A menstruação e o planeta

Nessa nova fase em que tenho buscado viver com escolhas mais conscientes, encontrei algumas coisas que gostaria de compartilhar. Já adianto que não estou ganhando nada com isso, não rola nenhum patrocínio, infelizmente. É que, da mesma forma que gosto de receber boas dicas, também gosto de dá-las.

Primeiro quero falar sobre absorventes mais sustentáveis (homens, pode ser uma dica pra sua mãe, namorada, amiga, esposa …).

Já faz um tempo que venho usando aquele coletor menstrual de silicone e, no geral, me adaptei bem. Pra quem já estava acostumada a usar absorventes internos, não estranhará o uso do copinho.

Acontece que nem sempre estava afim de inserir nada em mim hahaha, e com o meu pulso meio zoado, às vezes é sofrido colocar o coletor. Então, fiquei sabendo das calcinhas absorventes e, xeretando na internet, encontrei uma marca que vende aqui no Brasil. Resolvi investir e testar, comprei 3 modelos diferentes que funcionam bem para o fluxo leve, médio e intenso.

Antes que alguém reclame do valor necessário para investir nesses meios absorventes, vale lembrar que tanto as calcinhas quanto o coletor são reutilizáveis, já o absorvente convencional é descartável e nada ecológico. E, você não usa apenas um absorvente durante todo o ciclo, então também vai uma grana aí por mês, sem contar todo o lixo que está sendo jogado no planeta.

Já usei as calcinhas por dois ciclos consecutivos e, apesar de achar que estranharia a sensação já que não estava mais acostumada a absorventes externos, foi bem mais tranquilo do que pensei. As calcinhas, além de lindas, absorvem super bem, não tem nada de nojento como li em alguns comentários de quem ainda não tinha usado o produto, não fica nenhum cheiro desagradável e você pode usar por horas sem medo de vazamentos (lembrando que é importante que você conheça a intensidade do seu fluxo e escolha a calcinha com absorção apropriada).

Se você não quiser investir em mais de uma calcinha, você pode intercalar o uso dela com algum outro absorvente ecológico (coletor menstrual, absorventes de pano etc). Eu comprei logo 3 pra poder usar apenas elas durante o ciclo e funcionou bem pra mim. Eu comprei da marca Pantys, mas devem existir outras marcas no mercado, principalmente no exterior.

Acho que a troca dos absorventes convencionais por outros mais ecológicos é válida, não só pelo aspecto financeiro – economia de dinheiro ao comprar o coletor ou calcinha apenas uma vez e utilizá-los por alguns anos -, mas principalmente se pensarmos na questão ambiental.

Eu sei que somos muito imediatistas e não pensamos no impacto que as nossas ações causarão no futuro (aliás, já estamos sofrendo as consequências de algumas ações passadas desastrosas), mas já passou da hora de repensarmos nossas atitudes e escolhas. É sempre bom lembrar que esse planeta é a nossa casa e todo lixo que produzimos vai ficar aqui mesmo, e é nossa responsabilidade cuidar desse espaço que é o nosso único lar.

O Outro é o meu espelho

Photo by Bekah Russom on Unsplash

Estava pensando na minha maneira de lidar com as divergências nas relações familiares e em como ainda sinto necessidade de me explicar. Me pergunto se tem a ver com querer ou precisar da aprovação e aceitação dos outros, ou se é porque ainda preciso esclarecer as coisas pra mim.

Foram tantas mudanças internas que aconteceram num relativo curto período de tempo, que me perdi um pouco tentando me encontrar. Ainda estou no processo de assimilar e compreender quem eu sou agora, ainda estou me familiarizando com essa nova mulher que me habita. Talvez esse excesso de justificativas venha daí. Me justifico pro outro na tentativa de entender a mim mesma.

E em meio a esse vendaval de mudanças, o que fazer e como agir quando o seu novo jeito de viver a vida te separa das escolhas dos seus familiares?

