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Um pouco da minha jornada – Autoconhecimento

um pouco da minha jornada - doce cotidiano

Recentemente, percebi que minha busca pelo autoconhecimento é antiga. Antiga, porque ela se iniciou há mais de duas décadas, mais da metade da minha vida.

Essa jornada não começou de forma voluntária, não mesmo! O negócio é que minha mãe já não sabia mais o que fazer comigo; eu a imagino desesperada, jovem e com cinco filhos em casa (dentre eles, uma rebelde sem causa), a solução foi me levar a vários lugares, todos voltados à terapia alternativa (sou imensamente grata por essa sabedoria quase inata da minha mãe, o alternativo funciona em mim muito mais do que o velho método tradicional ocidental).

Acho que a primeira tentativa da minha mãe foi com uma acupunturista Hare Krishna. Dos três meses de tratamento, renderam alguns frutos. Me apaixonei pela acupuntura, fui apresentada ao incenso Spiritual Guide (meu favorito, infelizmente está impossível de encontrar), surgiu a ideia da primeira tatuagem (uma flor de Lótus, que era como a terapeuta me chamava) e, óbvio, um pouco de equilíbrio emocional. Como foi algo que minha mãe compartilhou comigo – ela era tratada na maca ao lado -, acho que foi importante para uma aproximação entre nós.

Depois, veio o Tai Chi Chuan. Minha irmã mais velha, minha mãe e eu fazíamos juntas. Lembro-me de ser sempre tão agitada interiormente que toda vez que tínhamos que nos sentar, colocar as mãos no segundo chakra e prestar atenção na nossa respiração, eu sentia enjoo. Acho que precisei de muitos anos até conseguir fazer isso sem querer vomitar. Ganhei um livro sobre os chakras nessa época e eu o tenho até hoje.

Então, nesse mesmo espaço onde eram dadas as aulas de Tai Chi, tinha um guru (me lembro que o chamavam assim) e minha mãe resolveu que eu precisava me consultar com ele. Só entrando na fase adulta eu descobri que nossas sessões foram baseadas na PNL – Programação Neurolinguística. Um bom tempo depois, eu e minha mãe fizemos um workshop de PNL em SP e foi incrível.

Na época da faculdade, quando começaram os estágios de atendimento aos pacientes, nossa orientadora nos disse como era importante fazermos terapia – todo terapeuta deve ter seu terapeuta. E lá fui eu, para as minhas primeiras sessões com uma psicóloga. Desde então, já tive três terapeutas e um arte terapeuta e passei por inúmeras sessões no decorrer dos anos e, com certeza, todo esse processo enriqueceu o meu autoconhecimento; não tenho dúvidas disso.

Tive o meu período de negação, de esquecimento, de viver no piloto automático, de total desconexão comigo, e isso aconteceu enquanto eu trabalhava no banco. Foi a fase da minha vida em que mais adoeci. Ainda assim, foi um momento muito importante, pois grande parte dos profissionais com os quais me consultei para aliviar as dores físicas, me ajudou a voltar a olhar pra mim.

Depois que saí do banco fiz um programa de autoconhecimento que me ajudou a criar mais algumas rachaduras na minha couraça. Foi meio como um renascimento, principalmente pelo fato de ter me apresentado tantas coisas novas e pessoas incríveis que seriam meus guias nessa nova etapa da minha jornada.

Além das pessoas e dos lugares que frequentei, tive acesso a muitos, muitos livros mesmo, e eu, como devoradora ávida de letras, amei!

Talvez, olhando de fora, você possa pensar que muito tempo foi perdido e que desperdicei energia com tantas abordagens diferentes. Mas, esse foi o meu caminho e hoje consigo perceber que tudo o que aconteceu comigo teve um motivo, nada é fruto do acaso. Todas essas pessoas que me ajudaram, todos os livros que li, todas as discussões com a minha mãe, toda essa busca sem, na época, saber pelo o quê, me trouxeram até esse momento e fizeram de mim o que sou hoje: uma amante do autoconhecimento que aprendeu a se amar enquanto se redescobria. Então, definitivamente, tudo valeu a pena.

