetuda”, “essa eu comia”, “ah se eu fosse homem!”, “quero te pegar de jeito” e tantas outras palavras, frases e absurdos que as mulheres ouvem diariamente.

Hoje, cada vez que tenho que passar por um grupo de homens na rua a minha vontade de atravessar é enorme. Fica sempre um receio de escutar o que eu não quero escutar, de sentir o que eu não quero sentir. O medo está sempre lá e eu convivo com ele!

O que eu queria mesmo, era poder abraçar todas as mulheres vítimas desse tipo de violência e de outras piores e dizer que não estamos sozinhas! Tem uma infinidade de pessoas – e aqui incluo muitos homens – que entende e respeita a nossa dor e também quer um mundo melhor.

Por menos violência e por mais segurança.

Por menos silêncio e por mais conversas sobre o assunto.

Por mais leis que nos protejam e, sobretudo, por mais amor e respeito para todas as mulheres.

Perdendo o medo de caminhar sozinha

Esse é o post de quarta que ficou pra quinta porque a inspiração só veio hoje depois de um Sundae saboreado ontem à tarde. O papo sobre fazer as coisas independente de ter companhia ou não, rendeu!

perdendo o medo de caminhar sozinha - Doce Cotidiano

Do alto dos meus quase 40 anos admito que sempre fui cagona pra fazer muitas coisas sozinha.

Admiro tremendamente meu namorado que nunca deixou de fazer nada que estava afim só porque não tinha uma companhia. Como ele mesmo sempre disse, a companhia dele é ótima! Nunca perdeu um show, um filme no cinema, corrida de F1 … se ele estivesse afim e pudesse ir, ele ia.

Já eu, deixei de me divertir inúmeras vezes, por vergonha, por medo, sei lá! A primeira vez que fui sozinha numa sessão de cinema foi pra assistir o filme Comer, Rezar, Amar. Eu já tinha lido o livro e estava louca pra ver o resultado na telona, como meu namorado da época não estava no clima, eu fui. Estava me sentindo toda independente e corajosa e, alguns segundos depois, minha avó e minha tia entram no cinema e sentam do meu lado. Coincidência pura, mas ainda assim senti que tinha vencido uma dificuldade.

Ainda não voltei ao cinema desacompanhada. Está na minha lista de coisas a fazer por mim!

Logo depois do meu divórcio, há uns anos atrás, eu queria relaxar e ficar um pouco comigo mesma então decidi passar uma semana num Spa. Como seria minha primeira viagem solo fui para um lugar que eu já conhecia só pra não ter tanta novidade acontecendo de uma vez. Posso dizer com toda a certeza que essa viagem foi uma das melhores coisas que já fiz.

Conheci mulheres incríveis com idades e histórias tão diferentes da minha! Pessoas que eu não teria oportunidade de encontrar se não fosse naquela ocasião, naquele lugar, naquele exato momento. Foi uma experiência libertadora!

A coragem pra continuar curtindo a minha companhia foi crescendo, de bebê virou criança e agora acho que começou a entrar na adolescência.

No fim do ano tenho uma viagem programada, será a primeira viagem internacional que faço sozinha. Tudo bem que terei conhecidos ao chegar no meu destino, não será só eu e Deus, mas ficarei quase 24 horas só com a minha companhia e o meu inglês tupiniquim. As 7 horas de espera no aeroporto de Paris me assustam um tiquinho, mas acho que um bom livro pode amenizar a solidão.

Estou aprendendo a comemorar as pequenas vitórias e essa viagem é uma delas. Nunca que eu faria algo assim há uns meses atrás, eu inventaria milhares de desculpas e me convenceria de cada uma delas antes de comprar a passagem.

Sei que isso pode chocar uma galera que me conhece, muitas pessoas não imaginam que eu sou assim. Só quem me conhece intimamente sabe dos meus medos, das minhas inseguranças e das dificuldades que tenho pra me relacionar comigo.

Os medos e inseguranças estão presentes em todos os seres humanos e em algum momento da vida todo mundo já sentiu algo assim. Não é exclusividade minha nem sua, nós não estamos sozinhos nessa!

A questão é, como superar tudo isso? Como seguir sem deixar que esses obstáculos nos impeçam de viver a vida plenamente?

Quero me propor pequenos desafios para fazer as coisas que sempre tive vontade e não fiz. E quero compartilhar isso com vocês, assim gero um compromisso público comigo e fica mais difícil de descumprir e, de quebra, ainda ganho incentivo para seguir em frente.

Acho que o cinema é o primeiro da lista!

Consistência x Desistência – Como sair do labirinto?

labirinto

Alguns meses antes de viajar para o Chile, eu tinha iniciado uma mudança de hábitos. Estava tentando me alimentar melhor, me exercitando quase diariamente e bebendo mais água do que bebia antes (uns 2 litros a mais). A ideia, como sempre, era levar essa mudança para a vida e fazer dela a minha nova rotina.

Mas, tem algo que ainda não é uma característica minha: CONSISTÊNCIA.

Infelizmente, eu sou daquele tipo de pessoa que tende a desistir perante às dificuldades e obstáculos diários.

Então, como estava viajando e passava a maior parte do tempo na rua, eu diminuí drasticamente a quantidade de água ingerida, não me alimentei tão bem quanto poderia e, logo depois de machucar meu dedão do pé na primeira semana, eu parei de me exercitar como antes. Fora as caminhadas pela cidade, eu não fiz mais nada.

Como resultado desses 26 dias eu ganhei uma pele super seca e envelhecida (eu parecia uns 10 anos mais velha), um cansaço irreconhecível (talvez tenha sido a soma da desidratação e da má alimentação), uma pancinha bem inchada e um humor oscilante.