Eu precisei de um período de adaptação pra lidar com esse novo eu e não pensei que, talvez, eles também precisassem. Ainda estou aprendendo a me colocar no lugar do outro, mas nem sempre é fácil.

Porque, ao mesmo tempo em que TENTO entender que cada um vive da forma que acha que deve, sinto que preciso explicar a minha forma de viver e as minhas escolhas. E eu TENTO mesmo entender, mas falho na maior parte das vezes porque somos muito diferentes na maneira de pensar.

Dizem que todo relacionamento afetivo é uma escola e eu realmente acredito que seja uma grande fonte de aprendizado, ainda mais numa família grande como a minha com tantos diferentes temperamentos, comportamentos e personalidades.

Acho que vou me conhecendo um pouco mais em cada interação e relacionamento, em cada conversa e discussão, porque a maneira que eu reajo perante o comportamento do outro só diz algo sobre mim, afinal, o Outro é o meu espelho!

É que, às vezes, é difícil encarar esse espelho porque nem sempre o que vemos refletido nos agrada, fica mais fácil jogar a responsabilidade pelos nossos sentimentos em cima do outro. Eu ainda faço isso, mas eu sei que sou a única responsável pela maneira como me sinto. Percebo que quando ajo assim é a vítima em mim querendo atuar, querendo espaço, querendo ser vista.

Meu longo aprendizado tem sido a forma como me relaciono comigo, com os outros e com a minha sombra e, principalmente, com essa vítima que busca a minha atenção.

Tentando sair do conformismo

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Estava aqui pensando no conformismo, no meu conformismo pra ser bem específica.

Você sabe qual é o significado dessa palavra?

Conformismo é o comportamento ou tendência de se conformar, é aceitar uma situação indesejada sem se opor, é passividade.

E, por mais que eu goste de acreditar que sou “briguenta” para me defender, para defender os outros ou as causas que acredito, eu não sou essa pessoa o tempo todo. Já me calei inúmeras vezes em situações que deveria ter falado, já deixei de agir quando deveria ter agido e permiti que injustiças fossem cometidas com a minha omissão.

Quando questiono o porquê de ser assim, não posso deixar de me perguntar: do que eu tenho medo? O que me impede de ser a pessoa que quero ser?

Ficar quieta no meu canto me dá uma falsa sensação de proteção, porque se eu me torno invisível, não há mal que me alcance. Mas, mesmo sabendo que isso não é verdade, mesmo sabendo que o NÃO agir não me protege, eu persisto nesse comportamento. Não é algo que me traga orgulho, muito pelo contrário. Admitir isso aqui é tão difícil quanto admitir pra mim mesma que eu não sou quem eu pensava ser. Atualmente, tenho descoberto muitas coisas a meu respeito, algumas boas e outras não tão boas, e fica evidente o quanto eu ainda me desconheço.

Mas tudo bem, perceber minhas qualidades e defeitos faz parte do processo de autoconhecimento. E, já que me propus embarcar nessa jornada, tenho que encarar qualquer cenário e situação que cruzar meu caminho, por mais desafiante que possa parecer num primeiro momento.

Entendo que isso vale para qualquer comportamento que eu quero mudar em mim e percebo que a única forma de ser quem eu quero ser, é sendo. Parece meio óbvio afirmar isso, e é, mas nem por isso é simples.

Então, como mudar? Como me tornar a pessoa que eu quero ser? Como sair da passividade para a ação?

Não acho que exista uma receita padrão a ser seguida, pois cada um sabe o que funciona consigo mesmo, ou se não sabe, irá descobrir no tentar.

Pra mim, eu descobri que preciso dar um primeiro pequeno passo, fazendo as coisas que eu estava adiando fazer, seja por medo, por preguiça ou por qualquer outro motivo que me impedisse de agir, e então o resto da caminhada se torna um pouco menos difícil.