Nenhum conhecimento é jogado fora, fica tudo guardadinho dentro da gente. E acredito que, em algum momento, todos esses “pontinhos” se conectam e nos levam a um lugar novo, inesperado e que faz muito sentido.

Abrindo as caixinhas do medo da rejeição

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De acordo com o dicionário online Michaelis, a palavra REJEIÇÃO é um substantivo feminino e seu significado é:

1.   Ato ou efeito de rejeitar; recusa, recusação.
2. Med – Reação do organismo que recebe o enxerto de órgão ou de tecidos, decorrente da incompatibilidade entre o organismo e o enxerto.

De acordo comigo, REJEIÇÃO é mais do que um simples substantivo feminino; é aquilo que me impede de me expor, é o que me impede de me entregar completamente nos meus relacionamentos amorosos, é o que me faz me esconder e não deixar meu verdadeiro eu se mostrar. É o medo que permeia vários aspectos da minha vida.

Talvez, minha ação frente ao medo da rejeição se aproxime do significado número 2 do dicionário. Meu corpo, mente e espírito entram em crise, porque a incompatibilidade entre minha necessidade de me abrir e me entregar e o medo da decorrência disso, a vontade de ser eu mesma e o medo de ser eu mesma, me fazem travar, estagnar e me esconder.

Eu sempre prendo a luz dentro de mim. Guardo meu poder pessoal numa caixinha bem pequena, e então coloco essa caixinha dentro de outra caixa, essa caixa dentro de outra, e outra e outra. Tranco e coloco cadeados, escondo nos cantos mais remotos bem dentro de mim e tento esquecer a sua existência.

A parte engraçada disso tudo é que isso não me impede de sofrer ou de ser rejeitada. Não existe esconderijo no mundo pra me proteger de sentir. E eu quero sentir!

Esse processo de sufocar e esconder meu EU é tão mais cansativo e dispendioso do que simplesmente enfrentar meus medos e SER. Então, por que faço isso?

Imagino que minha ação não seja racional porque isso sempre funcionou inconscientemente apenas como uma forma de me proteger. Desconhecendo os prejuízos que me causava, eu não questionava os porquês.

Agora, consciente desse mecanismo de defesa e proteção, entendendo que não há necessidade disso e percebendo que o medo de ser rejeitada não pode ser maior do que o corpo e a mente que o contém, crio possibilidades e me permito abrir as caixas que estavam trancadas e escondidas dentro de mim.

Esse é o meu processo de libertação, em que vou abrindo uma caixinha por vez e me reencontrando comigo. Nesse reencontro percebo o quanto eu sentia falta da minha luz e da minha alegria, percebo o quanto necessito de expansão e de espaço e entendo que o medo só quer o meu bem. Ao descobrir que não preciso mais dele, posso libertá-lo. E eu quero tanto fazer isso!

Foi um longo caminho até esse reconhecimento e eu sei que essa jornada não para. O autoconhecimento é um caminho sem fim, cheio de desafios e descobertas, mas que vale a pena ser trilhado sem atalhos.

A pergunta universal

a pergunta universal - doce cotidiano

Será que sou boa o bastante?

Todo mundo se sente incapaz e se questiona em algum momento da vida?

Sempre duvidei de mim mesma e, por mais que soubesse que era boa em algo, sempre pensei que não era boa o suficiente. O suficiente pra mim, o suficiente pro outro, o suficiente para obter sucesso. E, mesmo sabendo que me comparar com o outro era a certeza da frustração, eu não conseguia deixar de pensar que sempre existiria alguém melhor do que eu.

Eu sei que cada um tem algo único para contribuir, sei também que não é importante o quanto o outro é bom em algo, porque ninguém tem a mesma combinação de características que eu tenho, portanto, temos coisas diferentes a oferecer. Mas, ainda assim, me questiono, me coloco pra baixo, me imponho limites e não ouso ultrapassá-los.