É claro que, logo que eu cheguei, a primeira coisa que fiz foi voltar à antiga rotina. Mas, às vezes, me sinto como aquelas pessoas que fazem mil promessas para o novo ano, que dizem que começam tal coisa na segunda-feira e, logo que a empolgação inicial diminui, voltam para a vida de antes e se esquecem dos seus objetivos e sonhos.

Há anos eu começo e paro, recomeço e paro de novo. Entro num ciclo de autoboicote sem fim e fico me perguntando onde está a saída desse LABIRINTO. Talvez, seja mais difícil persistir e seguir em frente porque não tenho fortes motivações, talvez eu seja preguiçosa e acomodada, talvez eu tenha medo do resultado dessa mudança. E, mais uma vez, o medo volta a fazer parte da equação.

Por hora, procuro não ficar encanando com os porquês e tento incorporar essa vida saudável à minha rotina esperando que, um dia, tudo isso se torne algo natural e impensado, como o respirar.

Sentir é bom! Tristeza não é doença

tristeza não é doença - Doce Cotidiano

Por que não é mais permitido sofrer?

Por que o sofrimento foi considerado uma doença que deve ser tratada por psiquiatras com altas doses de medicamento? Por que, para fugir da dor, muitas vezes nos anestesiamos com drogas e bebidas?

Um coração partido, uma traição, a perda de alguém, uma grande decepção, qualquer sentimento que nos cause dor, sofrimento e lágrimas, é natural. Sofrer não é doença (estou desconsiderando depressão e outras patologias, ok).

Imagine uma criança que chora algumas noites porque teve um pesadelo. Você lhe receitaria ansiolíticos, antidepressivos ou remédios para induzir o sono? Espero que não! O que você talvez faça seja acalentar essa criança, dar-lhe amor, perguntar sobre o pesadelo, dizer que nada de mal vai lhe acontecer enquanto ela dorme, talvez durma com ela o restante da noite para protegê-la dos “monstros”.

Então, a gente cresce, e é claro que ainda teremos os nossos “monstros”. Ninguém passa uma vida sem sentir nada (bom, talvez os psicopatas), e sentir é bom, significa que estamos vivos e que ainda nos emocionamos. A dor é um ótimo sintoma. Imagine se ela não existisse!

A gente adoeceria até a morte sem ter a chance de perceber que estávamos doentes. Nossa mão continuaria queimando no fogo antes de percebermos que algo estava errado e retirá-la.

É claro que ninguém quer sofrer e, podendo escolher, definitivamente a gente evitaria situações que nos causam sofrimento. Mas, acredito que todas essas situações, que tendem a ser transformadoras, são essenciais para o nosso desenvolvimento e evolução.

Essa semana, assistindo um episódio de uma série que adoro – Grey’s Anatomy -, o cirurgião Owen Hunt, numa conversa com uma amiga que estava sofrendo (não vou me aprofundar porque corro o risco de dar spoiler), disse algo que eu acho que cabe muito bem aqui.

“Tudo isso que você está administrando. A ideia não é administrar nada.
A ideia é sentir. Tristeza, pesar, dor. É normal. Não é normal para você, porque nunca fez isso. Em vez de sentir a dor, você engole tudo e parte para as drogas. Em vez de atravessar a dor, você foge dela.
Em vez de lidar com a mágoa e a solidão e com medo que só existisse esse sentimento de vazio, eu fugi. Fugi e me alistei para outra temporada de exercícios.
Nós fugimos e medicamos.
Fazemos o que precisar para anestesiar a sensação, mas isso não é normal.
Nós temos que sentir. Temos que amar e odiar. E nos machucarmos, sentir pesar, quebrarmos, sermos destruídos.
E nos reconstruirmos para sermos destruídos de novo.
Isso é humano. Isso é humanidade.
Isso é estar vivo. Essa é a questão. Essa é a ideia. Não evite isso.”

Então, tenha amigos para te confortarem num momento de pesar, procure ajuda sempre que sentir que está difícil carregar o fardo sozinho, chore, grite, escreva, desabafe, mas SINTA! A gente precisa sentir, a gente foi feito para sentir. E, enquanto estivermos vivos, vamos sentir. Não há nada de errado nisso!

Medo da luz

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Sim, eu sei. Eu sumi!

A ideia inicial era escrever durante a viagem, era não abandonar o blog. Mas, não consegui.

Apesar de estar em um lugar inspirador, que povoa a minha mente de ideias e possibilidades, eu travei. E, mesmo querendo ser consistente, mesmo querendo mudar e não ser aquela pessoa que desiste frente às dificuldades, eu fui a mesma Silvia de sempre e me acomodei.

Não gosto de admitir que eu tenho permitido que antigos medos voltem a me perturbar deixando tudo um tanto mais difícil. Não é medo de me expor e já não sei se é o medo de não ser boa. Também não é o medo de falhar, o pior medo sempre foi o de ser bem sucedida. Acho que está tudo meio confuso por aqui.

Então, eu abraço a minha criança interna que, por tanto tempo, teve medo do escuro, e a abraço um pouco mais forte porque percebo que hoje ela tem medo da luz.

Sim, a luz me assusta. A minha luz me assusta. Estou tão acostumada a lidar com a minha sombra que acabei esquecendo que existe o outro lado em mim.

A doçura que tentei sufocar com a minha rebeldia. A sensibilidade que sempre enxerguei como fraqueza. A positividade que permiti ser minada pela negatividade que sempre nos cerca. O amor que eu carrego e que me neguei a dar.

Hoje eu quero sair desse canto escuro que já não combina mais comigo. Quero voltar às cores que tirei do meu armário. Quero reencontrar aquela menina cheia de sonhos, de vontades e desejos, e quero dar a mão a ela para que, juntas, possamos caminhar em direção à luz.