Eu preciso escrever e verbalizar as minhas dificuldades para que eu as reconheça e aprenda a lidar com elas. Eu preciso não me culpar pelos tropeços e pelas minhas deficiências. Eu preciso me aceitar como um ser humano falho e que ainda está muito longe da perfeição. Eu preciso me cobrar menos e me perdoar mais. Tudo isso me ajuda um pouco a sair do lugar da não ação.

Acho que sempre existirá algo a ser mudado e aperfeiçoado e entendo que isso faz parte da vida e da nossa necessidade de evolução. O meu desafio é lidar com isso de uma forma leve e num processo contínuo, sem meus longos períodos de estagnação e sem o conformismo presente.

A saúde e a autorresponsabilidade

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Desde que resolvi mudar meu estilo de vida, percebi a necessidade de pesquisar, estudar e me informar para que pudesse fazer escolhas mais conscientes.

O que antes ficava na mão de terceiros, agora eu precisava me apropriar.

É muito comum entregarmos nossa saúde nas mãos dos profissionais da área e nos isentarmos da responsabilidade, mas isso não estava mais funcionando pra mim.

Já me consultei com uma infinidade de profissionais e, como acontece em toda profissão, sempre existe o mau e o bom profissional. Sempre existe aquele que vai um pouquinho além e te enxerga em toda a sua complexidade, e existe o outro que parece apenas seguir uma cartilha, como se todo ser humano fosse igual e funcionasse da mesma maneira.

Por anos e anos eu tive uma alteração no meu Hemograma e o médico do trabalho me dizia que era comum e que eu não precisava me preocupar. Eu confiava no que ele me dizia e não fui atrás para saber o porquê daquela alteração.

Ano passado resolvi assumir definitivamente a responsabilidade pela minha saúde física, mental e espiritual. E foi aí que muitas respostas chegaram.

Aquela alteração que o médico do trabalho dizia ser comum, era de fato comum, mas isso não a tornava não prejudicial, ela estava relacionada com a minha insuficiência de vitamina B12. Talvez, por eu ainda comer carne na época, ele não conseguiu relacionar os meus sintomas ao resultado do exame, talvez ele não soubesse interpretar um hemograma (coisa assustadoramente comum na classe médica), talvez ele não soubesse que a deficiência de B12 não afeta somente vegetarianos estritos, mas também pessoas que consomem carne, ovos e laticínios, ou talvez ele só quisesse atender logo o próximo paciente para ir embora dali.

Eu estava com uma insuficiência de B12 alarmante, e estive assim por muito tempo, e como eu não sabia interpretar um hemograma e confiei no que aquele médico me disse, muitos dos sintomas que eu tinha não eram relacionados à sua real causa.

É claro que depois de muita pesquisa por minha própria conta e de perceber que havia algo errado, procurei outro profissional, fiz vários exames que constataram o que eu já sabia. Faço a reposição vitamínica desde então e reavalio a situação com novos exames a cada três meses.

Tudo isso me fez perceber a importância de nos conhecermos bem, em todos os aspectos. É muito importante sabermos ouvir o que nosso corpo nos diz. Ele sempre se comunica com a gente, seja por um desconforto após ingerir determinado alimento, pelo cansaço que pode advir da falta de ingestão de água na quantidade necessária ou por uma dor de cabeça se comi muito açúcar. Cada organismo reage de determinada maneira e cabe a nós interpretarmos esses sinais.

Talvez, o que dificulte isso seja a sua desconexão consigo mesmo. Se quando chega uma dor de cabeça você já engole um comprimido, se quando está com azia ingere outra cápsula, e não se dá a chance de perceber o que pode ter causado aquele sintoma, você pode perder a oportunidade de conhecer melhor os sinais que o seu corpo está te dando de presente. Todo sintoma tem uma causa, seja ela física ou emocional.

É claro que não tem como saber tudo sobre tudo e que, em muitos momentos, precisaremos confiar em outras pessoas para nos darem as respostas que não encontramos sozinhos. Mas é importante que a gente saiba que assumir a responsabilidade pela nossa saúde não é só ir ao médico e fazer exames regulares para verificar se está tudo bem.