Pensar que eu não sou boa o suficiente não me incentiva a perseverar, na verdade, é um sentimento castrador. Para algumas pessoas pode ser que tenha o efeito contrário, talvez, para elas, o NÃO seja um impulso para buscar o SIM.

Acho que o autoconhecimento é tão importante justamente por causa disso! A gente precisa entender que tipo de pessoas nós somos frente aos desafios para saber como lidar com eles. Não existe uma regra universal, a fórmula é quase tão individual quanto a impressão digital; cada um tem a sua.

Olhar pro lado, pra mim, só é bom se for para buscar inspirações; porque se eu busco algum incentivo, algum motivo, algo que me faça perseverar, devo olhar somente pro espelho.

Essa é a maneira que encontrei para lidar com as minhas dúvidas sobre mim e com o meu costume de desistir, e ainda estou tentando. É quase como tentar abandonar um vício; já tive inúmeras recaídas e talvez ainda tenha outras mais. O segredo é a persistência?

E você, o que você faz quando não se acha bom o bastante? O que te faz seguir em frente e não desistir?

O equilíbrio e a tempestade

o equilíbrio e a tempestade - doce cotidianoÀs vezes, a gente acha que já conhece quase tudo sobre a gente; como as nossas paixões, nossos medos, nossos gostos, nossos desejos e sonhos e, às vezes, nos percebemos como completos estranhos, quase não nos reconhecemos no espelho.

De vez em quando descubro algo novo sobre mim. Na verdade, não sei se é realmente novo ou se era somente algo escondido, não visitado, não explorado. Você também percebe isso sobre você? Será que isso é uma constante em nossas vidas? Esse surpreender-se consigo mesmo, esse perpétuo descobrir e redescobrir-se, essa renovação de ideias e pensamentos, essa vontade e anseio por mudanças. Alguém mais se sente assim?

Confesso que, muitas vezes, tudo o que eu queria era me contentar e me sentir satisfeita e penso até que já vivi e vivo vários períodos assim. Mas, são só momentos, e esses momentos são passageiros, logo depois vem a tempestade, e ela sempre vem.

Eu nunca tive medo de tempestades, os trovões nunca me assustaram, muito pelo contrário, desde cedo aprendi com a minha mãe a enxergar a sua beleza; curto o som do vento e da chuva forte de encontro à janela, me delicio com o maravilhoso cheiro que chega no ar antes das primeiras gotas caírem e me extasio ao presenciar uma tempestade de raios. Mesmo com as eventuais destruições, ainda assim acho bonito.

Não sei se tem a ver com o meu temperamento, talvez tenha – meu bisavô não me chamava de tempestade por acaso -, mas a calmaria só me agrada por um curto período de tempo, acho que minha mente aprendeu a funcionar na turbulência. Se isso é bom ou ruim, eu não sei, mas tenho funcionado assim. Talvez, a tempestade seja o meu equilíbrio.

O ponto de equilíbrio é relativo, né? Cada um tem o seu. Mas, por muito tempo me espelhei em outras pessoas na busca do que era o meu ponto do meio e, inevitavelmente, me frustrei.

Acho que por isso é tão importante o autoconhecimento, porque não existe nenhuma outra pessoa no mundo como você. Então, a receita para a sua felicidade não estará com ninguém mais a não ser você. Outras pessoas podem ajudar nessa busca, e a gente sempre encontra ótimas parcerias em nossa jornada, mas esse é um caminho que se trilha só. Demorei pra aprender isso e acho que ainda estou aprendendo.

Olhar pra dentro exige coragem. Sim, é uma viagem meio assustadora porque não sabemos bem o que podemos encontrar e quais serão as consequências disso. Ainda tenho medo de acabar ficando sozinha, de afastar as pessoas que amo, de não ser aceita com a minha sombra e, sobretudo, com a minha luz. Tenho receio de ser uma tempestade forte demais e destruir o que estiver em meu caminho.

Mas, penso que se eu aprendi a amar tempestades, com certeza existem outros doidos como eu.

Viver é um direito de todos

Viver é um direito de todos - Toda vida merece respeito - Toda vida é uma vidaTODA VIDA MERECE RESPEITO.

