A alimentação, o dinheiro e as escolhas

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Já faz alguns meses que embarquei nessa mudança de hábitos, principalmente com relação à alimentação, e tem algumas coisas que percebi.

Nem sempre é possível fazer as coisas da forma exata que planejamos em nossos sonhos. Eu adoraria poder me alimentar somente de orgânicos, mas infelizmente não consigo por vários motivos.

O motivo principal que me impede de realizar esse desejo é a questão financeira, pelo menos no momento presente. Pagamos nossas compras com um cartão alimentação que o Ciro recebe no trabalho; os supermercados aceitam esses cartões, mas nem todo mercado tem uma seção de orgânicos. E, a outra parte da questão é que aqui onde moramos não está fácil achar produtos com valor acessível, a diferença de preços entre orgânicos e não orgânicos pode ser gritante.

Perto de mim tem alguns pontos de venda de alimentos orgânicos, mas na maior parte deles só consigo encontrar legumes e verduras e a variedade não é extensa. São basicamente os mesmos vegetais toda semana. O Cestão Biodinâmico facilita bastante, as feirinhas também (lá encontramos frutas), mas eles não aceitam cartão alimentação, somente dinheiro.

Eu sei que a variação de preços e do que encontrar depende muito do lugar que você mora. Sigo algumas pessoas no Instagram que sempre postam as fotos dos seus orgânicos e dos valores pagos e a diferença é absurda. Às vezes, chego a pagar três vezes mais do que eles pelo mesmo alimento.

São várias coisas que me fizeram pensar que, no momento, tenho que me adaptar da melhor forma possível. Comer alimentos saudáveis com agrotóxico ainda é melhor do que não comer nenhum. Infelizmente, a realidade é essa.

Enquanto não tivermos a nossa horta em casa, enquanto o Brasil ainda for um dos maiores consumidores de agrotóxicos do mundo, enquanto ainda não houver produção suficiente de alimentos orgânicos, enquanto a nossa condição financeira não nos permitir gastos maiores; temos que nos virar do jeito que der.

Existem várias receitinhas na internet de como retirar o agrotóxico, essa é uma delas, mas pra quem tem reação ao iodo, acho que não é recomendável; aqui nesse site tem outras dicas. Outras fontes dizem que mesmo lavando bem e descascando e/ou retirando sementes, ainda podemos ter resquícios de veneno porque, em alguns casos, ele penetra no alimento não ficando só na casca.

É algo que eu penso, é algo que tenho receio. Tenho medo de estar me envenenando demais, mas não comer frutas, verduras e legumes, não é uma opção pra mim.

No meu cenário de mundo ideal não haveria mais agrotóxico, todo alimento que vem da terra seria de fonte segura e confiável, nenhum animal seria explorado e morto para o nosso prazer, todos teríamos nossas hortinhas em casa e trocaríamos alimentos com os vizinhos, não existiria a fome e nem as doenças causadas pela má alimentação, a quantidade de lixo que produzimos seria reduzida consideravelmente, nossas águas não seriam contaminadas e seríamos uma comunidade praticamente autossustentável. Mas, por enquanto e a nível global, esse é só um sonho.

Na minha rotina estou tentando descobrir novas possibilidades de causar um impacto menor, tanto na minha saúde quanto no planeta. Ainda não estou no patamar que eu gostaria, mas estou tentando aceitar e não me culpar por não ter chegado lá ainda.

Por enquanto, como orgânicos quando for possível e tento, na maior parte do tempo, me alimentar de forma saudável. Veja bem, eu disse na maior parte do tempo, porque também tenho meus momentos de junk food. É que, hoje em dia, o meu junk não é tão junk quanto antigamente, mas só porque fiz algumas trocas.

Como é uma mudança de estilo de vida que pretendo que seja duradoura, estou tentando tirar a culpa e a autocobrança para deixar esse processo mais leve. E, sei que quanto mais eu me desintoxicar, mais serei capaz de escutar o meu corpo e dar a ele somente o que ele precisa. Uma hora eu chego lá!