Nenhum profissional conseguirá conhecer o seu corpo tão bem quanto você mesmo.

Me libertando da prisão

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A ideia de escrever e postar é uma forma de não me sentir sozinha com as minhas loucuras. Porque quando eu escrevo, eu as tiro um pouco de mim e, quando eu as compartilho, encontro outras pessoas que se identificam com o meu funcionamento por também funcionarem assim.

A exposição me deixa vulnerável às críticas, eu sei, mas isso já não é tão assustador quanto antes porque estou acostumada ao bombardeio interno. São décadas de autocrítica impiedosa e isso me faz perguntar, por que, quando se trata de nós mesmos, somos sempre tão rigorosos em julgar e punir? Descobri que ninguém pode me ferir tanto quanto eu mesma.

Você também faz isso consigo? Você se critica por cada pequeno erro? Se julga por cada ação desastrosa? Se culpa por cada mero deslize?

Já há um tempo estou trabalhando a culpa em mim, porque, sinceramente, ela não serve pra nada. Me arrepender por um erro cometido, pedir perdão e me perdoar e estar atenta para não errar o mesmo erro de novo, isso sim tem alguma serventia para o meu crescimento. Mas o sentimento de culpa, esse só me prende e castiga, ele me impede de tentar melhorar, ele me subjuga e me mantém num ciclo de dor e autopunição sem fim.

Fico aqui me perguntando de onde vem a necessidade desse castigo. Em que momento aprendemos que precisamos nos culpar por tudo e, ainda pior, por que entendemos a culpa como algo bom e necessário?

Sério, pensa comigo. Lembre de algo que você tenha feito e que foi considerado errado, por você e pela sociedade. Lembre da culpa que você sentiu. Sinta de novo esse sentimento e me diga o que ele traz a você. Ele te faz querer ser alguém melhor? Ele te move em direção ao autoperdão? Ele te mostra que você é um ser humano passível de erros e que só dá o melhor que você tem pra dar em cada situação? Ou ele só te põe pra baixo?

A culpa prolongada imobiliza e impede o crescimento, ela nos faz adoecer, mental e fisicamente. Quando tiver um tempinho, busque por SENTIMENTO DE CULPA na internet e veja a quantidade de textos discorrendo sobre o assunto e afirmando como esse sentimento nos é nocivo.

Então, mesmo sabendo de todo o mal que nos causa, por que ainda enveredamos por esse caminho? Que parte nossa busca essa prisão?

É necessário um exercício no espelho, olhando pra dentro de si e procurando a origem da sua busca pela perfeição e pelo controle. Porque o sentimento de culpa guarda uma relação estreita com a necessidade de controlar, com o perfeccionismo, com o nosso ego, mas não me sinto habilitada para discorrer sobre assunto aqui.

A culpa, ou é melhor dizer arrependimento, pode ser boa até o ponto que nos faz avaliar nossos pensamentos e ações, nesse sentido ela pode ser útil, mas quando se torna algo prolongado e que toma conta de nós, ela nos adoece.

A culpa nos prende.

O autoperdão nos liberta.

Os cheiros, as lembranças e a saudade da vó

Eu tenho um tanto de focinho de cachorro quando se trata do meu nariz e, fora esse faro tão característico, somado a isso vem a minha memória olfativa.

Certos cheiros me levam de volta a vários lugares do meu passado, me fazendo lembrar de situações, pessoas e eventos, trazendo sentimentos, imagens e recordações esquecidas.

Com um aroma posso lembrar de alguém, da roupa que essa pessoa estava usando quando eu senti esse cheiro, do que eu senti ao abraçá-la, da conversa que tivemos e por aí vai.

Hoje, em meio a diversão de testar receitas veganas que peguei na internet, um dos processos trouxe um cheiro forte de saudade. Foi a primeira vez que lidei com fermento biológico seco e, ao fazer a “esponja” para incorporar à farinha, senti o cheirinho que sentia na minha infância quando via minha avó fazendo pães, massas e todas as coisas maravilhosas que só ela sabia fazer.