Quero falar um pouco sobre as mudanças que estou vivendo e o que me levou a essa escolha.

Eu cresci em uma família com churrascos aos fim de semana. Quase todos os finais de semana que estávamos no Camping do Jordão, em São Roque, entre familiares e amigos, rolava um churrasco no terraço do chalé 5. E, por mais frequente que isso fosse, por mais abundância de picanha que houvesse, eu confesso que nunca gostei do sabor, rolava até um nojinho da picanha, então eu não comia.

Quando íamos em rodízios de carne, eu me entupia de banana à milanesa – já cheguei a comer 8 em um só dia. As vezes que eu comia carne sem me importar com o gosto era: no lanche, no bife cheio de molho por cima ou cheio de cebola, quando a carne moída estava cheia de cenoura ou outro legume. Só recentemente me dei conta de que precisava disfarçar o gosto da carne com temperos variados. O que leva a uma conclusão muito simples e óbvia, eu nunca gostei do gosto da carne.

O frango eu comia bem temperado, a linguiça não me desagradava e já comi costelinhas várias vezes no Outback. Mas, acho que as coisas começaram mesmo a mudar no ano passado.

Há um tempo atrás eu tentei aderir ao vegetarianismo. Muitas vezes, na hora do almoço, eu ia num vegetariano perto do trabalho e sempre saía me sentindo leve e satisfeita. Parei de preparar carne em casa – já era algo raro, mesmo antigamente eu nunca gostei de preparar porque não suportava o cheiro de sangue -, quase não comia carne fora, exceto em lanches. Apesar de saber da crueldade envolvida na Agropecuária e na Indústria Leiteira, eu preferia não olhar, não ler, não assistir vídeos … eu fingia que não era comigo e continuava comendo carnes esporadicamente.

Outubro de 2015, estávamos em Santiago e fomos num restaurante que o Ciro ama, o Liguria; eu pedi uma massa com espinafre e ele pediu uma costelinha. Não sei dizer o que aconteceu comigo naquele dia mas, quando provei uma garfada da carne, senti nojo, o gosto me desagradou e eu não entendi. Foi a última vez que comi carne de porco.

Então, depois disso, cada vez que passávamos de carro por alguma fazenda e eu via as vacas e os bezerros eu me emocionava e sentia vontade de abraçá-los do mesmo jeito que abraço cachorros. O cheiro da carne de frango começou a me incomodar e nunca mais comi, o leite começou a me dar azia e não tomava mais no café da manhã e, aos poucos, as coisas que eu sentia foram fazendo sentido pra mim.

Viver é um direito de todos - Toda vida merece respeito - Toda vida é uma vidaTODA VIDA É UMA VIDA.

Piracanga também teve seu papel nessa história, aliás, um papel importantíssimo ao me apresentar a filosofia vegana. A sementinha da mudança que já morava em mim começou a germinar e me vi repensando todo o meu viver e as escolhas que eu havia feito até então. Que tipo que vida eu queria pra mim? Como cuidar melhor da minha saúde? Como causar menos impacto no meio ambiente? Descobri que uma das respostas era meio óbvia: eu precisava me alimentar de vida, não de morte.

Então, tirei o consumo de leite e derivados do meu cardápio e me deparei com a imensidão de substituições possíveis, e ainda estou aprendendo e sei que ainda há muito a descobrir.

Meu olfato me ajudou e me vi odiando o cheiro de ovo. Ficou fácil deixar de consumir!

Resolvi investigar minhas roupas e calçados a procura de itens de origem animal e fiz o mesmo com meus cosméticos e com os produtos de limpeza. Ainda estou pesquisando quais são as empresas que utilizam produtos de origem animal em suas fórmulas e quais testam em animais.

Sei que é algo que, inicialmente, requer tempo de pesquisa, disposição pra sair da zona de conforto e mudança de velhos hábitos. Ainda estou engatinhando nesse novo mundo, mas tenho certeza de que vale a pena. Tenho um longo caminho pela frente e muitas coisas para aprender, mas estou me divertindo no processo.

As pequenas bênçãos que não vemos

Outro dia encontrei uma lista que eu fiz há uns bons anos. Eu ainda trabalhava no banco, estava extremamente infeliz, deprimida e sem perspectivas. Nessa lista eu escrevi algumas ideias para continuar viva. Sim, escrevi exatamente assim: “ideias para continuar viva”! Eu sei, é muito drama, mas é como eu estava me sentindo na época.

Essas ideias eram pequenas coisas que eu gostaria de fazer no apartamento – ele é muito antigo e várias coisas me incomodavam -, como pintar o rejunte do banheiro, mudar a cor das paredes do apartamento, pintar a varanda que estava sem cor desde que eu me mudei, trocar o armário da pia da cozinha, instalar mais tomadas nas paredes, mudar as almofadas, comprar um suporte para colocar os sapatos ao chegar em casa … pequenas coisas para deixar o apartamento mais aconchegante.

Sabe o que eu percebi ao reler a lista? Que, no decorrer dos meses e anos, 100% de tudo o que queria estava feito e eu não tinha me dado conta.

Fiquei pensando, quantas vezes pedimos e sonhamos com algo e, ao conseguirmos, não percebemos que realizamos nossos desejos antigos.

Será que é ingratidão ou é só falta de atenção mesmo?

A gente se dá conta e agradece por todas as oportunidades, acontecimentos e felicidades? A gente percebe cada pequena bênção disfarçada? Há um ano eu escrevi sobre isso e, alguns meses depois, esqueci de tudo e voltei a viver no piloto automático.

Acho que está na hora de voltar com o antigo hábito de fazer um diário de gratidão. Antes de dormir, eu devo escrever pelo menos três coisas pelas quais sou grata no meu dia e, mesmo nos piores dias, vou perceber que ainda existe motivo para agradecer; nem que seja a comida na geladeira, um teto sobre a minha cabeça e uma cama confortável pra dormir.

Vivendo o que eu acredito

vivendo o que eu acredito - doce cotidiano

Nesse período de autoconhecimento incorporei novos hábitos à minha vida. Fiz algumas trocas, experimentei o diferente, testei receitas, desafiei o paladar. Depois de Piracanga, principalmente, senti que precisava viver o que fazia sentido pra mim.

Começamos com pequenas coisas, principalmente o que fosse um pouco mais acessível, sem mudanças bruscas demais (tudo o que é feito radicalmente acaba não se sustentando pra mim). A separação dos recicláveis já fazíamos há um tempo em casa, mas ainda me incomoda ver a quantidade de lixo que produzimos.

Mudamos a pasta de dente, o sabonete e o enxaguante bucal. Agora usamos produtos que não agridem nem nosso corpo, nem os animais e nem o planeta. Claro que esses produtos são um pouco mais caros do que as marcas comuns encontradas no supermercado (pelo menos por enquanto), mas aí coloco os prós e contras na balança. Lembrando também que, se tiver disposição e interesse verdadeiro, posso aprender a fazer meus próprios produtos. Essa ideia realmente me agrada.

Já consegui fazer isso com o desodorante. Peguei uma receitinha no Instagram da linda Alana do The Veggie Voice, com óleo de coco e bicarbonato de sódio. Coloquei umas gotinhas de óleo essencial de lavanda e ficou incrível. Achei muito bom, gostei do resultado. Então, minha professora de Pilates falou sobre o leite de Magnésia e resolvi testar (e só depois que já estava usando há um mês vi essa receita dada pela Bela Gil). Numa embalagem roll-on de um antigo desodorante coloquei o leite de Magnésia e as gotinhas de óleo essencial de lavanda (pode ser outro óleo essencial de sua preferência, é que eu e a lavanda temos um caso de amor antigo). Eu e o Ciro acabamos com o primeiro potinho e já refiz.