Um simples aroma me fez viajar no tempo, me levando de volta à cozinha da casa onde morei no bairro Alto do Mandaqui, em São Paulo, quando criança.

Minha avó tinha vários dons, mas dois deles foram os mais marcantes pra mim: seu dedo verde (tudo o que ela tocava florescia) e sua mão para cozinhar. De todas as coisas mais gostosas que já experimentei, a grande maioria foi feita por ela.

Nas pequenas coisas do dia a dia as melhores lembranças são construídas e muitas vezes não nos damos conta, e então, décadas se passam e um pequeno acontecimento traz tudo à memória outra vez.

Os cheiros são muito importantes pra mim, eles contam uma história.

Tentando deixar a rigidez de lado

Estava aqui pensando no quanto tenho de rigidez dentro de mim, no quanto posso ser inflexível com os meus pensamentos e na minha forma de encarar a vida, no quanto tento impor minha verdade para o meu parceiro, principalmente, e na minha dificuldade de não julgar/respeitar a verdade do outro.

Admitir pra mim mesma essas características das quais não me orgulho faz parte da minha jornada de autoconhecimento. Reconhecer as minhas imperfeições, que são tantas, e tentar lidar com elas da melhor forma possível tem sido um belo desafio.

Cada um tem suas crenças ou a falta delas, e cada um vive de acordo com o que acha certo ou de acordo com o que os outros acham certo e, baseado nisso, fazem suas escolhas.

As minhas crenças foram mudando com o tempo, mas certas coisas permaneceram imutáveis em mim.

Eu acredito que exista muito mais do que podemos ver e compreender, neste e em outros mundos. Acredito que o Universo é grande demais para que nos coloquemos como o centro dele, como sendo a única forma de vida inteligente que nele habita.

Acredito que a morte terrena seja só uma passagem e que esse ciclo de vida neste plano é só uma pequena parte de tudo o que já vivi e ainda vou viver.

Acredito que estamos todos interligados energeticamente – seres humanos, animais e natureza – e que o mal feito a um afeta a todos.

Acredito que encarnei aqui como parte do meu processo evolutivo espiritual e que esse ciclo ainda se repetirá incontáveis vezes, neste ou em outro planeta.

Acredito na ação e na reação, mesmo que a reação não seja imediata.

Acredito na luz e na sombra, no bem e no mal, e que são as minhas atitudes, pensamentos e escolhas que me levarão para perto de um ou de outro. Mas sei que ambos fazem parte de mim.

Acredito que o mal pode ser contagioso, assim como o bem também é. Eu realmente acredito que gentileza gera gentileza.

Acredito na natureza. Na sua beleza, no seu poder de regeneração e cura, na sua energia pura e na sua sabedoria infinita.

Acredito no Amor, mesmo que eu ainda não saiba amar.

Essas são algumas de minhas crenças e de acordo com elas tento viver a minha verdade.

Tenho me questionado bastante ultimamente. Esse olhar atento é uma vigília às minhas atitudes e pensamentos e me faz perceber que os aprendizados são diários e que escorrego vezes sem fim.

Me percebo como um bebê aprendendo a andar, tentando se levantar, caindo, perdendo o equilíbrio, engatinhando e persistindo. Eu levanto, caminho um pouco, me desequilibro e caio, levanto de novo, caminho mais um pouco e lá vou eu pro chão outra vez.

Acho que isso faz parte do crescimento, né? Tudo o que está vivo passa por um processo evolutivo e tudo muda com o tempo, mesmo aquelas pessoas que dizem não mudar nunca.

Então o que me resta é me tornar o mais maleável possível para não quebrar sob fortes vendavais e tempestades. Meu corpo sempre teve a sua maleabilidade inata, meu desafio maior é com a minha mente.

Mudar: morrer e renascer dentro de mim!