Inicialmente, senti que a axila passou por um período de adaptação, parece que estava se desintoxicando dos antigos desodorantes antitranspirantes que eu usava. Sabe aqueles desodorantes que te deixam com a sensação de que tem uma camada de cola na pele? Eu odiava aquilo. É claro que agora eu transpiro (afinal, esse é um processo normal do nosso corpo), mas não acho que é nada excessivo e nem fico fedendo. O importante é que me sinto bem, com a pele respirando, sem um monte de químicos prejudicando minha saúde.

Ainda tenho alguns hidratantes antigos em casa, mas dou preferência para os óleos naturais e cremes de marcas veganas. Os óleos da linha da Sacerdotisa são incríveis (aliás, ela também faz um desodorante muito bom). Também tenho um óleo corporal da PachaMama que adoro. Existem vários opções pra quem quer seguir essa linha. São super cheirosos, não agridem a pele, nem os animais e nem o meio ambiente e me fazem sentir uma conexão maior com a natureza. E isso é muito importante pra mim.

Para aqueles produtos que ainda não consegui encontrar uma versão mais ecológica, tento selecionar aquelas marcas que não testam em animais (aliás, acho que já está mais do que na hora de pararem com esses testes. Sério!). Sinto que esse será um caminho natural no futuro, pra todos nós. Já está ficando claro que não tem mais como vivermos dessa forma, desconectados da natureza, maltratando os animais, envenenando nossos corpos com tanta química. Estamos ficando doentes, estamos matando nosso planeta. A mudança é um caminho inevitável, é uma questão de sobrevivência.

Aqui eu estou falando do que é importante e faz sentido pra mim. Meu coração está me levando por esse caminho e achei que já estava mais do que na hora de viver o que eu acredito.

O bolo, o traçado, o calçado e um corpo saudável

O bolo, o traçado, o calçado e um corpo saudável - doce cotidiano

Outro dia fui fazer um bolo, adoro fazer bolos caseiros e adoro mais ainda comê-los. Na descrição da receita mandava aquecer o forno a 180º C e isso não seria um problema se meu fogão não fosse bem velhinho e se a temperatura do forno se mantivesse nos 180º. Toda vez que tento abaixar o fogo, o forno apaga. Já testei inúmeras vezes mas o forno não se mantém aceso. Resultado, tenho que assar o bolo a 200º, no mínimo. Para algumas receitas isso não influencia tanto no resultado final, já para outras, a qualidade do bolo deixa a desejar.

Na época do ensino médio tinha uma disciplina chamada Desenho de Arquitetura – fiz colégio técnico em Edificações no Liceu de Artes e Ofícios de São Paulo -, e tínhamos que fazer projetos no papel vegetal com caneta nanquim. Foi uma fase um pouco traumática pra mim porque eu nunca tinha tirado uma nota baixa na vida e comecei a tirar várias nessa matéria. Meu traçado nunca ficava bom. Me senti realmente incompetente até o meu professor me chamar na mesa dele pra conversar; acho que ele também estava cansado de me dar tantas notas vermelhas. Ele me perguntou quais eram as minhas canetas nanquim, então mostrei a ele e disse que tinham sido da minha irmã, elas estavam com a ponta um pouco estragadas e no mesmo momento ele me disse que eu precisava de um novo estojo. Naquela semana minha mãe comprou pra mim e eu nunca mais tirei notas abaixo da média naquela disciplina.

Há uns anos atrás eu peguei um busão para ir até a cidade dos meus pais e resolvi ir a pé da rodoviária até a casa deles – na época era um inferno conseguir um ônibus que fosse até lá e os táxis eram muito caros; o trajeto leva quase uma hora de caminhada mas eu adoro porque a vista do parque ecológico é linda demais. Eu estava usando o tão controverso Crocs (alguns odeiam, outros adoram, outros usam envergonhadamente porque são feios demais … eu acho feio mas confortável e, naquele momento, estava pouco me importando com a opinião alheia) e não pensei que seria um problema caminhar por tanto tempo com eles na pista de caminhada do parque que, naquela época, era coberta com areia. Pouquíssimos quilômetros depois meu pé estava esfolado, machucado, ardendo e quase sangrando. Se eu tivesse usado um tênis, isso não teria acontecido.

O que essas três histórias têm em comum?

Não importa se eu sou a melhor chefe de cozinha do mundo e meus bolos são divinos, não importa se tenho uma mão firme e meus traçados são sempre uniformes e perfeitos, não importa se tenho uma disposição do caralho e consigo andar quilômetros e quilômetros sem me cansar, se o material que eu usar não estiver funcionando direito ou não for apropriado – meu forno, minhas canetas, meu calçado, ou o que for -, o resultado final não ficará bom.

Eu, que gosto de analisar tudo, comparar e dissecar acontecimentos, fiquei pensando na relação dessas histórias com a saúde física e mental, com os relacionamentos, com a saúde financeira … e por aí vai.

E, percebi que o que importa não é só a minha intenção e boa vontade, preciso também de ferramentas que me permitam alcançar meus objetivos satisfatoriamente, e acho que onde mais senti esse impacto foi na minha alimentação. Como eu esperava estar saudável se ingeria tanto “veneno”?

Da mesma forma que preciso de um forno funcionando para assar meus bolos, de boas canetas para um traçado preciso, de um calçado adequado para cada tipo de caminhada; preciso de alimentos saudáveis diariamente, porque meu corpo não foi feito para suportar, por tanto tempo e sem adoecer, a ingestão de tanto lixo.

A reconciliação e as estrelas cadentes

a reconciliação e as estrelas cadentes - doce cotidiano

Em novembro de 2015 eu escrevi sobre o passado nesse post aqui. Esse assunto é algo ainda recorrente na minha vida, e não é porque me apego a ele querendo que o tempo volte, nem porque não consigo esquecer os traumas antigos.

Ele é um tema importante porque, nessa viagem de autoconhecimento, eu percebi que repito certos comportamentos que são meio autodestrutivos. Descobri um padrão nas minhas ações, escolhas e pensamentos e, não querendo continuar nesse círculo vicioso, resolvi encarar o problema de frente.

Todos os dias gosto de ler a “Flor do dia” do Sri Prem Baba, no Facebook. Sempre tem algo que faz sentido pra mim e vejo uma luz se acender. Quantos insights ocorreram ao ler um simples parágrafo!

Na semana retrasada eu assisti uma palestra sobre relacionamento e, no meio de uma dinâmica, o passado bateu forte na minha porta.

Dois dias depois eu leio a flor do dia e sinto outra batida.

“Quando desenvolve a habilidade da auto-observação e da atenção plena, a sua memória desperta e você começa a lembrar de situações e imagens; você abre os porões do inconsciente e inicia uma limpeza. Limpar os porões significa liberar sentimentos guardados, fechar contas abertas (mágoas e ressentimentos) e se harmonizar com o passado, para finalmente poder sustentar a presença. Pois o que te tira da presença é o passado.”

Então, no dia seguinte, outra vez.

“Para ancorar a presença é preciso fechar as contas com o passado, o que significa poder olhar para trás e agradecer à cada pessoa que passou na sua vida. Onde existe ingratidão existe acusação; onde existe acusação, existe um coração fechado. Em outras palavras, existe uma ferida a ser tratada. Pois é essa ferida que te mantém preso ao passado. Com isso, eu lhe convido a fazer uma reflexão: se, nesse momento, a vida lhe convidasse a deixar o corpo, você estaria pronto? Se a resposta é não, procure identificar porquê. O que você estaria deixando para trás inacabado? Quais são as contas abertas que você estaria deixando? Somente quando puder fechar essas contas do passado, você poderá viver plenamente o presente.”

Algumas respostas para minhas perguntas estão lá atrás. Faço essa revisitação desarmada, não é uma caça às bruxas, não procuro culpados. A intenção é aprender, entender, soltar amarras, reconciliar.

Perdoar e libertar.

Por que faço o que faço hoje, da forma que faço?

De onde vem certos medos?

Algumas pessoas preferem deixar o passado intocado e esquecido e o que importa é só o agora.

Nesse ponto eu concordo, o agora é o que importa. Mas, tem sempre um mas pra mim, para que eu possa estar 100% presente no presente, de coração e alma, preciso fazer as pazes com o que já foi.