Mudar: morrer e renascer dentro de mim! - doce cotidiano

Estava aqui pensando no tanto de mudanças que podem acontecer num curto espaço de tempo e no quanto nossas vidas podem mudar a partir de pequenas escolhas e atitudes diferentes das de antes.

Há seis meses atrás eu estava morando em Campinas, no centro cinza da cidade, num apartamento já pequeno para nós dois, sofrendo horrores no calor, tanto dentro quanto fora de casa. Eu não tinha muita vontade de sair caminhando por aí e minhas saídas se restringiam a alguma atividade específica, como fazer compras ou ir à consultas médicas.

Eu desejava ser voluntária num asilo, mas o fato de ser distante de casa e precisar pegar duas conduções me desanimava muito, então eu não fazia nada. Meus planos só ficavam no campo mental. Nada de ação!

As pessoas que eu conhecia na cidade eram ex colegas de trabalho e funcionários dos comércios que eu frequentava.

Eu passava a maior parte do tempo sozinha entocada no apartamento e achava que estava tudo bem em ser assim.

E então, enquanto eu visitava meus irmãos na Estônia no começo do ano, soube que mudaria pra Curitiba e tudo aconteceu enquanto eu ainda estava lá. Quando voltei pro Brasil, percebi que a realidade que eu havia vivido nos últimos anos não mais existiria. Meu apartamento já não era mais meu e meus objetos estavam morando em caixas na casa do meus pais, aguardando a minha chegada.

Essa mudança foi muito mais do que uma mudança de estado/cidade porque algo aconteceu dentro de mim. Uma parte minha que estava adormecida, despertou.

Meu novo apartamento, extremamente gelado, me fez sair de casa e, ao sair caminhando sem rumo pelo bairro, fui encontrando um novo caminho.

Descobri um asilo na rua de baixo de casa e vou lá duas vezes por semana.

Outros dois dias da semana eu vou num Centro Espírita que também não é muito distante do meu apartamento. Aproveito minha disposição pra caminhar e vou a pé. Além das pessoas incríveis que encontrei e que me receberam tão bem, o reencontro com a doutrina está me fazendo olhar pra mim e para as minhas atitudes com um pouco mais de atenção.

É engraçado pensar que fui encontrar meu lar tão longe de casa!

Não sei o dia de amanhã, ninguém sabe não é mesmo, por isso não posso afirmar quanto tempo ainda ficaremos por aqui. Mas enquanto aqui estou, vou formando meu lar com antigos e novos afetos, para poder carregar comigo bem dentro de mim para onde eu for, no lugar onde tudo mora, onde tudo vive, onde tudo cresce, morre e renasce, quantas vezes preciso for.

Os desejos que se realizam e o saber pedir

Os últimos acontecimentos me mostraram duas coisas muito importantes:

1. Desejos se realizam

2. Você precisa ser claro ao desejar hahaha

Essa mudança pra Curitiba tem sido um aprendizado constante e, se eu me permitir perceber as pequenas e grandes coisas e não focar somente nos desafios que eu ainda chamo de problemas (mas estou tentando mudar e encarar o desafio pelo o que ele é: uma oportunidade de crescimento), perceberei que quase tudo o que eu havia desejado por anos e anos se realizou.

Eu sempre gostei do frio, o calor me deixava irritada e alérgica.

Eu queria morar num bairro bem verde e cheio de árvores, porque o centro de Campinas era bem cinza.

Eu queria, um dia, poder morar no sul.

Eu queria morar num lugar onde eu me sentisse em casa ao andar nas ruas.

Eu queria poder fazer minhas compras a pé.

Eu queria uma cozinha maior, um banheiro maior e mais claro, mais um quarto em casa, uma sacada e uma vista.

Eu sempre quis morar num lugar em que a temperatura me permitisse usar aqueles cobertores fofos no sofá.

Cada um desses desejos se realizou, sem exceção.

Mas quando os probleminhas começaram a surgir nesse apartamento eu meio que me esqueci de que estava vivendo a realização de um sonho.