Pra mim é importante ter essa consciência, não tenho medo de mexer nesse vespeiro e encarar antigas dores, porque eu sei que é necessário e faz parte do meu processo de cura.

Desde que reiniciei minha jornada de autoconhecimento, há quase dois anos atrás, o Universo foi colocando pessoas especiais no meu caminho. Algumas delas surgiram tão inesperadamente que eu as comparo às estrelas cadentes que vi no céu de Piracanga. A gente tem que estar atento pra enxergar e, quando as vemos, nunca mais esquecemos da experiência. A elas, sou eternamente grata.

Essas pessoas iluminaram o meu caminho me ajudando a enxergar o que eu mantinha no escuro: meus medos, minhas mágoas, minhas dores …. me fazendo entrar num processo profundo e intenso de limpeza e me mostrando que essa é a hora de me reconciliar com a minha sombra.

Pro bem ou pro mal, o contato com o ser humano sempre nos ajuda a evoluir.

Enquanto vou fazendo as pazes com o que já foi, abro um espaço em mim para viver o que é.

O vício da explicação e o tempo

o vicio da explicação e o tempo

Estava pensando sobre a minha necessidade de me explicar o tempo todo. Explicar meus sonhos, meus pensamentos, minhas ações, minha falta de ação …. Explicar pra qualquer um. Meio que tentando me justificar por algo. Algo que não sei o que é.

Você se sente ou já se sentiu assim?

Pra mim, isso também se relaciona com a minha permissividade. Eu demorei pra perceber que era permissiva, principalmente porque fui uma adolescente rebelde. Mas, eu tinha essa rebeldia só dentro de casa, na segurança do amor dos meus pais e meus irmãos. Quando tinha que me posicionar fora de casa, eu me calava. Hoje consigo enxergar isso.

Meio que dá uma vergonha (olha aqui a preocupação com os outros de novo) de admitir isso. Nunca me defendi, nunca defendi causas que eu acreditava, pelo menos não abertamente. E acho que era por medo. Medo de sair de cima do muro, escolher um lado e, de repente, me descobrir sozinha.

Mas, por que esse medo de ficar sozinha?

Pra mim tem a ver com a minha baixa autoestima naquela época, o fato de não gostar de mim mesma e aquele sentimento eterno de inadequação. Eu não queria me sentir sozinha porque não gostava da minha companhia. Talvez, por isso, sempre engatei um namoro atrás do outro, nunca me permiti ficar só comigo, me curtir um pouco, me descobrir. Cara, faço isso desde que comecei a namorar, bota uns 20 anos nisso. Parece muito tempo, né?

Mas, não gosto muito de falar de TEMPO, pelo menos não ultimamente, porque junto vem aquela velha cobrança, autoimposta e imposta pela sociedade; como se existisse um período máximo para alcançarmos nossos sonhos, para sermos felizes, para encontrarmos nosso propósito.

Aquele relógio da cobrança nunca para, está sempre correndo e te lembrando que você ainda não fez nada realmente importante, que você não encontrou suas respostas, que você ainda não sabe se quer ser mãe, que você já tinha que saber de tudo isso há muito tempo.

Será? Será que eu já deveria saber disso? Quem define esse momento? Quem sabe o momento certo pra mim? Pra você?

A gente vai vivendo no piloto automático, fazendo o que esperam de nós, decidindo nosso futuro profissional quando somos jovens demais, esquecendo que sempre podemos mudar de escolhas, de ideias, de amores, de vida.

Estou acordando aquela adolescente rebelde, quero apresentá-la para a criança doce e meiga que eu fui e trazê-las de volta pra mim. Porque eu quero a doçura, quero a indignação que gera ação, quero a gentileza, a força, a coragem, o amor próprio, quero tudo o que fez e faz parte de mim.

Quero continuar buscando e não desistir, mesmo quando me disserem que é inútil e que não existe nada a buscar. Porque eu sei que dentro de mim isso existe, eu só não consegui acessar.

Ainda!