Eu queria morar numa cidade fria, não num apartamento frio. Não bate sol e, por ser antigo, não tem aquecimento a gás. A água é super gelada e o chuveiro não aquece o suficiente por ser 110V (coisa de prédio velho demais). Às vezes, é mais frio dentro do que fora de casa.

Não pudemos contratar a empresa de internet que queríamos porque a fiação não passava pelos dutos que são estreitos demais.

Problemas de estrutura, problemas com as esquadrias, problemas de vazamentos, problemas com vaga de garagem …. Problemas, problemas, problemas! E, como era uma coisa acontecendo atrás da outra, eu só foquei nisso por um tempo.

E por estar tão focada no que eu não gostava e não queria, deixei de ver a beleza das Araucárias e dos Cedros nas ruas do meu bairro.

Deixei de reparar nas montanhas ao fundo da paisagem que é possível ver das janelas de casa.

Deixei de apreciar o frio que sempre gostei.

Agora, enquanto escrevo na sala, o aquecedor portátil está ligado, estou usando 2 calças de lã, meias fofas e 2 blusas e, ainda assim, não consigo me aquecer. Nem em Tallinn passei esse frio dentro do apartamento. Mas, quer saber, uma hora ou outra eu me acostumo e, felizmente, esse apartamento é alugado e poderemos sair dele no ano que vem. E, agora, depois de tudo isso, já sei o que desejar e procurar para o próximo apartamento.

E o que eu quero mesmo, a cada vez que olhar pela janela e que sair pra caminhar, é me lembrar que todos os meus desejos foram realizados e que eu tenho muito a agradecer. Esse lugar é tão lindo e me faz sentir em casa e acho que isso é o mais importante.

Tentando mudar o foco

Uau, quanto tempo sem aparecer por aqui. Mas, pelo menos dessa vez, eu não fiquei sem escrever, só deixei de postar. É que tantas coisas aconteceram nesses últimos meses que eu precisei de um tempo pra processar, tanto os acontecimentos quanto os sentimentos decorrentes.

Às vezes a gente só precisa de um tempo pra si, né.

Bom, com tudo o que aconteceu, acho que o maior aprendizado, aquilo que eu não posso esquecer, é a colocar as coisas em PERSPECTIVA. De vez em quando eu preciso voltar ao passado recente e recordar dos momentos vividos para que eu possa olhar meu momento presente de outra forma.

Não é segredo que sou imatura emocionalmente, que me deixo levar facilmente pelos sentimentos e que isso gera muito estresse desnecessário na minha vida. Eu estou bem consciente disso, mesmo nos momentos que minha criança birrenta interna surge, eu estou plenamente consciente de mim, mas nem por isso estou no controle. Ainda me deixo guiar pela sombra.

Então, como preciso viver e reviver certas coisas para aprender, como preciso de lembretes diários para recordar e fazer melhores escolhas, fiz uma lista do que acho mais importante.

  • Deixar de encarar os desafios como problemas
  • Não colocar peso no que poderia ser mais leve
  • Olhar meus medos de frente e questioná-los
  • Lembrar que sempre há algo pelo o que ser grato, mesmo quando nos sentimos na merda
  • Entender que cada um tem a sua jornada e que eu não posso viver a dor de ninguém, mas posso ajudar
  • Lembrar que o “peso” que me é dado eu posso carregar, mas não preciso aumentar o fardo com pensamentos e atitudes negativas
  • Não ter pressa, respeitar meu ritmo de aprendizado e viver um dia de cada vez
  • Na completa escuridão, acender algum ponto de luz, nem que essa luz esteja do lado de dentro
  • Olhar para o outro ajuda a mudar o foco
  • Uma fralda cheia de merda pode ser um grande presente.

Com certeza tem muitas outras coisas que deveriam entrar nessa lista e eu me esqueci, mas como estou tentando diminuir o ritmo da minha mente e me cobrar menos, por enquanto está tudo certo.